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Cadão Volpato

Cadão

Nascimento: 1956 São Paulo, SP
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Jornalista, escritor e músico paulistano, cofundador da banda Fellini e apresentador do Metrópolis, autor de contos, romances e poesia infantil.

Cadão Volpato é a mesma pessoa que comandou o Metrópolis na TV Cultura, formou com Thomas Pappon a banda Fellini e escreveu um livro infantil ilustrado por ele mesmo. Essa travessia entre jornalismo, música, televisão e literatura começou na São Paulo dos anos 1970 e segue ativa em frentes distintas, dos contos que publicou pela Iluminuras à editora Seja Breve, criada por ele ao lado de Bernardo Ajzenberg.

Carlos Adão Volpato nasceu em São Paulo em 28 de dezembro de 1956 e se formou em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP) e em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP). Quem procura seu nome costuma chegar por um caminho — uma canção do Fellini, uma lembrança do Metrópolis, um conto antigo da Iluminuras — e encontra uma carreira em que as áreas se cruzam: a redação virou letra de música, a música virou assunto de livro, o livro virou conversa na televisão.

Quem é Cadão Volpato

Cadão Volpato é jornalista, escritor, músico, ilustrador e apresentador. A variedade não é acidental: cada frente alimentou as outras. Na imprensa, passou por redações de peso e assinou textos de cultura em veículos como Folha de S.Paulo, piauí, Vogue, Bravo! e Valor Econômico. Na música, comandou uma das bandas mais cultuadas do pós-punk brasileiro. Na televisão, apresentou programas de cultura e entrevistas. Na literatura, publicou contos, romances e poesia para crianças. Mais recentemente, somou a essas funções a de editor.

  • Jornalismo: repórter e editor em Veja, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Época e Trip, entre outras publicações.
  • Música: cofundador da banda Fellini (1984-1990), criador do projeto Funziona Senza Vapore e autor do disco solo Tudo Que Eu Quero Dizer Tem que Ser no Ouvido (2005).
  • Televisão: apresentador do Metrópolis, na TV Cultura, e do Trampolim, na STV.
  • Literatura: contos, romances e livro infantil, com títulos pela Iluminuras, Cosac & Naify e Faria e Silva.
  • Edição: cofundador da editora Seja Breve, voltada a livros curtos e densos.

Formação e militância na USP

A trajetória pública de Cadão começa no fim dos anos 1970, quando ele era estudante da USP. Participou do movimento estudantil como militante da Libelu (Liberdade e Luta), corrente trotskista que reuniu nomes que depois se destacariam na política, no jornalismo e na academia. A proximidade com os surrealistas do período o levou a uma das intervenções urbanas mais lembradas da cidade: o Evento Fim de Década, realizado na Praça da Sé em dezembro de 1979, quando terminou o ano no interior de um dragão chinês.

Em 1981, encarnou o cineasta Jean-Luc Godard em um evento da FAU-USP criado por artistas argentinos e brasileiros. Três anos antes, em 1978, havia sido comparsa da ópera Carmen, de Bizet, no Teatro Municipal de São Paulo. Décadas depois, essa matéria-prima voltaria à ficção: a experiência na Libelu e a invasão da PUC-SP em 22 de setembro de 1977 estão no centro do romance Abaixo a Vida Dura, publicado pela Faria e Silva em 2024.

Da redação ao pós-punk

O jornalismo cultural foi o ofício mais constante de Cadão. Ele foi crítico de cinema e repórter na editoria de Artes e Espetáculos de Veja (1987-1988), editor do caderno de Turismo da Folha de S.Paulo (1988), editor da revista SET, de cinema e vídeo (1988-1991), editor da Interview (1995-1996), redator-chefe da Capricho (1997), editor de Cultura da Época (1998-2002) e diretor de redação de revistas da Trip (2003-2006), entre passagens pelo Caderno 2, do O Estado de S. Paulo (1991-1992).

Foi nesse período que a música deixou de ser apenas assunto de reportagem. Em 1984, com Thomas Pappon, ele formou o Fellini, banda que durou até 1990 e se tornou referência do pós-punk brasileiro.

Fellini: seis discos e uma canção em Afrociberdelia

O Fellini lançou seis discos, de O Adeus de Fellini (1985) a Você Nem Imagina (2010), passando por Fellini Só Vive Duas Vezes (1986), 3 Lugares Diferentes (1987), Amor Louco (1989) e Amanhã É Tarde (2002). As composições de Cadão ganharam intérpretes fora do circuito roqueiro: Chico Science gravou "Criança de Domingo" em Afrociberdelia (1996), e Céu regravou "Chico Buarque Song" em Tropix (2016).

Depois do Fellini, Cadão criou o Funziona Senza Vapore, projeto iniciado em 1991 que originou a faixa "Criança de Domingo" e lançou um disco homônimo em 2001. Em 2005, saiu o disco solo Tudo Que Eu Quero Dizer Tem que Ser no Ouvido, inteiramente composto e tocado por ele. Em 2003, o Fellini foi homenageado no palco principal do Tim Festival.

Metrópolis, Trampolim e a televisão

Na TV Cultura, Cadão Volpato comandou o Metrópolis entre 1991 e 1994 e voltou ao programa entre 2010 e 2012. Também apresentou o Trampolim, na STV, de 2000 a 2005, e especiais de cinema, cultura e esporte para a TV Bravo em 1995, além de ter sido locutor da programação da TVA em 1991 e 1992. No Metrópolis, ele entrevistou nomes da música, do cinema e da literatura em duas décadas diferentes, sempre com o olhar de quem também vinha da redação.

Essa faceta continua rendendo material. Em 2025, ele voltou ao programa Entrelinhas, da TV Cultura, ao lado de Bernardo Ajzenberg, para falar sobre histórias breves e sobre o mercado editorial.

Livros: contos, romance e literatura infantil

A ficção de Cadão Volpato começou nos contos e chegou ao romance, ao livro ilustrado e à edição. Os primeiros títulos saíram pela Iluminuras, entre 1995 e 1999, e já traziam marcas que atravessariam sua obra: humor, concisão e interesse por personagens que vivem em desacordo com o próprio lugar no mundo. Em 2011, ele estreou na literatura infantil com um livro que escreveu e ilustrou; dois anos depois, publicou seu primeiro romance.

  • Ronda noturna (Iluminuras, 1995), cinco contos bem-humorados sobre destinos breves.
  • Dezembro de um verão maravilhoso (Iluminuras, 1999), 23 contos construídos pela elipse.
  • Relógio sem sol (Iluminuras), selecionado pelo Programa Petrobras Cultural.
  • Meu Filho, Meu Besouro (Cosac & Naify, 2011), poesia infantil escrita e ilustrada por ele.
  • Pessoas Que Passam Pelos Sonhos (Cosac & Naify, 2013), seu primeiro romance.

O que os livros de Cadão Volpato têm em comum

As sinopses de seus livros destacam uma literatura de personagens disfuncionais, celebrada pela simplicidade e pela capacidade de sugerir mais do que diz. Em Pessoas Que Passam Pelos Sonhos, essa marca aparece na forma de uma fantasmagoria sobre família, memória e os ecos da política latino-americana; em Meu Filho, Meu Besouro, vira conversa sincera entre duas gerações, sem lição de moral. Quem quiser comparar sua produção com a de outros autores brasileiros pode explorar a lista de autoridades de literatura do diretório.

O que Cadão Volpato faz hoje

O trabalho mais recente de Cadão é editorial. Com o jornalista e escritor Bernardo Ajzenberg, ele criou a editora Seja Breve, dedicada a livros curtos, densos e de temas urgentes — uma aposta na contramão do consumo rápido de conteúdo. O projeto foi apresentado em entrevistas e podcasts ao longo de 2025, enquanto ele segue escrevendo e participando de conversas sobre literatura.

Em 2024, ao lançar Abaixo a Vida Dura, romance sobre a militância na Libelu, ele concedeu uma entrevista à Folha de S.Paulo em que explicou por que decidiu contar a história pelo ponto de vista dos personagens, e não como reportagem. O livro reforça uma característica de sua trajetória: transformar experiência vivida em narrativa, sem abandonar o rigor de quem passou décadas em redações.

Como acompanhar o trabalho de Cadão Volpato

Além dos livros, há bastante material público para conhecer sua obra e suas ideias. A lista abaixo reúne caminhos úteis para começar:

  • Entrevista no Entrelinhas (TV Cultura, 2025), sobre a editora Seja Breve e histórias breves.
  • Entrevista no programa XXY (TV Cultura), sobre cinema e cultura.
  • Conversa no podcast do PublishNews sobre a criação da editora Seja Breve.
  • Perfil no Instagram, para novidades de lançamentos e eventos.

Para quem prefere começar pela ficção, os contos de Ronda noturna e Dezembro de um verão maravilhoso oferecem a porta de entrada mais direta no universo do autor; já Pessoas Que Passam Pelos Sonhos mostra o salto para o romance, e Meu Filho, Meu Besouro apresenta a vertente infantil.

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Ronda noturna
Ronda noturna
Primeiro livro de ficção de Cadão Volpato, reúne cinco contos bem-humorados sobre destinos breves, publicados pela Iluminuras em 1995.
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Relógio sem sol
Relógio sem sol
Livro de ficção de Cadão Volpato que celebra a simplicidade e acompanha personagens em desacordo com o próprio lugar no mundo.
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