Carmen Seganfredo nasceu em Porto Alegre, em 1956, e transformou o ofício de recontar mitos numa obra que atravessa mais de duas décadas. Ao lado do escritor A. S. Franchini, ela assinou uma longa série de livros dedicada às mitologias e lendas de diferentes culturas — da tradição greco-romana à nórdica, da egípcia à japonesa, da hindu à chinesa e à africana —, publicada por editoras como L&PM e Artes e Ofícios. Antes disso, foi a ficção que colocou seu nome na cena literária gaúcha: o romance Irmãos Pitowkers, escrito com Franchini para a Editora Sulina, venceu o Prêmio Açorianos de Literatura de 1999 na categoria revelação.
Bacharela em Letras e tradutora, Carmen vive entre Porto Alegre e Vigevano, na Itália. Dessa rotina entre dois países vem boa parte do método que marca seus livros: pesquisa paciente das fontes, escolha de versões menos óbvias e uma prosa que aproxima narrativas antigas de leitores de hoje, sem pedir que o leitor já conheça o assunto.
Quem é Carmen Seganfredo
Carmen Alenice Davi Seganfredo é uma escritora e tradutora brasileira cuja reputação se firmou no trabalho de recontar mitos em linguagem acessível. Ela começou a publicar no fim dos anos 1990, em parceria com A. S. Franchini, e desde então participou de dezenas de títulos que circularam tanto em livrarias quanto em coleções de bolso, catálogos escolares e edições digitais.
A obra dela não se limita a um único público. Há livros voltados a leitores adultos interessados em mitologia comparada, volumes pensados para o público infantojuvenil e recriações de textos clássicos em prosa, como Beowulf, Gilgamesh e O Anel dos Nibelungos. O fio que costura tudo é a decisão de tratar o mito como ficção: personagens com desejo, medo e conflito, não apenas verbetes de enciclopédia.
Como começou a parceria com A. S. Franchini
A colaboração entre Carmen Seganfredo e A. S. Franchini começa no fim dos anos 1990, quando os dois lançaram o romance Irmãos Pitowkers pela Editora Sulina. O livro, de 384 páginas e com ilustrações, narra as peripécias de dois irmãos excêntricos e de uma trupe de figuras extraordinárias, num registro que mistura aventura, humor e fabulação. A obra recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura de 1999 como revelação literária para a dupla.
Foi essa sociedade que deu origem, alguns anos depois, ao projeto de recontar mitologias em série. O primeiro volume desse ciclo, As 100 Melhores Histórias da Mitologia, saiu pela L&PM em 2003 e se tornou o título mais conhecido dos dois autores. A partir dele, a dupla passou a percorrer, livro a livro, as tradições de povos e épocas diferentes.
Quais mitologias Carmen Seganfredo já recontou
A série de mitologia cobre um mapa amplo de culturas. Entre os títulos publicados com A. S. Franchini estão volumes sobre a tradição greco-romana, a nórdica, a egípcia, a africana, a hindu, a celta, a japonesa, a chinesa e a galesa. Alguns livros foram escritos apenas por Carmen, caso de As Melhores Lendas Japonesas e As Melhores Lendas Chinesas, que ampliam o mesmo projeto de tornar as narrativas tradicionais legíveis para quem chega sem repertório prévio.
Uma lista curta ajuda a situar o percurso:
- Irmãos Pitowkers (Editora Sulina, 1998) — romance de estreia e primeiro prêmio;
- As 100 Melhores Histórias da Mitologia (L&PM, 2003) — marco inicial da série;
- As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica (Artes e Ofícios, 2004);
- As Melhores Histórias da Mitologia Egípcia (L&PM, 2006);
- As Melhores Histórias da Mitologia Africana (Artes e Ofícios, 2008);
- As Melhores Lendas Japonesas (Artes e Ofícios, 2012) — obra solo;
- As Melhores Lendas Chinesas (L&PM, 2014) — obra solo;
- As Mais Originais Histórias da Mitologia Galesa — Mabinogion (2015).
O conjunto faz da autora uma das vozes brasileiras mais constantes na divulgação de mitologia para leitores não especialistas. É comum que seus livros sejam adotados por professores e por famílias que querem introduzir jovens leitores a narrativas fundadoras da cultura ocidental e oriental. Nesse sentido, a obra dialoga com a literatura de formação e com o repertório de lendas que atravessa séculos.
Carmen Seganfredo tradutora: obras vertidas para o português
Além de escrever, Carmen Seganfredo assina traduções feitas em conjunto com A. S. Franchini. Entre os títulos estão O Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce, e Um Jardim de Poemas Infantis, de Robert Louis Stevenson, ambos de 1999, além de Um Conto de Natal, de Charles Dickens, publicado em 2005. O trabalho de tradução explica parte do cuidado com a linguagem que aparece nos recontos: a autora transita entre o texto original e a adaptação sem perder o ritmo da narrativa.
Prêmio Açorianos e presença na literatura gaúcha
O Prêmio Açorianos de Literatura é concedido pela Prefeitura de Porto Alegre e figura entre os reconhecimentos mais tradicionais do Rio Grande do Sul. Carmen Seganfredo o recebeu em 1999, na categoria revelação literária, ao lado de A. S. Franchini, pelo romance Irmãos Pitowkers. O reconhecimento veio antes da série de mitologia e ajudou a sustentar uma carreira que depois migraria para o trabalho de recontar histórias tradicionais.
Viver entre Porto Alegre e a Itália também deixou marcas no catálogo: enquanto alguns volumes nasceram da pesquisa sobre mitologias do Norte da Europa e do Mediterrâneo, outros olham para tradições asiáticas e africanas, sempre com o cuidado de não tratar as culturas como bloco único.
Perguntas rápidas sobre Carmen Seganfredo
Carmen Seganfredo é brasileira?
Sim. Ela nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1956, e mantém vínculos profissionais e de moradia tanto no Brasil quanto na Itália, onde vive parte do ano.
Onde encontrar os livros de Carmen Seganfredo?
Os títulos da série de mitologia circularam por editoras como L&PM e Artes e Ofícios e seguem disponíveis em livrarias, sebos e edições digitais. Os volumes de bolso da L&PM, em especial, ajudaram a manter a obra em catálogo por anos seguidos.
Qual livro começar a ler?
Para quem quer conhecer o trabalho de recontos, As 100 Melhores Histórias da Mitologia funciona como porta de entrada, porque reúne episódios conhecidos da tradição greco-romana em textos curtos. Já Irmãos Pitowkers mostra a veia ficcional da autora antes da série mitológica.
Carmen Seganfredo escreve sozinha ou em parceria?
As duas coisas. Boa parte do catálogo foi escrita com A. S. Franchini, mas livros como As Melhores Lendas Japonesas e As Melhores Lendas Chinesas saíram apenas com o nome dela.






