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Clemente Ritz

Nascimento: 1888 Curitiba, Paraná, Brasil
Poeta, biógrafo e jornalista curitibano (1888–1935), da Geração Literária de 1905 e fundador da Cadeira 15 da Academia Paranaense de Letras.

Clemente Ritz Teixeira de Freitas (Curitiba, 23 de novembro de 1888 — Lapa, 4 de novembro de 1935) foi um poeta, biógrafo e jornalista que ajudou a organizar a vida literária de Curitiba nas primeiras décadas do século XX. Nasceu na antiga Rua Borges de Macedo, no centro da capital paranaense, e morreu de tuberculose aos 46 anos, deixando cinco livros publicados e uma produção dispersa em jornais e revistas da cidade.

O nome dele aparece com frequência em levantamentos sobre a Geração Literária de 1905, grupo de jovens escritores paranaenses do início do século, e na história do Centro de Letras do Paraná, entidade que ajudou a fundar em 1912. Entre a poesia, a biografia e o jornalismo, Ritz construiu uma obra curta, marcada pelo humor, pela trova e pela crônica do cotidiano curitibano.

Primeiros anos e formação

Ritz estudou no Ginásio Paranaense, onde se especializou em língua portuguesa e latina. Aos 17 anos já circulava pelo meio literário da capital, contribuindo para a revista Stellario e participando do grupo que ficaria conhecido como Geração Literária de 1905.

Antes de completar 20 anos, entrou como funcionário dos Correios. Foi promovido a administrador dos Correios de Campanha e trabalhou por um breve período em Minas Gerais, conciliando o serviço público com a escrita e com a colaboração em jornais.

Jornalismo, humor e pseudônimos

Ao longo da vida, Ritz colaborou com jornais e revistas de Curitiba, sempre criando novas colunas, como as que manteve em A Cidade e no Diário da Tarde. Jornalista irreverente, foi também cronista, charadista e cultor do humorismo em prosa e verso.

Em parte da produção, assinou com pseudônimos: Mário de Resende, Valdemar Pompéia e Procópio E. d'Olivar. Os nomes alternativos permitiam transitar entre o comentário leve, a crônica urbana e a brincadeira com a linguagem — marcas de uma época em que o jornal era o principal palco literário da cidade.

Esse trânsito entre a redação e a página de versos explica boa parte do perfil do autor: um escritor de cidade pequena, atento ao noticiário, às festas, aos tipos humanos e às charadas que animavam as seções de passatempo. A poesia convivia com o dia a dia da imprensa, sem separação rígida entre ofício e vocação.

Centro de Letras do Paraná

Em 1912, Clemente Ritz foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná. Na data de fundação, 19 de dezembro de 1912, ocupou a secretaria da mesa diretora e foi o responsável pela redação da primeira ata da entidade.

A criação do Centro deu forma institucional a um círculo de escritores que já se encontrava em saraus, revistas e redações. Para Ritz, foi o momento em que a atividade literária curitibana passou a ter um espaço próprio de organização e de memória, reunindo nomes que a cidade passaria a reconhecer como sua primeira geração de letras organizada.

As obras de Clemente Ritz

A bibliografia do autor reúne poesia, versos de circunstância e uma biografia, publicados entre 1906 e 1935:

  • Álbum (1906) — livro de estreia, dedicado à poesia;
  • Sonhos de moço (1907) — coletânea de poesias;
  • Barros Júnior (1907) — biografia;
  • Caminho de Eleusis (1914) — versos;
  • Meu surrãozinho de trovas (1935) — versos, publicado no ano de sua morte.

Os títulos atravessam fases diferentes da carreira: o entusiasmo do escritor iniciante em Álbum e Sonhos de moço, a experiência de biógrafo em Barros Júnior, a maturidade formal de Caminho de Eleusis e a retomada da trova popular em Meu surrãozinho de trovas. É uma produção de início de século, apoiada na métrica tradicional e no gosto pela palavra bem-humorada, que hoje interessa a pesquisadores da literatura paranaense e a colecionadores de livros antigos.

Doença, morte e homenagens

Muito doente, vítima de tuberculose, Ritz foi transferido da clínica Erasto Gaertner, em Curitiba, para o Sanatório São Sebastião, na Lapa, numa última tentativa de tratamento. Morreu na segunda-feira, 4 de novembro de 1935, aos 46 anos e 11 meses de idade.

Dez meses depois, a recém-fundada Academia Paranaense de Letras o homenageou como fundador da Cadeira 15. Em 1985, a Câmara Municipal de Curitiba determinou que uma via do bairro Cidade Industrial recebesse o nome de Rua Clemente Ritz, em referência ao poeta e jornalista.

Perguntas frequentes sobre Clemente Ritz

Quem foi Clemente Ritz?

Foi um poeta, biógrafo e jornalista brasileiro nascido em Curitiba. Integrou a chamada Geração Literária de 1905, fundou o Centro de Letras do Paraná e publicou cinco livros entre 1906 e 1935.

Onde e quando ele nasceu?

Nasceu em Curitiba, no Paraná, em 23 de novembro de 1888, na antiga Rua Borges de Macedo, atual Rua Ébano Pereira, no centro da cidade.

De que morreu Clemente Ritz?

Morreu de tuberculose em 4 de novembro de 1935, no Sanatório São Sebastião, na cidade da Lapa, no Paraná, depois de ser transferido de uma clínica de Curitiba.

Quais são os livros dele?

Os títulos publicados foram Álbum (1906), Sonhos de moço (1907), Barros Júnior (1907), Caminho de Eleusis (1914) e Meu surrãozinho de trovas (1935).

A poesia paranaense teria outros desdobramentos nas décadas seguintes, de Paulo Leminski a Dalton Trevisan, mas a passagem de Ritz pelo Centro de Letras e pela imprensa curitibana ajudou a fixar um circuito literário que a cidade manteria vivo. Para quem pesquisa a literatura brasileira do início do século XX, o nome dele é uma das portas de entrada para entender a cena paranaense da época.

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