Quem é Cora Rónai
Cora Tausz Rónai escreveu, em 1987, a primeira coluna sobre computação da grande imprensa brasileira — no Jornal do Brasil, anos antes de a internet comercial chegar ao país. Nascida no Rio de Janeiro em 31 de julho de 1953, é jornalista, escritora e fotógrafa, filha do tradutor Paulo Rónai e da arquiteta, professora e nadadora Nora Tausz Rónai. Quem procura saber quem é Cora Rónai costuma esbarrar na mesma curiosidade: como alguém formado nas redações de Brasília passou a tratar tecnologia como assunto de jornal muito antes de o tema virar pauta obrigatória.
Os primeiros anos de redação, em Brasília
A carreira começou longe do Rio. Cora trabalhou no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense e passou pelas sucursais da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil na capital federal. Em 1980, voltou ao Rio de Janeiro. Dois anos depois, deixou a redação do JB para se dedicar à literatura e ao teatro infantis — fase em que recebeu prêmios da Associação Nacional de Livrarias Infantis e Juvenis e o Prêmio Mambembe.
A passagem pela ficção infantojuvenil não foi um parêntese. Ela ajuda a explicar o tom que marcaria o trabalho seguinte: frases curtas, comparações do cotidiano e a preocupação de escrever para quem nunca leu uma revista técnica.
A primeira coluna de tecnologia da grande imprensa
Usuária de computador pessoal desde 1986, Cora levou a experiência de quem mexia na máquina para dentro do jornal. A coluna lançada no Jornal do Brasil em 1987 foi a primeira sobre computação na grande imprensa brasileira, escrita no estilo coloquial que passou a caracterizar seu trabalho, tanto na área cultural quanto na tecnológica.
O pioneirismo se repetiu na fotografia digital tratada como ferramenta de comunicação. Nos primórdios do Fotolog, a página em que publicava fotos do Rio de Janeiro e de viagens chegou a ser a mais visitada do mundo.
internETC: o primeiro blog de uma jornalista brasileira
Em 2001, Cora criou o internETC, o primeiro blog mantido por uma jornalista brasileira. O endereço cronai.wordpress.com continua no ar como uma espécie de diário público, com posts curtos, imagens e comentários sobre cidades, livros, política e vida digital.
Fala Foto e a fotografia de celular
Em 2006, veio Fala Foto (Senac Rio), uma seleção de imagens feitas ao longo de cinco anos com mais de uma dezena de aparelhos celulares diferentes. O livro foi finalista do Prêmio Jabuti e rendeu uma exposição individual na galeria Mercedes Viegas, no Rio — feito incomum para instantâneos captados por celular, sem pretensão artística declarada. Era o primeiro livro de fotos de celular do mundo, publicado quando a câmera de telefone ainda era uma curiosidade.
No Globo, do caderno Info etc. às crônicas
No jornal O Globo desde 1991, criou o caderno de tecnologia "Info etc.", que editou até 2008. Depois, seguiu como colunista de tecnologia e cronista do Segundo Caderno. As colunas estão reunidas na página da jornalista no site do jornal.
Livros, teatro e parcerias
Os livros acompanham fases distintas da carreira e públicos diferentes, do infantojuvenil ao ensaio sobre cultura digital. Entre os títulos publicados estão Uma Ilha lá Longe, Caiu na Rede, Uma História de Video Game, Álbum de Retratos: Walter Firmo, Idéias: um Livro de Entrevistas e O Terceiro Tigre.
- Sapomorfose, escrito com Millôr Fernandes, com quem manteve uma longa relação;
- O Barbeiro de Sevilha e as Bodas de Fígaro, em parceria com o pai, o tradutor Paulo Rónai;
- Caiu na Rede, sobre os textos falsos da internet que se tornaram clássicos da cultura popular;
- Uma História de Video Game, lançado em 1993, quando a cobertura de games no Brasil ainda era rara na imprensa.
Prêmios e reconhecimento público
Cora recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor jornalista de informática em 2004, 2006 e 2008, e o de melhor jornalista de tecnologia em 2018. Em 2014, foi incluída pela ZDNet entre as dez principais inovadoras brasileiras.
Rio de Janeiro, animais e meio ambiente
Além da tecnologia, dois temas atravessam sua obra e suas colunas: a defesa incondicional do Rio de Janeiro e a causa dos animais e do meio ambiente. A cidade aparece como personagem recorrente, fotografada, defendida e criticada em textos que misturam crônica urbana e observação de quem mora nela há décadas.
Pedro+Cora: o trabalho mais recente
Desde 2023, integra a equipe do Canal Meio, onde escreve e apresenta, ao lado do jornalista Pedro Doria, o programa Pedro+Cora, definido pelos próprios autores como um programa sobre tudo o que é digital, mas que foge muito do assunto. As conversas vão de inteligência artificial e regulação das plataformas a videogames, hábitos de leitura e educação digital, sempre às terças e quintas, às 11h15. No quadro O Livro da Cora, ela indica leituras que dialogam com o episódio.
O público que acompanha o programa encontra um resumo claro de como a tecnologia entra na vida comum: pelo trabalho, pela escola, pelo consumo, pelo entretenimento e pela política. É a mesma abordagem que ela levou para as páginas de jornal, para os livros de literatura, para o trabalho de fotografia e para a cobertura de tecnologia.
Onde acompanhar o trabalho de Cora Rónai
- Blog internETC, mantido desde 2001;
- Instagram e Facebook (@cronai);
- Perfil no Twitter/X (@cronai);
- Coluna de tecnologia e crônicas no jornal O Globo;
- Programa Pedro+Cora, no Canal Meio, com episódios em vídeo e em áudio.
A trajetória de Cora Rónai se confunde com a chegada da tecnologia ao cotidiano brasileiro: ela estava lá quando o computador pessoal era novidade, quando o blog era invenção de poucos e quando a câmera de celular parecia um brinquedo. Cada uma dessas fases rendeu matéria, livro ou programa — e uma boa crônica sobre o que tudo isso faz com as pessoas.





