Dagomir Marquezi fingiu ser saxofonista da banda Jota Quest, passou um dia exposto no Zoológico de Bauru e se vestiu de Elvis Presley numa convenção de fãs — cada uma dessas façanhas foi publicada como reportagem nas revistas da antiga Editora Abril. Muito antes disso, porém, ele já escrevia novelas, roteiros de quadrinhos e livros de ensaio. Jornalista, escritor e roteirista, Marquezi fez da mistura entre repórter e personagem um método de trabalho que atravessa mais de quatro décadas.
Nascido em 7 de março de 1953 no Cambuci, bairro central de São Paulo, ele começou na imprensa alternativa dos anos 1970, passou pelas bancas de revista e pelas novelas da Globo e da Manchete e hoje assina uma coluna na Revista Oeste, mantém um blog ativo e uma estante de livros digitais — de análise de séries de televisão a biografias de craques do futebol.
Do Ginásio Vocacional ao Jornal Movimento
A vocação apareceu cedo, no Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha, onde a convivência com o dramaturgo Jorge Andrade ajudou a definir o rumo. Depois de uma passagem curta e frustrada pelo curso de Ciências Sociais da USP, Marquezi ingressou, a partir de 1978, no curso de jornalismo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo.
A estreia na imprensa profissional aconteceu no Jornal Movimento, nas páginas de cultura. Vieram depois colaborações com a revista IstoÉ, o Jornal da República, o jornal Meio & Mensagem e a revista Homem. Em 1980, assinou seu primeiro roteiro — o curta-metragem O Grotão, dirigido por Flávio Del Carlo, com João Signorelli e Iara Jamra no elenco — e lançou Auika!, seu primeiro livro, sobre cultura pop. Em 1983, tornou-se comentarista de cinema da revista Veja.
Um Sonho a Mais, Helena e a TV dos anos 1980 e 1990
Em 1985, integrou a equipe de roteiristas da novela Um Sonho a Mais, da Globo, ao lado de Lauro César Muniz e Mário Prata. Dois anos depois, largou o jornalismo diário para coescrever com Mário Prata e Reinaldo Moraes a telenovela Helena, da Rede Manchete, baseada no romance de Machado de Assis.
A televisão continuaria sendo território dele: na Manchete, escreveu o musical semanal Milk-Shake, apresentado por Angélica; em parceria com Ricardo Soares, adaptou O Diário de um Mago, de Paulo Coelho, para uma minissérie que acabou não produzida com o fim da emissora. Na Globo, assinou roteiros da série infantil TV Colosso, em 1993. No SBT, foi contratado em 1994 para o Clube da Angélica, onde encaixou a mini-novela satírica Tempestade de Lágrimas. Em 1996, escreveu a série Memória Band, da TV Bandeirantes.
Quadrinhos: o Detetive Castro e O Diário de um Mago
Em 1984, escreveu histórias em quadrinhos do Detetive Castro com desenhos de Flávio Colin para a revista Inter! Quadrinhos, da Editora Ondas. Quatro anos depois, assinou com o ilustrador Marcus Wagner a adaptação em quadrinhos de O Diário de um Mago, romance de Paulo Coelho publicado pela Editora Record em 1988.
Em 2003, voltou ao gênero na revista Contos Bizarros, spin-off adulto da Superinteressante. O detetive Castro renderia ainda o romance Escada para o Paraíso, com um herói que se imagina Humphrey Bogart no centro de São Paulo.
Gonzo na Editora Abril: VIP, Playboy e a coluna ZAP
Em setembro de 1997 começou o que seriam quase dez anos de contrato com a Editora Abril. Na revista VIP, publicou o perfil do escritor Hélio do Soveral, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Abril de Jornalismo de 1998. Depois, transferiu-se para a edição brasileira da Playboy.
Foi nesse período que refinou o estilo gonzo que virou sua marca: entrar na história em vez de apenas observá-la. Na mesma época, a partir de 1997, assinou a coluna ZAP na Info Exame, dedicada aos aspectos humanos da informática, e escreveu para Superinteressante, Exame, Revista da Web, Placar e Quatro Rodas. Em 2007, deixou de ser exclusivo da Abril, voltou a atuar como freelancer e passou a escrever também para a revista Época.
Teatro, cinema e o prêmio da Funarte
Em 2004, ganhou o primeiro prêmio do Concurso de Dramaturgia da Funarte, na categoria adulto da região Sudeste, com a peça Intervalo. Em 2008, colaborou no roteiro de Dores & Amores, comédia romântica dirigida por Ricardo Pinto e Silva e baseada no romance Dores, Amores & Assemelhados, de Claudia Tajes.
Em setembro de 2009, sua peça A Capa teve a primeira leitura pública no MASP, dentro do projeto Letras em Cena, com Marisa Orth no elenco. No ano seguinte, o roteiro de Dores & Amores foi lançado em livro no Festival de Cinema de Paulínia, escrito a seis mãos com Ricardo Pinto e Silva e Patrícia Müller para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Direitos animais, futebol e o livro Eu Sou Animal
Em 1986, no jornal O Estado de S. Paulo, sua coluna Recado Ecológico se transformou em porta-voz da campanha pelo fim da caça à baleia no litoral brasileiro. A defesa dos animais atravessaria décadas e viraria livro em 2013, com Eu Sou Animal.
Outra paixão antiga é o futebol, assunto de Os Mortos-Vivos do Futebol, que reúne perfis de craques falecidos que seguem vivos na memória do torcedor, como Leônidas da Silva, Zizinho, Barbosa, Dener, Didi, Heleno de Freitas, Matt Busby e Mauro Ramos.
Blog, Revista Oeste e os livros digitais
Desde 2006, Marquezi mantém no ar um blog pessoal em que publica memórias, arquivos de televisão, textos de cinema e música e capítulos de seus livros — são mais de mil posts acumulados, com publicações até hoje. Ele também assina uma coluna na Revista Oeste e mantém a DMP (Dagomir Marquezi Produções), por meio da qual publica edições digitais próprias, em português e em inglês.
Boa parte da bibliografia, antes espalhada em tiragens antigas, está organizada em títulos digitais vendidos na Amazon. Entre os principais:
- Aventuras no Jornalismo Criativo — antologia das reportagens não convencionais do autor;
- 50 Pilotos: A Arte de se Iniciar uma Série — análise da criação de pilotos de televisão;
- Os Mortos-Vivos do Futebol — biografias de craques que marcaram época;
- Dicionário de Informática 1997 — glossário histórico da tecnologia doméstica.
Cada um desses títulos tem página própria no site, com contexto, público e rota de compra.





