Abrir conta no Brasil, em 2013, podia parecer rotina. Para David Vélez, colombiano recém-chegado, a experiência virou manifesto: meses de espera, filas, taxas altas e um sistema feito para o banco, não para quem usa o dinheiro no dia a dia. Dessa irritação concreta nasceu o Nubank — o neobanco roxo que saiu de um cartão no app e chegou a dezenas de milhões de clientes na América Latina.
Hoje ele é buscado como fundador, CEO e presidente do conselho do Nubank: o rosto de uma geração que tratou banco digital como produto de tecnologia, não como filial de agência. O perfil abaixo reúne origem, formação, virada empreendedora, papel ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible, IPO e a face filantrópica com a plataforma VélezReyes+.
Quem é David Vélez
David Vélez é empresário e banqueiro colombiano, nascido em Medellín em 1981. Atua a partir de São Paulo como fundador e principal executivo do Nubank, instituição financeira digital que se espalhou pelo Brasil e depois por México e Colômbia. A trajetória combina engenharia e negócios em Stanford, passagem por bancos de investimento e fundos de venture capital, e a decisão de construir uma empresa própria no mercado financeiro latino-americano.
A autoridade pública dele se sustenta em três eixos claros: a criação de um banco sem agência física no centro da narrativa; a escala de clientes e a listagem na Bolsa de Nova York via Nu Holdings; e a presença em debates sobre competição bancária, tecnologia e inclusão financeira na região.
De Medellín a Stanford e ao mercado financeiro
Parte da infância passou na Colômbia e, depois, na Costa Rica, onde a família se estabeleceu. O pai administrava uma fábrica pequena — imagem que ele próprio associa à ideia de construir algo próprio, em vez de apenas observar o jogo de longe. O sonho de Stanford não era só diploma: era o endereço onde projetos ambiciosos ganhavam forma.
Na Universidade Stanford, concluiu graduação em Management Science & Engineering e, em seguida, o MBA na Stanford Graduate School of Business, com formatura em 2012. Antes e ao redor dessa formação, trabalhou em finanças nos Estados Unidos, com passagens citadas em biografias públicas por instituições como Morgan Stanley e Goldman Sachs, e por fundos como General Atlantic e Sequoia Capital.
Na Sequoia, o encargo de explorar a América Latina e a hipótese de um escritório no Brasil o colocou de frente com o ecossistema de startups da região. Quando a casa de investimento não seguiu com a expansão local, Vélez não voltou simplesmente à Califórnia: ficou no Brasil e mudou de papel — de investidor a fundador.
- Origem: Medellín, Colômbia (1981).
- Formação: Stanford (graduação e MBA).
- Experiência prévia: bancos de investimento e venture capital.
- Base de atuação pública: São Paulo e o ecossistema fintech da América Latina.
Por que o Nubank nasceu no Brasil
A faísca mais repetida na biografia pública é pessoal e prosaica: a dificuldade de abrir e usar serviços bancários como estrangeiro no Brasil. Em vez de tratar o atrito como anedota de expatriado, Vélez conectou a dor a sinais de mercado — penetração de smartphones, insatisfação com tarifas e a concentração do setor em poucos grandes bancos.
Em 2013, em São Paulo, cofundou o Nubank com Cristina Junqueira e Edward Wible. A proposta inicial era simples de explicar e difícil de executar: cartão de crédito sem anuidade, gerido por aplicativo, com atendimento e produto pensados do zero para o celular. Os primeiros clientes foram o próprio time — um atalho clássico de produto digital que também servia como teste de resiliência.
O Nubank deixou de ser “só cartão” e passou a oferecer conta digital, crédito, seguros e outros serviços financeiros, expandindo-se para México e Colômbia. A marca roxa virou atalho mental de banco digital na conversa cotidiana brasileira — e Vélez, o fundador que apostou em tecnologia e design contra a gravidade do varejo bancário tradicional.
Cofundadores, lacunas e o ofício de CEO
Relatos públicos do próprio fundador destacam um ponto pouco glamouroso e bastante útil: ele não era brasileiro nativo, não tinha carreira dentro de um banco local e não se apresentava como “tecnólogo de carteirinha”. A resposta foi montar um trio complementar. Cristina Junqueira trouxe experiência de dentro do sistema financeiro brasileiro e força em produto, marca e relação com o cliente. Edward Wible entrou no eixo de tecnologia e construção da plataforma.
Como CEO e presidente do conselho, Vélez aparece na cobertura de imprensa e em entrevistas ligando estratégia de longo prazo, captação de capital, cultura de empresa de tecnologia e expansão regional. Em dezembro de 2021, liderou a abertura de capital da holding Nu Holdings na NYSE, movimento que colocou o Nubank entre as instituições financeiras mais valiosas da América Latina no momento da estreia.
A escala pública citada em perfis recentes fala em mais de 100 milhões de clientes nos mercados em que o Nu opera. Números de valuation, patrimônio e ranking Forbes mudam com o mercado; o que permanece estável na narrativa é a posição de fundador-operador de um neobanco de massa.
Reputação, filantropia e VélezReyes+
Depois do IPO, a figura pública de Vélez saiu do círculo de startups e entrou no radar de grandes fortunas e debates sobre capitalismo e competição na região. Em 2021, ele e a esposa, Mariel Reyes Milk, assinaram o Giving Pledge, compromisso de destinar a maior parte da riqueza a causas sociais ao longo da vida.
Em 2022, o casal lançou a plataforma filantrópica VélezReyes+, voltada a educação, empreendedorismo e impacto social na América Latina. Em 2024, o Congresso da Colômbia concedeu a ele a Ordem da Democracia Simón Bolívar no grau de Grande Cavaleiro, em reconhecimento à trajetória empresarial.
Esses capítulos não substituem o Nubank na busca do público brasileiro, mas completam o retrato: o fundador de fintech que também trata filantropia e legado institucional como parte da vida pública.
Por que as pessoas buscam David Vélez
Quem digita o nome costuma querer respostas diretas: quem fundou o Nubank, de onde ele veio, qual a formação, como o banco digital cresceu e qual o papel dele frente a Cristina Junqueira e à operação atual. Há também curiosidade sobre patrimônio, IPO e a virada de investidor de venture capital para CEO de varejo financeiro.
O recorte mais útil é este: David Vélez é o empreendedor colombiano que transformou uma fricção bancária pessoal em tese de produto, reuniu cofundadores com competências complementares e escalou o Nubank até se tornar referência de neobanco na América Latina — com base em São Paulo, listagem nos EUA e uma segunda frente pública em filantropia via VélezReyes+.



