De Salvador a Amsterdã sem perder o sotaque de quem ainda fala em “sonho grande”: Fabrício Bloisi saiu da Bahia aos 17 anos para estudar computação na Unicamp e, décadas depois, assumiu o comando da Prosus e da Naspers — holding de tecnologia com presença global e investidora de nomes como Tencent e iFood. A trajetória não é de herói de pitch; é a de um baiano que insistiu em construir empresas de escala a partir do interior de São Paulo.
Quem busca o nome dele quer entender como um fundador da Movile virou CEO do iFood e, em julho de 2024, chegou ao topo de um dos maiores grupos de internet do mundo. Este perfil organiza origem, formação, viradas de negócio, polêmicas públicas e o braço social da Fundação 1Bi, sem transformar a biografia em release de empresa.
Quem é Fabrício Bloisi
Fabrício Bloisi nasceu em 1977 em Salvador, na Bahia. É executivo brasileiro, fundador da Movile, ex-CEO do iFood e, desde julho de 2024, diretor-presidente da Prosus e da Naspers. A marca pública que o acompanha mistura empreendedorismo de tecnologia, foodtech na América Latina e, mais recentemente, liderança de um conglomerado com portfólio em delivery, anúncios, educação, fintechs e venture capital.
Antes do cargo global, ele ficou conhecido no Brasil por transformar a aposta da Movile no iFood — app ainda pequeno em 2013 — na principal plataforma de delivery de comida da região. Em entrevistas oficiais e institucionais, costuma repetir o fio condutor: gosto por tecnologia, ambição de impacto e disciplina de execução.
Origem em Salvador e formação na Unicamp
Aos 17 anos, Bloisi deixou Salvador para cursar Ciência da Computação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), formando-se em 1998. A mudança para o interior paulista marca o começo da carreira: a empresa que daria origem à Movile nasceu no ambiente de incubação e de empresas júnior de Campinas, não em um hub de capital de risco já consolidado.
Depois veio o MBA na Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP), concluído em 2008, com foco em crescimento acelerado de startups. Ele também passou por programas executivos na Stanford Graduate School of Business e na Harvard Business School — trechos da biografia confirmados em perfis institucionais e na página da XPRIZE, da qual participou como conselheiro de inovação.
- Graduação em Ciência da Computação pela Unicamp (1998)
- MBA pela FGV (2008)
- Formação executiva em Stanford e Harvard
- Origem em Salvador e base profissional construída a partir de Campinas
Como a Movile nasceu e virou ecossistema
Em 1998, ainda no período da Unicamp, Bloisi cofundou com Fábio Póvoa a Intraweb, empresa de software e soluções de TI. A companhia foi adquirida, mudou de nome (Compera) e, após fusões e reorganizações nos anos 2000, consolidou-se como Movile — grupo de tecnologia que passou a operar marketplaces e serviços móveis na América Latina e além.
Sob sua liderança, a Movile deixou de ser uma startup de conteúdo e serviços para operadoras e passou a montar um portfólio com negócios em delivery, pagamentos, ingressos, conteúdo e mensageria. Nomes ligados a esse ecossistema ao longo do tempo incluem iFood, Sympla, PlayKids e outras operações citadas em entrevistas e reportagens sobre o grupo.
O elo com capital global se fortaleceu com a entrada de investidores como a Naspers — que, anos depois, via Prosus, se tornaria peça central na história do iFood e na própria carreira de Bloisi.
iFood: da aposta de 2013 à presidência
Em 2013, a Movile investiu no iFood, plataforma de delivery fundada em 2011 e ainda com equipe enxuta. A aposta virou o capítulo mais conhecido da biografia de Bloisi no Brasil: o app cresceu até se tornar referência de foodtech na América Latina.
Bloisi assumiu como CEO do iFood em 2019 (com a gestão plena da presidência marcada no mercado a partir de 2020, conforme coberturas como a do InfoMoney). Em entrevista à Folha de S.Paulo em 2024, a empresa citou expansão de base e de pedidos mensais em ritmo acelerado, com centenas de milhares de restaurantes e entregadores no ecossistema.
Em maio de 2024, os conselhos da Prosus e da Naspers anunciaram sua indicação a CEO de ambas, com posse em 1º de julho daquele ano. Ele deixou a presidência executiva do iFood, permaneceu como acionista e presidente do Conselho, e Diego Barreto assumiu a operação no Brasil — movimento confirmado em anúncios oficiais e na imprensa de negócios.
Prosus, Naspers e o salto global
Como CEO da Prosus e da Naspers, Bloisi passou a comandar um grupo holandês-sul-africano de investimentos em tecnologia com participações relevantes em mercados emergentes e em companhias de grande porte. A Prosus é controladora do iFood e investidora em diversas empresas; o portfólio histórico do grupo inclui posições em gigantes como a Tencent.
Na nova fase, coberturas de mercado registraram movimentações de fusões e aquisições sob sua gestão, entre elas a compra da Just Eat Takeaway.com, noticiada em 2025, e outras operações de expansão. Em declarações públicas, o executivo tem falado em crescer o valor de mercado do grupo e em repetir, em escala global, a combinação de ambição e disciplina que atribui ao ciclo do iFood.
Quem acompanha líderes de tech na América Latina pode cruzar o perfil com outras trajetórias de fundadores de unicorns — por exemplo a de David Vélez, do Nubank —, cada uma com mercado, produto e tensões diferentes, mas com a mesma pergunta de fundo: como escalar a partir da região sem copiar o manual de Silicon Valley linha por linha.
Fundação 1Bi e o discurso de educação
Além dos negócios, Bloisi criou em 2019 a Fundação 1Bi, organização sem fins lucrativos que usa tecnologia para apoiar educação e redução de desigualdades. Um dos braços públicos mais citados é o AprendiZAP, ferramenta digital gratuita de apoio a professores e estudantes, com distribuição por canais como o WhatsApp.
O iFood tornou-se mantenedor oficial da fundação em comunicado institucional. Bloisi também atuou como porta-voz do ODS 4 (educação de qualidade) no Pacto Global da ONU, o que reforça a ligação pública entre sua marca pessoal e o tema educacional — sem confundir o papel de CEO com o de especialista acadêmico.
Presença pública, redes e canal
Bloisi mantém perfil verificado no Instagram (@fabriciobloisi) e canal no YouTube em que fala de trajetória, tecnologia e rotina de liderança. No LinkedIn, apresenta-se como CEO da Prosus, presidente do Conselho do iFood e fundador da Movile. Há ainda perfil voltado à comunicação internacional ligado à Prosus.
A voz pública mistura otimismo de empreendedor (“sonhe grande, execute”) com temas de gestão, inteligência artificial e internacionalização de empresas brasileiras. Para quem pesquisa empreendedorismo e foodtech, ele aparece tanto em matérias de negócios quanto em entrevistas longas e palestras.
Polêmicas e críticas documentadas
Em fevereiro de 2024, em entrevista à Folha, Bloisi comentou que, em cerca de dez anos, muita gente deixaria de cozinhar em casa porque o delivery ficaria tão acessível quanto preparar a própria refeição. A fala gerou reações de profissionais da gastronomia e comentários críticos na imprensa; a chef Rita Lobo foi uma das vozes que contestaram o prognóstico, segundo o Estadão. O iFood publicou nota de esclarecimento em seguida.
Como CEO de Prosus e Naspers, também enfrentou questionamentos de entidades ligadas a direitos trabalhistas sobre práticas de plataformas, tema recorrente no debate global de delivery e economia de aplicativos. No Brasil, a concentração de mercado do iFood segue no radar de concorrentes e de autoridades de defesa da concorrência — contexto de setor, não biografia íntima.
Por que as pessoas buscam Fabrício Bloisi
O nome circula quando o assunto é succession no topo da foodtech brasileira, a relação entre startups nacionais e capital internacional, ou a passagem de um fundador “de produto” para CEO de holding listada. Estudantes de negócios, jornalistas, investidores e profissionais de tecnologia procuram a linha do tempo: Unicamp → Movile → iFood → Prosus/Naspers.
Também pesa a curiosidade sobre o estilo de liderança — discurso de escala, educação e “sonho grande” — e sobre o que muda quando um executivo formado no Brasil assume um grupo com operações na Europa, na América Latina, na Índia e em outros mercados emergentes.
Links e referências úteis
- Prosus — grupo do qual é CEO
- Naspers — holding associada
- iFood Institucional — comunicação e histórico da operação
- Fundação 1Bi — braço de educação e tecnologia
- Canal no YouTube — vídeos em primeira pessoa



