Gabriel Bá assina, ao lado do irmão gêmeo Fábio Moon, algumas das histórias em quadrinhos brasileiras mais premiadas das últimas décadas. Nascido em São Paulo em 5 de junho de 1976, ele ficou conhecido pela arte de The Umbrella Academy, série criada com Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance, e adaptada pela Netflix, além de obras autorais como Daytripper, Dois Irmãos e o fanzine 10 Pãezinhos. Quem procura por Gabriel Bá costuma chegar por um destes caminhos: a curiosidade sobre os gêmeos que levaram os quadrinhos brasileiros ao mercado americano, a busca pelas edições em português de suas HQs ou o interesse pela série de televisão. As seções abaixo reúnem trajetória, obras, prêmios e canais oficiais do artista.
Quem é Gabriel Bá
Gabriel Bá começou a publicar quadrinhos por conta própria no início dos anos 1990, antes de qualquer contrato com editora. Em 1993, ainda adolescente, lançou com o irmão os primeiros fanzines; em 1997, a dupla criou o 10 Pãezinhos, publicação independente que chegou a 40 números e chamou a atenção da crítica. A formação em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) veio em paralelo à prática de desenhar, diagramar e distribuir as próprias histórias, o que deu aos dois domínio de todas as etapas de uma HQ.
O primeiro livro da série, O Girassol e a Lua, saiu em 2000 pela Via Lettera e abriu caminho para volumes como Meu Coração, Não Sei Por Quê (2001), Crítica (2004), Mesa para Dois (2006) e Fanzine (2007). No fim dos anos 1990, o trabalho dos dois chamou atenção fora do Brasil: em 1999 eles publicaram a minissérie Roland nos Estados Unidos, primeiro passo de uma carreira que passaria por Dark Horse, Image Comics e DC Comics.
Como começou a parceria com Fábio Moon
Gabriel e Fábio são gêmeos e trabalham juntos desde a adolescência. A rotina de criar em dupla virou marca: os irmãos dividem roteiro e desenho na maior parte das obras, assinam juntos os projetos e mantêm um blog oficial em que registram lançamentos, viagens e o dia a dia de estúdio. Dessa parceria saíram o fanzine 10 Pãezinhos, as revistas independentes Rock'n'Roll, Um Dia, Uma Noite e 5 e a antologia de terror PIXU, feita com Becky Cloonan e Vasilis Lolos.
As obras em dupla também renderam os principais prêmios da carreira. A antologia 5 venceu o Prêmio Eisner de melhor antologia em 2008, ano em que a dupla se tornou a primeira brasileira a ganhar o chamado Oscar dos quadrinhos. Em 2011, a minissérie Daytripper levou o Eisner de melhor série limitada e o Harvey de melhor história em edição única. Em 2016, a adaptação de Dois Irmãos conquistou o Eisner de melhor adaptação de outro meio e o Harvey de melhor edição americana de material estrangeiro.
Quais obras levaram Gabriel Bá ao mercado internacional
A entrada definitiva no mercado americano veio com Casanova, série de espionagem e ficção científica escrita por Matt Fraction para a Image Comics, publicada a partir de 2006. Gabriel Bá desenhou as primeiras edições e depois passou o traço para o irmão. No ano seguinte, assumiu a arte de The Umbrella Academy: Apocalypse Suite, criação de Gerard Way publicada pela Dark Horse, que apresentou ao público uma família disfuncional de irmãos superpoderosos.
Em 2009, os irmãos desenharam B.P.R.D.: 1947, minissérie do universo de Hellboy escrita por Mike Mignola e Joshua Dysart. O passo seguinte foi Daytripper (2010), minissérie em dez edições publicada pelo selo Vertigo, da DC Comics, com roteiro e arte dos dois irmãos e cores de Dave Stewart. A história acompanha Brás de Oliva Domingos, filho de um escritor famoso que escreve obituários, e cada capítulo termina com a morte do protagonista em um momento diferente da vida.
Em 2015, a dupla adaptou para os quadrinhos o romance Dois Irmãos, de Milton Hatoum, publicado no Brasil pelo selo Quadrinhos na Cia e nos Estados Unidos pela Dark Horse. No ano seguinte, veio a adaptação do conto Como Falar com Garotas em Festas, de Neil Gaiman, lançada no Brasil pela Quadrinhos na Cia em 2017.
O que The Umbrella Academy representa na carreira
A série criada por Gerard Way com arte de Gabriel Bá virou fenômeno para além das bancas: em 2019, a Dark Horse e a Netflix levaram a história para a televisão, com Bá creditado como produtor executivo. Em 2025, a dupla voltou à série com The Umbrella Academy: Plan B, quarto volume da saga, que deu sequência aos acontecimentos de Hotel Oblivion e colocou os irmãos Umbrella frente a frente com a Academia Sparrow.
O reconhecimento também chegou ao circuito das artes: uma prancha de Umbrella Academy, com a personagem Vanya Hargreeves, integrou a exposição coletiva Musical Bodies, no Metropolitan Museum of Art (MET), em Nova York.
Quais prêmios Gabriel Bá já ganhou
- Prêmio Eisner de melhor antologia por 5 e de melhor quadrinho digital por Sugarshock (2008);
- Prêmio Harvey de melhor nova série por The Umbrella Academy e Scream Award de melhor artista de quadrinhos (2008);
- Prêmio Jabuti de melhor livro didático e paradidático por O Alienista, adaptação de Machado de Assis feita com Fábio Moon (2008);
- Prêmio Eisner de melhor série limitada e Prêmio Harvey de melhor história em edição única por Daytripper (2011);
- Prêmio Eisner de melhor adaptação de outro meio e Prêmio Harvey de melhor edição americana de material estrangeiro por Dois Irmãos (2016);
- Diversos Troféus HQ Mix e Prêmios Angelo Agostini ao longo da carreira.
Onde acompanhar o trabalho de Gabriel Bá
Gabriel Bá mantém presença ativa nas redes: no Instagram, onde publica desenhos e anúncios de projetos para dezenas de milhares de seguidores; no X (antigo Twitter) e no Facebook, onde divide novidades de lançamentos. O blog oficial, mantido com Fábio Moon desde os anos 2000, funciona como diário público da dupla, e o canal dos 10 Pãezinhos no YouTube guarda vídeos e registros antigos.
Para quem quer ler as obras em português, as edições circulam em livrarias e lojas online. A série Umbrella Academy foi publicada no Brasil pela Devir; Casanova ganhou edição da Panini; e Dois Irmãos, O Alienista e Como Falar com Garotas em Festas saíram pela Quadrinhos na Cia. A obra do artista também aparece em páginas de literatura e de autores que adaptam clássicos para os quadrinhos.




