Fábio Moon é um quadrinista brasileiro nascido em São Paulo em 5 de junho de 1976, cidade onde vive e trabalha. Ao lado do irmão gêmeo Gabriel Bá, construiu uma das carreiras mais premiadas dos quadrinhos nacionais: a dupla venceu o Prêmio Eisner com a antologia 5, em 2008, com a minissérie Daytripper, em 2011, e com a graphic novel Dois Irmãos, em 2016. Em setembro de 2026, Moon assinou a arte de Archie nº 1, publicação da editora americana Oni Press com roteiro de Ben H. Winters, prova de que a produção iniciada nos fanzines dos anos 1990 segue em circulação internacional.
Quem chega até Fábio Moon costuma vir por uma dessas portas: a lembrança de Daytripper, a parceria criativa com Gabriel Bá, as adaptações de clássicos da literatura brasileira, o trabalho como professor de quadrinhos ou a curiosidade sobre o que um autor premiado no exterior faz hoje. As seções abaixo reúnem a trajetória, as obras, os prêmios e os canais oficiais de quem transformou o desenho de histórias em uma carreira que atravessa selos independentes, grandes editoras americanas e a sala de aula.
Quem é Fábio Moon
Antes de virar nome conhecido nas prateleiras de quadrinhos, Moon foi um dos dois irmãos que passaram a produzir HQs por conta própria. Formados em artes plásticas, ele e o gêmeo Gabriel Bá começaram a publicar no começo dos anos 1990 e transformaram o fanzine 10 Pãezinhos, surgido em 1997, em uma série independente que chegou a 40 números e chamou a atenção de leitores e crítica. O primeiro volume em formato de livro, O Girassol e a Lua, saiu em 2000 pela Via Lettera, abrindo caminho para Meu Coração, Não Sei Por Quê, Crítica e Mesa para Dois, lançados depois pela Devir.
Nesse período, a dupla acumulou prêmios no Brasil, entre Troféus HQ Mix e Prêmios Angelo Agostini, e montou um repertório que mistura drama intimista, humor, adaptação literária e histórias fantásticas. A rotina de trabalho em dupla virou marca: os irmãos assinam juntos a maior parte das obras, dividem roteiro e desenho e mantêm um blog oficial em que registram projetos, viagens e o dia a dia de estúdio.
Formação e primeiros trabalhos
O aprendizado veio da prática e do estudo formal em artes plásticas, sem passagem por escolas de quadrinhos. Fábio e Gabriel aprenderam desenhando, publicando e ouvindo o retorno dos leitores do fanzine, experiência que os levou a dominar todas as etapas de uma HQ, do roteiro à arte-final. Essa autonomia técnica explica a variedade da produção: eles transitam com a mesma naturalidade por histórias curtas de observação cotidiana e por séries de aventura publicadas no mercado americano.
Como começou a parceria com Gabriel Bá
Fábio e Gabriel são gêmeos idênticos, nascidos no mesmo dia e criados na mesma casa em São Paulo. A parceria começou cedo, em publicações feitas à mão e depois no fanzine 10 Pãezinhos, que deu nome ao selo independente dos dois. Em 2007, criaram juntos a quadrinização de O Alienista, de Machado de Assis, e em 2015 lançaram Dois Irmãos, adaptação do romance de Milton Hatoum publicada pela Quadrinhos na Cia, obra que rendeu à dupla o Eisner de melhor adaptação, o Prêmio Harvey e o Troféu HQ Mix.
Os irmãos também dividiram projetos com outros autores brasileiros, como a antologia 5, feita com Becky Cloonan, Vasilis Lolos e Rafael Grampá, e a história de terror PIXU, criada em parceria com Cloonan e Lolos. Em entrevistas e participações em eventos literários, costumam ser apresentados como os gêmeos que ajudaram a reposicionar a HQ brasileira no circuito do livro, trânsito que inclui feiras internacionais, bienais e festas literárias.
Daytripper, Casanova e a carreira internacional
A entrada no mercado americano veio em 1999, com a minissérie Roland, e ganhou força na década seguinte. De:Tales (2006) foi eleito um dos dez melhores romances gráficos do ano pela Booklist e indicado ao Eisner; Casanova, série escrita por Matt Fraction para a Image Comics, passou a ser desenhada por Moon em 2007; e Daytripper, minissérie em dez edições publicada pela Vertigo em 2010, tornou-se sua obra mais celebrada, com roteiro e arte assinados pelos dois irmãos e cores de Dave Stewart.
Antes de Daytripper, Moon e Bá já haviam desenhado arcos de B.P.R.D. e outras histórias do universo de Mike Mignola, além de contribuírem para antologias da Dark Horse. Essas passagens por grandes editoras consolidaram a reputação do brasileiro como desenhista versátil, capaz de alternar entre o drama cotidiano e a fantasia sombria.
O que faz Daytripper singular
A minissérie acompanha Brás de Oliva Domingos, filho de um escritor famoso que trabalha escrevendo obituários. Cada capítulo termina com a morte do protagonista em um momento diferente da vida, e a história recomeça dali para investigar o que teria valido a pena em cada existência possível. A estrutura fragmentada e o tom melancólico fizeram a obra circular fora do público tradicional de quadrinhos, com leitura frequente em clubes de livro e cursos de literatura.
O Alienista, Dois Irmãos e as adaptações literárias
As adaptações se tornaram uma marca da dupla. Em O Alienista, publicado em 2007 na coleção Grandes Clássicos em Graphic Novel, Moon e Bá traduziram para a linguagem dos quadrinhos o conto de Machado de Assis sobre o médico que interna meia cidade em nome da ciência, trabalho vencedor do Prêmio Jabuti em 2008 e reeditado pela Quadrinhos na Cia em 2022.
Oito anos depois, o alvo foi Dois Irmãos, romance de Milton Hatoum sobre gêmeos rivais em Manaus. A versão em quadrinhos, lançada pela Quadrinhos na Cia em 2015 e pela Dark Horse nos Estados Unidos, venceu o Eisner de melhor adaptação de outro meio e o Harvey de melhor edição americana de material estrangeiro em 2016. O projeto aparece detalhado na página de Dois Irmãos.
Entre um clássico e outro, a dupla adaptou o conto Como Falar com Garotas em Festas, de Neil Gaiman, lançado no Brasil pela Quadrinhos na Cia em 2017, e seguiu colaborando com editoras brasileiras em edições comemorativas e reedições de sua própria obra.
Quais prêmios Fábio Moon já ganhou
- Prêmio Eisner de melhor antologia por 5 (2008);
- Prêmio Jabuti por O Alienista (2008);
- Prêmio Eisner de melhor série limitada por Daytripper (2011);
- Prêmio Harvey de melhor história em edição única por Daytripper (2011);
- Prêmio Eisner de melhor adaptação de outro meio e Prêmio Harvey de melhor edição americana de material estrangeiro por Dois Irmãos (2016);
- Diversos Troféus HQ Mix e Prêmios Angelo Agostini ao longo da carreira.
O que Fábio Moon faz hoje
Em 2026, Moon assinou a arte de Archie nº 1, nova fase do personagem publicada pela Oni Press com roteiro de Ben H. Winters e cores de Jason Wordie. No mesmo ano, a DC lançou a edição Absolute de Daytripper, formato de luxo que reúne a minissérie completa em um só volume. Pelas redes e pela newsletter Fábio's Moon Base, no Substack, o quadrinista compartilha desenhos diários, o processo criativo e reflexões sobre o ofício.
Ele também mantém atividade como professor: em 2024, ministrou o Laboratório de Produção de Quadrinhos na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo, curso de longa duração voltado a quem quer desenvolver histórias próprias. No mesmo período, a dupla com Gabriel Bá integrou a programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), reforçando o trânsito dos quadrinhos brasileiros pelo circuito literário.
Onde acompanhar o trabalho de Fábio Moon
O blog oficial, mantido com Gabriel Bá, funciona como diário público da dupla desde os anos 2000. No Instagram, Moon publica desenhos e anúncios de projetos para dezenas de milhares de seguidores; a newsletter Fábio's Moon Base reúne textos e arte inédita; e o canal no YouTube dos 10 Pãezinhos guarda vídeos e registros antigos. Para ler as obras em português, as edições circulam em livrarias e lojas online, com destaque para Daytripper (Panini), O Alienista e Como Falar com Garotas em Festas (Quadrinhos na Cia) e os volumes da série 10 Pãezinhos (Devir).






