Antes de Daytripper e das adaptações de clássicos, Fábio Moon e Gabriel Bá já tinham uma obra em andamento que funcionava como laboratório: a série 10 Pãezinhos, iniciada como fanzine nos anos 1990. Mesa para Dois, lançado pela Devir em 2006, reúne histórias curtas escritas e desenhadas pelos dois irmãos, com personagens que se encontram, se despedem e se observam em situações cotidianas.
O que o volume reúne
São narrativas breves, cada uma com começo e fim, unidas pelo mesmo olhar atento ao detalhe doméstico. Os autores usam poucos elementos por página, silêncios e elipses para contar histórias sobre afeto, distância e o que não é dito. Para quem acompanha a carreira da dupla, o volume mostra o amadurecimento da linguagem que mais tarde apareceria em obras maiores, com planos mais longos e uma atenção incomum ao tempo entre um quadro e outro.
Um selo, uma geração
O nome 10 Pãezinhos virou marca da produção independente dos irmãos no Brasil e batizou também o blog oficial dos dois. O fanzine que deu origem à série chegou a 40 números, e a passagem para o formato livro começou em 2000, com O Girassol e a Lua, pela Via Lettera, seguido por Meu Coração, Não Sei Por Quê. A Devir publicou os volumes seguintes, entre eles Crítica, de 2004, Mesa para Dois, de 2006, e FANZINE, de 2007.
A edição fez parte de uma leva de quadrinhos brasileiros que circulou com força nas livrarias no começo dos anos 2000, quando autores nacionais passaram a publicar livros autorais em vez de depender apenas de revistas. A série acumulou Troféus HQ Mix, incluindo o de melhor edição especial nacional, um dos principais prêmios de quadrinhos do país, e ajudou a fixar o nome dos dois irmãos antes do salto internacional.
Para quem é
Leitores que gostam de contos, de quadrinhos de observação e de autores que constroem personagens com poucos traços encontram em Mesa para Dois uma leitura direta, sem enredos complicados. É também um retrato útil de uma fase da carreira dos dois: histórias curtas de formação, que explicam de onde vêm o ritmo e o humor que depois apareceriam em adaptações literárias e séries internacionais.
O volume tem 56 páginas e funciona como edição única, sem exigir a leitura dos outros títulos da série. Para quem já conhece os trabalhos maiores dos irmãos, é uma forma de voltar ao começo e ver os primeiros ensaios do estilo que os consagraria; para quem nunca leu nada deles, apresenta dois autores brasileiros que construíram uma carreira sólida sem abrir mão do controle sobre as próprias histórias.





