Dois garotos entram em uma festa em busca de música e conhecem garotas que parecem fora de lugar. Aos poucos, o que parecia apenas uma noite comum se revela um encontro entre mundos, quando as jovens começam a falar de viagens e lugares impossíveis. O conto de Neil Gaiman, Como Falar com Garotas em Festas, ganhou versão em quadrinhos pelas mãos de Fábio Moon e Gabriel Bá, publicada no Brasil pela Quadrinhos na Cia em 2017.
A história em outro ritmo
A adaptação mantém a estrutura do conto, com dois narradores que reconstroem a mesma noite, e usa a arte para separar as duas camadas da história: a festa suburbana, comum e um pouco entediante, e o universo vasto que as convidadas descrevem em conversas aparentemente banais. Moon e Bá exploram planos largos, cores quentes e composições que deixam o leitor desconfortável justamente quando entende o que está acontecendo.
Como o conto de Neil Gaiman virou quadrinhos
Gaiman é um dos autores mais adaptados do mundo, com obras que já viraram filmes, séries e graphic novels. O conto original saiu em 2006, na coletânea Fragile Things, e dez anos depois ganhou duas versões: a graphic novel dos irmãos brasileiros, publicada pela Dark Horse em 2016, e um filme dirigido por John Cameron Mitchell, lançado em 2017 com Elle Fanning e Nicole Kidman no elenco.
No quadrinho, Moon e Bá não se limitaram a ilustrar: assumiram a adaptação do texto para a linguagem visual, escolhendo o que manter no narrador e o que virar cena desenhada. O livro chegou ao mercado brasileiro em 2017, pela Quadrinhos na Cia, com 80 páginas, e virou uma das rotas de entrada no trabalho dos dois para quem prefere começar por uma história curta.
Para quem é
É uma leitura curta, indicada para fãs de Gaiman, para quem gosta de fantasia com clima realista e para leitores que querem conhecer o trabalho dos irmãos em uma obra que mistura humor, estranhamento e coming of age. Serve também como contraponto mais leve a Daytripper e como exemplo de adaptação que respeita o original sem repetir suas soluções.
Na trajetória da dupla, o título chegou logo depois de Dois Irmãos e marcou a consolidação da parceria com a Dark Horse em adaptações literárias, caminho que os dois mantiveram em outros projetos. Quem deseja entender essa frente do trabalho de Fábio Moon encontra aqui uma amostra de como ele lê um texto de ficção e o converte em cenas.





