Em um prédio de apartamentos, cinco inquilinos solitários descobrem uma marca escura rabiscada na parede. A princípio, parece um detalhe qualquer; depois, o sinal se espalha, as paredes parecem ganhar vida e cada morador passa a enxergar a vizinhança de outra forma. PIXU é uma história de terror urbano criada a quatro mãos por Fábio Moon, Gabriel Bá, Becky Cloonan e Vasilis Lolos, publicada no Brasil pela Devir.
Quatro autores, uma história
O projeto nasceu como publicação independente em dois volumes, feita pelos próprios autores em 2008, e depois recebeu edição em capa dura pela Dark Horse, editora americana responsável pela circulação da obra em inglês, em 2009, sob o subtítulo The Mark of Evil. Cada quadrinista conduz parte da narrativa, mantendo o desenho reconhecível e o mesmo cenário opressivo, o que transforma a leitura em um exercício de alternância entre estilos diferentes. O medo não vem de monstros explícitos, e sim da perda de controle sobre o próprio ambiente.
São 128 páginas na edição brasileira da Devir, que leva ao leitor de português um dos títulos responsáveis por aproximar a dupla brasileira de nomes internacionais da mesma geração. Cloonan e Lolos já tinham obras publicadas no mercado americano, e a colaboração circulou em feiras e convenções, ajudando a consolidar a presença dos quatro autores em catálogos de terror e fantasia.
O que a obra explora
O roteiro trabalha isolamento urbano, vizinhança anônima e a sensação de que um lugar pode se voltar contra quem mora nele. As cores e a composição variam conforme o capítulo, criando uma progressão que vai do realista ao perturbador. É um título de terror para leitores que preferem tensão psicológica a sustos gráficos, com estrutura episódica que pode ser lida como conjunto ou por partes.
Papel na carreira dos autores
Para quem acompanha a trajetória de Moon e Bá, PIXU registra o momento em que a dupla brasileira passou a colaborar de igual para igual com autores internacionais de sua geração, caso de Cloonan e Lolos, e a circular nos catálogos de terror da Dark Horse. A edição brasileira preserva a obra completa e permite ler em português um dos títulos mais cultuados dessa parceria entre criadores.
O livro também é uma opção para quem procura quadrinhos de terror sem super-heróis e sem séries longas: é uma história fechada, com começo, meio e fim, publicada em volume único. Para leitores que conhecem Moon por Daytripper, representa o outro lado do repertório dos irmãos, mais próximo do horror e da experimentação gráfica.





