No Maracanã, em 5 de agosto de 2016, Gisele Bündchen atravessou a passarela mais longa da própria carreira ao som de “Garota de Ipanema”. Era a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio — e, na prática, o último desfile público da modelo. Quem busca o nome hoje raramente quer só uma lista de campanhas: quer entender como a menina de Horizontina virou referência mundial de moda, negócios e causa ambiental.
A tensão que envolve a figura pública dela é essa distância entre a imagem e a pessoa. Durante anos a indústria a chamou de The Body, depois que Alexander McQueen a escolheu em Londres, em 1998, sob chuva artificial. A mesma mulher escreveu, duas décadas depois, que a modelo da passarela era “ela” — um personagem de trabalho — e que a Gisele de Horizontina nunca se reconheceu inteira naquela fantasia.
Quem é Gisele Bündchen além da passarela
Gisele Caroline Bündchen nasceu em 20 de julho de 1980, em Horizontina, no interior do Rio Grande do Sul, filha de Vânia Nonnenmacher e Valdir Bündchen, em uma família de seis irmãs e ascendência alemã. Na infância, o plano era outro: vôlei profissional ou veterinária. A entrada na moda veio por insistência da mãe, preocupada com a postura da filha alta, que a matriculou em um curso de modelo com irmãs.
Aos 14 anos, em uma excursão a São Paulo, um olheiro da Elite Model Management a abordou em um shopping. Ficou em segundo lugar no Elite Look of the Year nacional e foi à etapa mundial em Ibiza. Mudou-se para São Paulo ainda adolescente e, em 1996, chegou à Fashion Week de Nova York. A virada internacional veio com McQueen e, em seguida, com capas da Vogue americana. Em 1999, a revista associou o nome dela ao retorno da modelo sexy, um recorte que a indústria usou para marcar o fim da era heroin chic.
Quem pesquisa Gisele no universo da moda encontra uma carreira de volume raro: mais de mil capas, centenas de campanhas e desfiles para Dolce & Gabbana, Versace, Ralph Lauren, Chanel, Givenchy, Louis Vuitton e outras casas. De 2000 a 2007, foi um dos Anjos da Victoria's Secret. Em 2009, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente a nomeou Embaixadora da Boa Vontade. Em 2012, a Forbes a colocou no topo da lista de modelos mais bem pagas.
- Origem: Horizontina, Rio Grande do Sul, 1980.
- Descoberta: Elite Model Management, em São Paulo, na adolescência.
- Virada internacional: desfile de Alexander McQueen em Londres, 1998.
- Último desfile: abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
- Livros em português: Aprendizados (2018) e Nutrir (2024).
Como a carreira de modelo virou negócio
Gisele nunca tratou a passarela como único ofício. Aos 18 anos já falava em imóveis e contratos; a modelagem, segundo ela, era só parte do trabalho. No Brasil, o vínculo com a Grendene nas sandálias Ipanema Gisele Bündchen virou um dos endossos mais visíveis da carreira. Campanhas para C&A, Hope, Pantene, Arezzo, Under Armour, Banco do Brasil e Oral-B mostraram a mesma lógica: o nome dela move produto, do xampu à costura.
Houve também tentativas de marca própria. Em 2010 lançou a linha de cuidados com a pele Sejaa Pure Skincare. Manteve a linha de lingerie Gisele Bündchen Intimates, associada à Hope. Nada disso substitui o núcleo da autoridade: a imagem construída na moda internacional e a capacidade de converter visibilidade em contrato. Quando deixou a Victoria's Secret, em 2007, o mercado acompanhou o recuo como um evento financeiro, não só editorial.
O cinema entrou como desvio curto. Fez papel em Taxi (2004) e em O Diabo Veste Prada (2006). Em 2014 gravou uma versão de “Heart of Glass”, do Blondie, com Bob Sinclar, para uma campanha da H&M. São frentes laterais, úteis para entender o alcance, mas não o centro da busca.
Ativismo ambiental e a embaixada no PNUMA
Em setembro de 2009, em Nova York, o PNUMA a designou Embaixadora da Boa Vontade. O recorte público da nomeação foi climático: conscientizar e inspirar ação em temas ambientais. Ela passou a aparecer em campanhas e discursos ligados a energia, oceanos e conservação, e criou em 2007 a Luz Foundation, voltada a causas sociais e ambientais. Os lucros declarados de Aprendizados foram associados a essa fundação e ao Projeto Água Limpa.
Essa frente importa porque muda o motivo da busca. Muita gente chega pelo glamour e permanece pelo contraste: a supermodelo que fala de água, floresta e rotina longe do estúdio. O site oficial, giselebundchen.com, reforça essa identidade híbrida — bio, causas e presença institucional, não só lookbook.
Livros, família e a vida pública depois da passarela
Em 2018 saiu Aprendizados: Minha caminhada para uma vida com mais significado, pela BestSeller, no catálogo da Record. Não é um álbum de desfile. Gisele organiza a trajetória em oito lições — disciplina, relacionamentos, natureza, corpo, autoconhecimento — e escreve sobre ansiedade, ioga, meditação e a distância entre a imagem e a vida privada. No recorte de desenvolvimento pessoal, o livro funciona como a primeira vez em que ela controla o próprio relato.
Em 2024 veio Nutrir: Receitas simples para corpo e alma, também pela BestSeller: cem receitas, alimentação do dia a dia, rotina com filhos e a tese de que bem-estar começa na comida. Quem busca Gisele por culinária e autocuidado cai nesse segundo volume, distinto da autobiografia.
Entre 2009 e 2022 foi casada com o jogador de futebol americano Tom Brady, com quem teve dois filhos. Em dezembro de 2025, registros públicos na Flórida apontaram casamento com o instrutor de jiu-jitsu Joaquim Valente. A vida afetiva aparece na cobertura internacional, mas o que sustenta a página é a obra pública: moda, contratos, livros e a embaixada ambiental.
Por que o nome ainda é buscado
Gisele Bündchen interessa a quem quer um retrato de autoridade brasileira no mercado global da moda, a quem lê autobiografia de celebridade com viés de rotina e a quem acompanha o trânsito entre passarela, marca e causa. A pergunta útil não é se ela ainda desfila. É como uma carreira construída sobre imagem conseguiu sobreviver ao último desfile — e o que restou quando a personagem da passarela saiu de cena.
Perguntas frequentes
Onde Gisele Bündchen nasceu? Em Horizontina, Rio Grande do Sul, em 20 de julho de 1980.
Qual foi o último desfile? A abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Maracanã.
Quais livros ela publicou em português? Aprendizados (2018) e Nutrir (2024), ambos pela BestSeller.
Qual o papel ambiental? Embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente desde 2009.



