José Roberto Torero é um escritor brasileiro que fez do humor um método de pesquisa histórica. Seu nome ganhou projeção nacional com Galantes Memórias e Admiráveis Aventuras do Virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça, romance que venceu o Prêmio Jabuti nas categorias romance e livro do ano e transformou o secretário particular de D. Pedro I em narrador de um Império em formação. Da corte do século XIX ao futebol, da literatura infantil ao roteiro de cinema, Torero construiu uma trajetória em que erudição e piada andam juntas.
Quem chega ao nome dele por caminhos diferentes encontra sempre a mesma marca: o gosto pela paródia, pelo pastiche e pela mistura de formatos. Torero é autor de mais de 60 livros, foi colunista de Esportes da Folha de S.Paulo por 14 anos, assinou roteiros de filmes como Pequeno Dicionário Amoroso e Memórias Póstumas e ajudou a levar para a televisão quadros marcantes do Fantástico. Também é um dos sócios da editora independente Padaria de Livros, criada em 2019.
Quem é José Roberto Torero
José Roberto Torero Fernandes Júnior nasceu em Santos, no litoral paulista, em 9 de outubro de 1963. Formou-se em Letras e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e cursou pós-graduação em Cinema e Roteiro, sem concluir. A combinação entre formação em letras, redação jornalística e linguagem audiovisual aparece em toda a sua produção: ele escreve ficção com apuro de pesquisador, crônica com ritmo de roteirista e roteiro com liberdade de quem gosta de brincar com gêneros.
Na bio que assina no Instagram, Torero se apresenta como "escritor, roteirista e médio-volante". A piada com o futebol não é acidente de percurso: o esporte é assunto recorrente em sua obra e um dos fios que ligam públicos diferentes, do leitor de romance ao torcedor que acompanha a crônica esportiva.
Formação, imprensa e crônica de futebol
A carreira na imprensa começou em 1995, no Jornal da Tarde, como cronista. Depois vieram textos sobre futebol para a revista Placar e, entre 1998 e 2012, a coluna de Esportes da Folha de S.Paulo. Parte dessa produção foi reunida no livro Os Cabeças-de-bagre Também Merecem o Paraíso, de 2001, que firmou seu nome entre leitores que não necessariamente acompanhavam ficção.
Nesse período, Torero escreveu sobre futebol sem tratar o assunto como anexo da literatura. A crônica esportiva funciona em sua trajetória como laboratório de voz: frases curtas, ironia, observação de costumes e uma capacidade de transformar a arquibancada em matéria de reflexão sobre o país.
O Chalaça e a virada com o Prêmio Jabuti
O romance que mudou a escala de sua carreira conta as supostas memórias de Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, secretário fiel de D. Pedro I. Misturando documento e invenção, Torero reconstitui o nascimento do Império brasileiro pela voz de quem circulava nos bastidores do poder. O livro rendeu o Prêmio Nascente, da Editora Abril com a USP, o Prêmio Aplub de romance e, em 1995, o Prêmio Jabuti nas categorias romance e livro do ano.
A obra ganhou novas edições ao longo das décadas. Em 2025, a Padaria de Livros publicou uma edição comemorativa de 30 anos, revista e editada, sinal de que o texto continua encontrando leitores.
Terra Papagalli e a parceria com Marcus Aurelius Pimenta
Dois anos depois de O Chalaça, Torero lançou com Marcus Aurelius Pimenta um dos títulos mais duradouros da dupla: Terra Papagalli, paródia bem-humorada da vida de Cosme Fernandes, o Bacharel da Cananéia, um dos degredados que chegaram ao Brasil nos primeiros anos do descobrimento. O romance recria as primeiras décadas da colonização até a Guerra de Iguape, em linguagem inspirada no século XVI, com diários de navegação, verbetes e mandamentos para viver bem na Terra dos Papagaios.
A parceria com Pimenta, iniciada quando os dois trabalhavam como revisores de uma revista do setor químico, já passa de três décadas e de 30 títulos. Juntos, assinam desde recontos infantis até obras de humor adulto, com uma divisão de trabalho constante: cada um escreve e revisa o outro.
Cinema, televisão e teatro
No audiovisual, Torero assinou roteiros de longas como Pequeno Dicionário Amoroso, Memórias Póstumas, Pelé Eterno e O Contador de Histórias, além de dirigir o filme Como Fazer um Filme de Amor e curtas-metragens. Na televisão, escreveu o quadro Retrato Falado, do Fantástico, estrelado por Denise Fraga, e Manual de Instruções, com Pedro Cardoso, além do programa Professor Planeta, da ESPN Brasil.
Também apresentou o programa Cantos Gerais, no Canal Brasil, dirigiu duas temporadas do Super Libris, do SescTV, e escreveu peças como Sic Transit Gloria Dei e Romeu e Julieta — Segunda Parte. Em outubro de 2023, esteve em escolas para rodas de conversa com estudantes sobre suas obras, atividade que combina com a produção infantojuvenil que mantém com Pimenta.
Literatura infantil e a editora Padaria de Livros
Na literatura infantil, o título mais conhecido da dupla é Chapeuzinhos Coloridos, publicado em 2010 e reeditado em 2023 pela Companhia das Letrinhas. O livro parte de perguntas simples — e se o chapeuzinho não fosse vermelho? e se o Lobo fosse bonzinho? — para multiplicar a história clássica em versões diferentes, estimulando a imaginação das crianças em vez de repetir a moral conhecida. Em 2026, a dupla lançou a continuação Chapeuzinhos Mais Coloridos, com seis novas versões da personagem.
Desde 2019, Torero é um dos sócios da Padaria de Livros, editora independente criada ao lado de Marcus Aurelius Pimenta e do ilustrador Ivo Minkovicius. A casa publica livros produzidos pelos próprios sócios e já reúne dezenas de títulos, incluindo as coleções infantis Eram Mil Vezes e Fábrica de Fábulas.
Prêmios e reconhecimento
A trajetória de Torero acumula prêmios em frentes distintas:
- Prêmio Nascente, da Editora Abril com a USP, com O Chalaça;
- Prêmio Aplub de romance, também com O Chalaça;
- Prêmio Jabuti de romance e livro do ano, em 1995, por O Chalaça;
- Prêmio Paraná de Literatura de 2012, na categoria conto, por Papis et Circenses;
- Finalista do Prêmio Jabuti na categoria crônicas, com Diário do Bolso — Os 100 primeiros dias.
Como acompanhar o trabalho de José Roberto Torero
Torero mantém presença ativa no Instagram, onde publica sobre livros, futebol e o cotidiano da escrita, e reúne seus projetos de financiamento coletivo na plataforma Catarse. Para quem quer conhecer a produção completa, o verbete da Enciclopédia Itaú Cultural lista obras, peças e eventos ligados ao autor, e o perfil no IMDb detalha sua filmografia como roteirista e diretor.
Quem quiser continuar navegando por autores de perfil parecido pode consultar a página de escritores do diretório, que reúne biografias e projetos de outros nomes da literatura brasileira.






