Um diário íntimo escrito por um presidente do Brasil que nunca o escreveu. Essa é a premissa de Diário do Bolso — Os 100 primeiros dias, em que José Roberto Torero assume a voz de Jair Bolsonaro para narrar, em tom de sátira, o início do governo eleito em 2018. O livro acompanha os primeiros cem dias de mandato como um caderno de confidências: dúvidas, versões, piadas, sonhos e pesadelos de um narrador que não tem o menor autocontrole.
A ousadia do projeto está em sustentar uma voz reconhecível ao longo de dezenas de entradas curtas. Torero transforma frases e bordões do universo político em material literário, criando uma crônica de época que dialoga com o noticiário sem abrir mão do ofício de escritor.
Uma série que atravessou o governo
Publicado pela Padaria de Livros, o primeiro volume foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria crônicas. A recepção levou a série adiante: ao longo dos anos seguintes, o diário fictício ganhou novos volumes, acompanhando os desdobramentos do período. Em 2025, o sétimo e último título, Da derrota à cadeia, foi viabilizado por financiamento coletivo no Catarse, com 117 apoiadores e mais de 150% da meta arrecadada.
Esse percurso mostra um dado pouco comum no mercado editorial brasileiro: uma série de sátira política que se manteve viva enquanto os fatos aconteciam. Cada volume funciona sozinho, mas lidos em ordem compõem um painel do período.
Para quem é este livro
O livro interessa a leitores de humor, crônica e política, além de quem acompanha a obra de Torero em suas outras frentes. Não é uma obra de análise política nem um ensaio: é ficção satírica que usa o diário como forma para explorar o absurdo dos acontecimentos.
Quem gosta de O Chalaça reconhece o mesmo autor de narradores pouco confiáveis. Quem chega pela atualidade política encontra uma leitura leve, independente da concordância com o personagem retratado. Para continuar explorando, visite o perfil de José Roberto Torero e os demais projetos publicados no diretório.





