Reeleito senador pelo Amapá em 2026 com 213.948 votos, Lucas Barreto construiu toda a carreira política no estado natal, Macapá, onde nasceu em 1964 e trabalhou como empresário e técnico em eletrônica antes de se eleger deputado estadual. No Senado desde 2019, ele defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial — faixa litorânea que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte — e faz das emendas parlamentares a ferramenta mais visível do mandato: são 41 emendas individuais entre 2023 e 2026, com R$ 226,7 milhões empenhados e R$ 194,3 milhões já pagos, segundo os sistemas de transparência orçamentária da União.
A trajetória explica por que o nome dele aparece tanto nas buscas sobre o Amapá. Lucas Barreto participou da elaboração da Constituição estadual nos anos 1990, presidiu a Assembleia Legislativa, disputou o governo em duas eleições e chegou ao segundo turno em 2010. No Senado, ocupa posições em comissões econômicas e de infraestrutura, integra frentes parlamentares ligadas a energia, navegação e cultura e tem entre os projetos de autoria propostas para criar Zonas de Processamento de Exportação no estado.
Quem é Lucas Barreto
Luiz Cantuária Barreto nasceu em Macapá, em 10 de novembro de 1964, e adotou o nome público Lucas Barreto na vida política. Tem formação técnica em eletricidade, eletrônica e telecomunicações e atuou como empresário antes de se dedicar ao mandato. Filiado ao PSD desde janeiro de 2019, já passou por PDT, PFL, PTB e Democratas ao longo de quase três décadas de vida pública. O mandato no Senado combina a apresentação de projetos próprios com a destinação de emendas e a atuação em comissões e frentes parlamentares, um perfil que conecta Brasília às demandas de municípios como Macapá, Santana e Laranjal do Jari.
Da Assembleia Legislativa ao Senado
Eleito deputado estadual em 1990, Lucas Barreto participou da elaboração da primeira Constituição do Amapá depois da transformação do território em estado, como relator-adjunto e relator da Comissão da Ordem Econômica e Social. Cumpriu quatro mandatos consecutivos na Assembleia, de 1991 a 2006, passou pela Mesa Diretora como segundo-vice-presidente e primeiro-secretário e presidiu a Casa no biênio 2003-2004, além de ter comandado a Comissão de Orçamento e Finanças.
A fase seguinte mistura disputas majoritárias e retorno ao Legislativo. Em 2006, foi candidato a vice-governador na chapa de Papaléo Paes, que terminou em terceiro lugar. Em 2008, concorreu à prefeitura de Macapá pelo PTB e ficou em terceiro. Em 2010, disputou o governo do Amapá e chegou ao segundo turno, quando recebeu 146.383 votos (46,23%) e perdeu para Camilo Capiberibe. Em 2012, elegeu-se vereador de Macapá, mandato que cumpriu de 2013 a 2016, e em 2014 voltou a disputar o governo pelo PSD, terminando em terceiro lugar, com 13,86% dos votos válidos.
O ingresso no Senado veio em 2018, quando foi eleito pelo PTB com 128.186 votos; a outra vaga em disputa ficou com Randolfe Rodrigues. Antes da posse, filiou-se ao PSD, partido pelo qual se reelegeu em 2026.
O que Lucas Barreto defende no Senado
No primeiro mandato, foi eleito vice-presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em fevereiro de 2022, na vaga aberta com a saída de Antonio Anastasia para o Tribunal de Contas da União. Entre os temas que levou ao plenário estão o custo da energia elétrica e a exploração de petróleo.
É de autoria dele o PL 4.881/2023, que altera as leis nº 10.438/2002 e nº 14.182/2021 para destinar recursos à redução das tarifas de energia elétrica praticadas nos estados da Amazônia Legal. O projeto continua em tramitação, e o senador voltou à tribuna em dezembro de 2025 para cobrar explicações sobre os reajustes da conta de luz no Amapá.
Na área de comércio exterior, apresentou dois projetos para criar Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) no estado: o PL 2.913/2023, para a Região Metropolitana de Macapá, e o PL 2.102/2025, para os municípios de Amapá e Calçoene. Também é autor de propostas como a PEC 6/2025, que prevê bônus regional nos processos seletivos de ingresso no ensino superior público como forma de reduzir desigualdades entre as regiões, e o PL 5.020/2026, que tipifica como improbidade administrativa o abuso doloso da função pública com violência, assédio ou discriminação.
No debate sobre servidores públicos, defendeu 18 emendas de sua autoria ao PL 1.466/2025, o projeto de reajuste salarial de servidores federais, com foco nos aposentados e pensionistas dos antigos territórios federais, grupo que inclui o Amapá.
Comissões, frentes e grupos parlamentares
Na legislatura atual, Lucas Barreto é titular da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais concorridas do Senado, e da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que examina o orçamento federal. Também atua como suplente nas comissões de Assuntos Sociais, de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática, de Serviços de Infraestrutura e no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, além de representar o Senado no Parlamento do Mercosul.
O senador é titular de frentes parlamentares que tratam de temas estratégicos para a costa amazônica e para a economia do estado:
- Frente Parlamentar em Defesa da Exploração de Petróleo na Margem Equatorial do Brasil;
- Frente Parlamentar para o Desenvolvimento da Navegação Brasileira;
- Frente Parlamentar da Economia do Mar — Setor Náutico;
- Frente Parlamentar da Cultura;
- Frente Parlamentar em Apoio aos Investimentos Estrangeiros para o Brasil.
Ele também participa de grupos parlamentares de relacionamento do Brasil com a Índia, o Líbano, a Arábia Saudita e a Suíça, e do grupo voltado às relações com os países do BRICS.
Emendas e recursos para o Amapá
A destinação de emendas individuais é uma das marcas do mandato. Entre 2023 e 2026, o senador indicou 41 emendas ao orçamento da União, com R$ 226,7 milhões empenhados e R$ 194,3 milhões pagos até o momento, segundo o Portal da Transparência. A saúde concentra a maior parte: R$ 109,9 milhões, ou 48% do total, seguida de encargos especiais (R$ 101,9 milhões), educação, segurança pública e agricultura.
Sete dessas indicações são transferências especiais, as chamadas “emendas Pix”, modalidade em que o dinheiro vai direto ao ente federado, sem convênio e sem finalidade detalhada no orçamento. A execução cabe ao Poder Executivo — a indicação é do parlamentar, mas o empenho e o pagamento dependem dos ministérios e de convênios com estados e municípios.
Reeleição em 2026
Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Lucas Barreto foi reeleito com 213.948 votos, 24,22% dos votos válidos, garantindo a segunda das duas vagas em disputa pelo Amapá. A primeira ficou com Rayssa Furlan, do Podemos. O segundo mandato tem início previsto para 1º de fevereiro de 2027, com duração até 2035.
Questionamentos e controvérsias públicas
Em setembro de 2025, reportagem do jornal O Globo mostrou que um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o uso de emendas Pix apontou uma indicação do senador que destinou recursos a uma obra em Macapá executada pelo irmão de seu primeiro suplente no Senado. As transferências especiais, criadas para agilizar repasses a estados e municípios, passaram a ser questionadas por órgãos de controle justamente pela dificuldade de rastrear a aplicação do dinheiro. O episódio alimentou o debate público sobre transparência e critérios de fiscalização desse tipo de emenda.
Os principais marcos da trajetória
- 1964: nasce em Macapá, no Amapá.
- 1990: eleito deputado estadual; participa da elaboração da Constituição do Amapá.
- 1991 a 2006: quatro mandatos na Assembleia Legislativa, presidida por ele em 2003 e 2004.
- 2010: chega ao segundo turno na disputa pelo governo do Amapá, com 46,23% dos votos.
- 2013 a 2016: vereador de Macapá.
- 2018: eleito senador pelo Amapá com 128.186 votos.
- 2022: eleito vice-presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.
- 2026: reeleito senador com 213.948 votos.
Para acompanhar outras autoridades que atuam no mesmo campo, veja os perfis reunidos na tag política. O perfil oficial no Senado Federal reúne proposições, relatorias e votações do mandato.




