Imagem de capa do perfil de Peter Pál Pelbart
Foto de perfil de Peter Pál Pelbart

Peter Pál Pelbart

Nascimento: 1956 São Paulo, SP
Ver projetos (2)
Nascido em Budapeste em 1956, dá aula de filosofia na PUC-SP, traduziu Deleuze e coedita a n-1 edições.

Peter Pál Pelbart nasceu em Budapeste, em 1956, e é em São Paulo que o nome dele virou um endereço concreto: o professor da PUC-SP que traduziu Gilles Deleuze para o português e, fora da sala de aula, coordena a Companhia Teatral Ueinzz, feita com pacientes do hospital-dia A Casa.

Quem procura esse nome quase nunca quer um verbete seco de filósofo. Quer entender como a mesma pessoa atravessa a tese sobre o tempo em Deleuze, os ensaios de biopolítica, a editora n-1 e um teatro ligado a um serviço de saúde mental. É esse cruzamento, e não um cargo isolado, que sustenta a procura.

De Budapeste à cátedra em São Paulo

O registro público fixa o nascimento em Budapeste, em 1956. As biografias institucionais não cravam dia e mês. A cidadania associada ao nome é dupla, brasileira e húngara, e a cidade em que ele vive e trabalha, nas fichas da editora e da universidade, é São Paulo.

A formação que a Wikipédia, a n-1 edições e a editora Cobogó repetem começa na Universidade Paris IV, a Sorbonne, com graduação em Filosofia em 1983. O mestrado é da PUC-SP, em 1988: Da clausura do fora ao fora da clausura: loucura e desrazão, orientada por Jeanne Marie Gagnebin. O doutorado é da USP, em 1996: O tempo não-reconciliado: imagens de tempo em Deleuze, sob orientação de Bento Prado Júnior. Em 2000, a livre-docência na PUC-SP fecha o ciclo que essas páginas listam.

Ele é professor titular no Departamento de Filosofia da PUC-SP e também no Núcleo de Estudos da Subjetividade, da pós-graduação em Psicologia Clínica da mesma universidade. O perfil do Instituto de Estudos Avançados da USP, publicado em 2014, ainda o registra como bolsista de produtividade do CNPq, com um recorte estável: filosofia contemporânea, Deleuze, Foucault, tempo, loucura, subjetividade e biopolítica. Essa ficha tem mais de uma década e não deve ser lida como um contracheque atual.

Tempo, loucura e biopolítica

O eixo não é um tema de estação. Os livros voltam, com vocabulário próprio, a três perguntas que já estão nos títulos: o que o tempo faz com o pensamento, o que a loucura faz com a filosofia e o que acontece quando o poder passa a administrar a vida.

A tese publicada como O tempo não-reconciliado, pela Perspectiva, em 1998, toma a imagem do tempo em Gilles Deleuze. Antes disso, Da clausura do fora ao fora da clausura saiu pela Brasiliense em 1989, a partir do mestrado, e A nau do tempo-rei, pela Imago, em 1993, leva os ensaios para a vizinhança da esquizofrenia aberta por Deleuze e Félix Guattari. A vertigem por um fio, Iluminuras, 2000, e Vida capital, Iluminuras, 2003, deslocam o foco para a subjetividade contemporânea e para a biopolítica. A biopolítica, no uso que essas obras fazem do termo de Michel Foucault, não é um slogan: é o nome de um poder que investe o corpo, a conduta e a vida, e não só a lei.

A tradução entra no mesmo mapa. A biografia usada pela n-1 registra que ele traduziu para o português Conversações, Crítica e clínica e parte de Mil platôs, publicados pela Editora 34. Não é um prefácio ocasional. É o trabalho que coloca o leitor brasileiro diante de Deleuze sem depender só de citações de segunda mão.

A Companhia Teatral Ueinzz

O dado que separa Pelbart de um comentador de filosofia francesa é a Ueinzz. Wikipédia, n-1 e Cobogó convergem no essencial: ele coordena, e as orelhas mais recentes dizem que integra de forma contínua, a companhia teatral formada por pacientes do hospital-dia A Casa, em São Paulo. Textos da própria editora chamam o grupo de laboratório esquizocênico. O ponto verificável é mais seco. É teatro feito com pessoas ligadas a um serviço de saúde mental, não um espetáculo sobre a loucura visto da plateia.

Esse trabalho reaparece dentro dos livros. Na apresentação de O avesso do niilismo, a n-1 diz que os ensaios também se apoiam em experiências-limite vindas de Fernand Deligny e de um trabalho esquizo-cênico. A companhia não é um hobby lateral na ficha. É uma das fontes do vocabulário que ele usa quando fala de esgotamento, comunidade e modos de existência.

As fontes não fecham, com a mesma precisão, o ano em que a companhia começou. O relato da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, em 2021, fala em cerca de duas décadas de participação. O número é aproximado. Não deve ser lido como data de fundação.

A n-1 e o ofício de editor

Em 2011, Pelbart fundou a n-1 edições com Ricardo Muniz Fernandes. A proposta pública da casa, repetida pela Prefeitura de São Paulo e pela Cobogó, é publicar livros-objeto numa faixa que mistura filosofia, estética, clínica, antropologia, teatro e política. Muitas vezes o volume vem com peça, instalação, curso ou palestra em volta.

Ele assina como coeditor, não como dono de uma marca de curso. Em carta publicada no site da editora em 2025, escreve em nome próprio e também em nome da casa que ajudou a fundar cerca de quinze anos antes. A mesma carta situa a editora em intervenções que vão do assassinato de Marielle Franco às ocupações de escolas e ao debate sobre a guerra em Gaza. O catálogo, nesse registro, funciona como pensamento usado em público, não como estante neutra de clássicos.

Fora do livro, o nome circula em ciclos de conversa. A Biblioteca Mário de Andrade gravou, em 2021, um episódio de Minha história sobre a trajetória editorial dele. No site Outras Palavras, os artigos entram no noticiário de ideias, de secundaristas a ensaios sobre afeto e política. Quem chega pela política ou pela literatura encontra um ensaísta que também edita o circuito em que o ensaio vive.

Livros que organizam a trajetória

A lista abaixo não é o catálogo inteiro. São os volumes que as fontes mais estáveis usam para separar fases do trabalho:

  • Da clausura do fora ao fora da clausura, Brasiliense, 1989: loucura e desrazão, a partir do mestrado. Houve reedição posterior pela Iluminuras; os anos citados para essa reedição não coincidem entre as fichas.
  • A nau do tempo-rei, Imago, 1993: sete ensaios sobre o tempo da loucura.
  • O tempo não-reconciliado, Perspectiva, 1998: o tempo em Deleuze, livro saído da tese.
  • A vertigem por um fio, Iluminuras, 2000, e Vida capital, Iluminuras, 2003: subjetividade e biopolítica.
  • O avesso do niilismo, n-1 edições, primeira publicação em 2013: esgotamento, niilismo e biopolítica.
  • O judeu pós-judeu, com o israelense Bentzi Laor, n-1 edições: livro escrito a quatro mãos depois de 7 de outubro de 2023, com lançamento em São Paulo coberto pela Folha em abril de 2024.

Há peças laterais que as orelhas citam, como o cordel Carta aberta aos secundaristas, n-1, 2016, e a circulação em espanhol de Filosofía de la deserción, pela Tinta Limón. Ensaios do assombro, também na n-1, aparece em fichas de 2019, com 304 páginas. Nenhum desses títulos apaga os da lista. Eles mostram que o ensaio continuou saindo em formato curto e em tradução.

Onde o trabalho está agora

Não há um site pessoal estável ligado ao nome. O endereço público mais útil é o da n-1 edições, com a ficha de coeditor, os livros recentes e os textos de intervenção. A docência continua na PUC-SP, no Departamento de Filosofia e no Núcleo de Estudos da Subjetividade. Por isso o nome também aparece para quem estuda psicologia clínica de orientação filosófica, e não só história da filosofia.

Perfis pessoais em redes, com o mesmo grau de certeza da editora e da universidade, não se fecharam. Entrevistas e aulas existem em canais de terceiros, da Biblioteca Mário de Andrade a programas de pós-graduação, mas isso não equivale a um canal próprio. Para quem quer o pensamento, o caminho continua sendo o livro, a aula e o texto assinado.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Peter Pál Pelbart

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Peter Pál Pelbart

O avesso do niilismo
O avesso do niilismo
Ensaios de Peter Pál Pelbart sobre esgotamento, niilismo e biopolítica, publicados pela n-1 edições.
00%
00%