Foto ilustrativa do produtor Tatiana Salem Levy

Projeto relacionado a:

Tatiana Salem Levy
Imagem promocional do produto A chave de casa

A chave de casa

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Romance de estreia de Tatiana Salem Levy: uma neta parte rumo a Esmirna com a chave da casa que o avô judeu sefardita nunca reviu.

Uma chave sem fechadura. Um avô que não volta. Uma neta que precisa partir para conseguir escrever. A chave de casa é o romance de estreia de Tatiana Salem Levy e ainda o livro que melhor explica por que ela virou nome público: mistura herança sefardita, exílio da ditadura, luto da mãe e o ofício de narrar sem transformar a vida em depoimento raso.

O que o romance propõe

Publicado em 2007 — Cotovia em Portugal, Record no Brasil —, o livro acompanha uma narradora brasileira, neta de judeus turcos expulsos de Portugal pela Inquisição, que recebe do avô a chave da antiga casa em Esmirna. A missão é concreta e impossível ao mesmo tempo: achar o endereço, reencontrar parentes, devolver ao moribundo um pedaço de mundo que a família carregou só na fala. No caminho, a viagem vira várias: Turquia, Lisboa, Rio, o quarto onde se escreve, o corpo que deseja e o silêncio da mãe morta, cuja voz interrompe a narrativa.

Não é um romance de “busca das raízes” no sentido turístico. A chave não abre a casa; abre a escrita. A Enciclopédia Itaú Cultural descreve bem os planos que se cruzam: a história do avô imigrante, o caso amoroso, as lembranças da mãe e a reflexão sobre o impulso que leva a narradora à página. O leitor que espera enredo linear se perde. O que fica é uma prosa íntima, com idas e voltas, que trata memória como matéria instável.

Para quem este livro existe

Serve a quem lê literatura brasileira contemporânea com fôlego autobiográfico, a quem se interessa por diáspora judaica sefardita, exílio político e luto. Também serve a quem chegou em Tatiana pelos livros mais recentes e quer entender de onde veio o método. A crítica situou a obra numa linhagem introspectiva — Duras, Woolf, Clarice — sem que o texto vire pastiche. É um primeiro romance que já chega com tese: escrever é uma forma de cumprir (e de recusar) o mandato familiar.

Em 2008, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria de autor estreante e foi finalista do Jabuti e do Zaffari & Bourbon. Saiu na França, Itália, Espanha, Romênia, Turquia, Austrália e outros países. A tradução inglesa de Alison Entrekin, The House in Smyrna (Scribe, 2015), entrou na lista de melhores do ano do The Guardian. Em 2025, a Record relançou edição revista, com orelha de Diana Klinger, posfácio de Natalia Timerman e nova capa de Leticia Quintilhano sobre obra de Maria Laet.

Como ler sem transformar o livro em ficha

O texto pede leitura lenta. Há cartas, diálogos internos, cenas de viagem e trechos em que a narradora discute o próprio ato de escrever. Quem busca “o que aconteceu na Turquia” encontra menos guia de Esmirna do que um inventário de ausências. A morte da mãe — eco da jornalista Helena Salem, figura pública da família — atravessa o livro como voz, não como capítulo de obituário. A violência afetiva de um amante também aparece, já anunciando o tema que os romances posteriores aprofundariam.

A edição revista de 2025 não muda o núcleo: muda o contexto de leitura. Com posfácio e orelha novos, o romance de estreia volta às livrarias depois de Vista chinesa e Melhor não contar, o que altera o que o leitor enxerga. O que em 2007 parecia “livro de família e viagem” hoje se lê também como primeiro movimento de uma obra obcecada por silêncio, corpo e transmissão. Para quem quer o ponto de partida da autora, este ainda é o volume certo — em português, na edição Record disponível nas livrarias e na Amazon.

Limites e o que o livro não promete

Não é biografia disfarçada de romance, embora use material da vida. Não é manual de identidade judaica nem relatório de ditadura. A política entra pelo exílio dos pais e pela Anistia, não por discurso. Quem espera um desfecho de reconciliação com a casa turca pode se frustrar: a força do livro está no deslocamento, não na chave que encaixa. É literatura de herança, luto e escrita — curta o bastante para se ler num fôlego, densa o bastante para pedir releitura.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse A chave de casa.


O que você acha deste Projeto?

O projeto A chave de casa entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por A chave de casa, talvez também queira conhecer outros projetos de Tatiana Salem Levy.

Ver perfil completo
Vista chinesa
Vista chinesa
Romance de 2021 em que Tatiana Salem Levy transforma um estupro no Alto da Boa Vista numa carta da protagonista aos filhos.
00%
00%
Melhor não contar
Melhor não contar
Romance autoficcional de 2024 sobre o abuso do padrasto, a morte da mãe e o preço de desobedecer ao silêncio familiar.
00%
00%
Diga a coisa como ela é
Diga a coisa como ela é
Coletânea de 2026 com mais de quarenta textos da coluna de Tatiana Salem Levy no Valor Econômico, entre ensaio e crônica.
00%
00%