A Guerra dos Meninos, publicado em 1990, foi o livro que apresentou Gilberto Dimenstein ao grande público. A partir de apuração em várias cidades brasileiras, o jornalista documentou a ação de grupos de extermínio que assassinavam crianças e adolescentes em situação de rua, muitas vezes com participação ou tolerância de agentes encarregados de manter a ordem.
O que a investigação revelou
Dimenstein reuniu depoimentos de sobreviventes, familiares e profissionais que lidavam com a questão para mostrar que as mortes não eram episódios isolados, mas resultado de uma engrenagem: miséria, ausência de políticas de acolhimento e violência institucional. O subtítulo original, Assassinatos de Menores no Brasil, resumia o propósito do livro: dar nome e contexto a crimes que costumavam ser tratados como estatística policial.
Impacto na época
O livro ganhou ampla repercussão na imprensa e passou a ser citado em debates sobre segurança pública, direitos humanos e proteção da infância. Dois anos depois, o Estatuto da Criança e do Adolescente já estava em vigor, e obras como esta ajudaram a pressionar por mudanças na forma como o Estado tratava meninos e meninas em situação de vulnerabilidade.
Por que ler hoje
A violência contra crianças e adolescentes não desapareceu; mudou de forma. A Guerra dos Meninos ajuda a entender as raízes de um problema que reaparece em novas versões, das facções nos grandes centros à exploração em regiões de garimpo. É também um retrato do Brasil dos anos 1980 e 1990, período de transição política em que a agenda dos direitos humanos começava a ganhar força nas redações.
Para quem é indicado
Estudantes de jornalismo, pesquisadores de segurança pública, educadores e leitores de não ficção encontram no livro uma aula de apuração e um documento histórico. É a porta de entrada natural para a trilogia social de Dimenstein, completada por Meninas da Noite e O Cidadão de Papel.





