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Gilberto Dimenstein

Nascimento: 1956 São Paulo, SP
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Jornalista e escritor paulistano, criador do Catraca Livre e autor de O Cidadão de Papel. Investigou a violência contra crianças e fundou a Cidade Escola Aprendiz.

A Guerra dos Meninos, publicado em 1990, colocou Gilberto Dimenstein (São Paulo, 1956 – São Paulo, 2020) diante de uma realidade que o Brasil relutava em encarar: grupos de extermínio matando crianças e adolescentes nas ruas. O livro-reportagem deu início a uma trajetória em que apuração, obra publicada e projeto social passaram a caminhar juntas.

Formado pela Faculdade Cásper Líbero, ele estreou no jornalismo em 1977, na revista Shalom, da comunidade judaica de São Paulo. Passou por O Globo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, Veja e Visão, foi diretor da sucursal da Folha de S.Paulo em Brasília e correspondente do mesmo jornal em Nova York. Na Folha, assinou coluna por 28 anos, até deixar o jornal em dezembro de 2013.

Quem foi Gilberto Dimenstein

Nascido na Vila Mariana, em uma família judaica de origem polonesa e marroquina, estudou no Colégio I. L. Peretz e se formou em jornalismo pela Cásper Líbero. A carreira começou cedo e passou por algumas das principais redações do país antes dos 35 anos.

Duas reportagens premiadas no fim dos anos 1980 sinalizaram o rumo que ele seguiria: em 1988 venceu o Prêmio Esso na categoria principal com A Lista da Fisiologia; no ano seguinte, levou novamente o Esso, na categoria Informação Política, com O Grande Golpe. As duas foram publicadas na Folha de S.Paulo.

A virada para as causas sociais

Entre 1991 e 1992, uma bolsa da MacArthur Foundation levou Dimenstein à Amazônia para investigar a violência e a prostituição de crianças. O trabalho virou Meninas da Noite – A Prostituição de Meninas Escravas no Brasil (Ática, 1992), publicado em vários países. No mesmo período, Caco Barcellos publicava Rota 66: era a safra de livros-reportagem que transformou investigações brasileiras em referência duradoura.

Em 1994, criou a ONG Cidade Escola Aprendiz, onde nasceu o programa Bairro-Escola, que aproxima escolas, famílias e comunidade e foi replicado em cidades brasileiras com apoio de Unicef e Unesco. Um estudo da Escola de Administração de Harvard, de 2009, usou o projeto como exemplo de inovação comunitária. Dimenstein foi também um dos criadores da ANDI, organização que trabalha para qualificar a cobertura jornalística sobre infância e adolescência.

Catraca Livre e a comunicação para a cidadania

No fim dos anos 2000, ele idealizou o Catraca Livre, portal que começou mapeando atrações gratuitas ou baratas de São Paulo e cresceu como plataforma de cultura, lazer e serviços em várias cidades. O projeto foi eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle e deu a Dimenstein uma audiência que ia além da coluna impressa.

No rádio, foi comentarista da CBN e comandou o programa Cidadão Jornalista, espaço em que ouvintes viravam repórteres por um dia. Em fevereiro de 2017, deixou a emissora para se dedicar a um projeto próprio de vídeos.

Livros, reportagens e obras em coautoria

A obra de Dimenstein cruza jornalismo investigativo, literatura de não ficção e educação. Os títulos mais lembrados:

  • A República dos Padrinhos: Chantagem e Corrupção em Brasília (1988)
  • A Guerra dos Meninos: Assassinatos de Menores no Brasil (1990)
  • Meninas da Noite (1992)
  • O Cidadão de Papel (1993)
  • A Democracia em Pedaços (1996)
  • O Aprendiz do Futuro (2005)
  • O Mistério das Bolas de Gude (2006)
  • Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida, com Anna Penido

Também assinou obras em parceria, como A Aventura da Reportagem, com Ricardo Kotscho; O Brasil na Ponta da Língua, com Pasquale Cipro Neto; Prazer em Conhecer, com Miguel Nicolelis e Drauzio Varella; e a série Dez Lições, de filosofia e sociologia, voltada ao público escolar.

Prêmios e reconhecimento

Dimenstein recebeu o Prêmio Jabuti de melhor livro de não ficção por O Cidadão de Papel, dois Prêmios Esso, dois Prêmios Líbero Badaró e o Prêmio Comunique-se de 2012, na categoria Jornalista de Cultura. Em 1995, ganhou o Prêmio Nacional de Direitos Humanos ao lado de dom Paulo Evaristo Arns. Recebeu ainda o Prêmio Criança e Paz, do Unicef, e uma menção honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade Columbia.

Em 2007, a revista Época o incluiu entre as cem figuras mais influentes do país. O senador Cristovam Buarque declarou, em livro sobre a criação da Bolsa-Escola, que Dimenstein foi um dos inspiradores do programa.

Os últimos meses e o legado

Em 2019, ele foi diagnosticado com câncer no pâncreas. Mesmo debilitado, concedeu ao Museu da Pessoa, em abril de 2020, uma entrevista em que revisitou a infância, os anos de redação e os projetos sociais. Na conversa, disse que sempre teve prazer em transformar sua energia em energia dos outros e que não estava angustiado diante da morte. Morreu em 29 de maio de 2020, aos 63 anos, na cidade onde nasceu.

O livro Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida, escrito com a jornalista Anna Penido, sua mulher, e ilustrado por Paulo von Poser, transformou a própria doença em reportagem. O Catraca Livre e a Cidade Escola Aprendiz seguiram ativos, e os livros de Dimenstein continuam presentes em escolas e bibliotecas do país.

Perguntas frequentes sobre Gilberto Dimenstein

Qual é o livro mais conhecido de Gilberto Dimenstein?

O Cidadão de Papel, publicado pela Ática, é o título mais associado ao nome dele. A obra traduz para estudantes e professores a distância entre os direitos garantidos por lei e a vida real de crianças e adolescentes brasileiros.

O que é o Catraca Livre?

É o portal de cultura, lazer e utilidades que Dimenstein idealizou no fim dos anos 2000, com curadoria de eventos gratuitos ou de baixo custo. O site cresceu para várias cidades e se tornou a marca mais popular ligada ao jornalista.

Onde encontrar os livros e a obra de Gilberto Dimenstein?

As edições seguem disponíveis em livrarias e no perfil do autor na Amazon, que reúne títulos de reportagem, não ficção e literatura infantojuvenil.

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Projetos de Gilberto Dimenstein

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O Cidadão de Papel
O Cidadão de Papel
Livro de Gilberto Dimenstein que mostra a distância entre os direitos previstos para crianças e adolescentes no Brasil e o que acontece na prática.
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Meninas da Noite
Meninas da Noite
Reportagem investigativa de Gilberto Dimenstein sobre a exploração sexual de meninas na Amazônia, publicada em 1992 pela Editora Ática.
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A Guerra dos Meninos
A Guerra dos Meninos
Livro-reportagem de 1990 em que Gilberto Dimenstein documenta grupos de extermínio e a violência contra meninos e meninas nas ruas do Brasil.
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