A Missão do Administrador é o livro em que Stephen Kanitz junta a opinião dele sobre o ofício, não um manual de técnica. O subtítulo, Administração Como Filosofia de Vida, avisa o gênero. Em junho de 2014 ele publicou uma edição aberta. No blog, no mesmo mês, chamou o volume de último livro e explicou o que não estava lá: receita, ferramenta, passo a passo de gestão. O assunto declarado era postura, ética e bom senso.
A edição Kindle na Amazon, identificada como Administração Como Filosofia de Vida, é o item comercial. Ao lado dela existe a edição em Pressbooks, datada de 11 de junho de 2014, sob licença Creative Commons de atribuição e sem obras derivadas. As duas são o mesmo projeto de 2014, não dois livros. O Kindle é a via de compra. A edição aberta é a via de leitura que ele mesmo colocou na rede porque, segundo o blog, não havia editora.
De onde saíram os capítulos
A ficha da edição aberta diz que o miolo reúne artigos escritos nos quatro anos anteriores sobre as funções do administrador, publicados na Veja e no blog. Isso liga o livro à coluna Ponto de Vista sem copiá-la inteira: é recorte, feito quando a coluna já tinha acabado, em 2009, e o blog seguia. Quem leu a revista solta encontra aqui a seleção que Kanitz quis manter junta.
A introdução, assinada por ele, avisa que o texto não vai percorrer técnicas nem as práticas das maiores empresas. A promessa é outra: tratar o administrador como agente da sociedade e dar um sentido mais largo à tarefa. No capítulo de abertura do argumento, a tese aparece sem rodeio. Para Kanitz, um país do tamanho do Brasil não sofria primeiro de escassez econômica. Sofria de má administração. Governo tocado por político, empresa tocada por improviso, problema acumulado em vez de resolvido na hora. É a tese do autor. O livro não a demonstra com uma base de dados nova. Ele a sustenta com os artigos.
O que dá para esperar, e o que não dá
Dá para esperar ensaio de opinião, exemplo e cobrança de formação. Em um dos capítulos ele conta a própria combinação: bacharel em contabilidade com mestrado em administração, e defende que empresa pública, companhia aberta e organização grande precisem de administrador treinado, não só de especialista de outra área no comando. Também discute agilidade de decisão e o lugar de regra e exceção no serviço público. São temas de coluna longa, agora com sumário.
Não dá para esperar grade de MBA, planilha, caso de Harvard resolvido nem o Termômetro de Kanitz reexplicado. Ele foi explícito ao recusar técnica. Também não dá para ler o livro como programa de governo fechado. A proposta de trocar indicação política por administrador de ofício é posição dele, repetida no frontispício “Um Brasil Mal Administrado”. Quem discorda encontra o argumento inteiro. Quem concorda não recebe, no volume, um plano de implantação com meta e prazo.
Como chegar ao texto
Na loja, o caminho comercial é o Kindle de Stephen Kanitz, com o subtítulo Administração Como Filosofia de Vida. O preço de vitrine oscila conforme promoção e assinatura de leitura digital, então não cabe fixar valor aqui. Para quem quer folhear antes, a edição aberta de 2014 continua no endereço público que ele indicou na época, com os mesmos capítulos e a licença visível no rodapé.
- Ano: 2014.
- Subtítulo: Administração Como Filosofia de Vida.
- Origem declarada: artigos da Veja e do blog.
- Compra: Kindle na Amazon.
- Leitura aberta: edição Pressbooks de 11 de junho de 2014.
- Fora do livro: técnica de gestão e fórmula de crédito.
O leitor de carreira em administração encontra aqui o Kanitz professor e colunista, cobrando formação e ética de ofício. O leitor que quer o ciclo de crescimento de 1994 ou o guia de casa de 2011 precisa dos outros dois títulos. Este fica com a missão que ele deu ao nome da profissão.



