Família Acima de Tudo tira Stephen Kanitz da conjuntura e o coloca dentro de casa. O subtítulo da edição da Thomas Nelson Brasil diz o recorte: descobrir o valor das pessoas mais importantes da própria vida. Não é romance, não é o ensaio do Jabuti e não é apostila de contabilidade. É um guia, no sentido em que a Folha usou a palavra ao lembrar o livro: relações familiares.
A edição de capa comum identificada pelo ISBN 8578600630 está datada, na ficha da Amazon, em 14 de dezembro de 2011. A editora na capa é a Thomas Nelson Brasil. Há menção, em outros catálogos, a um lançamento no fim da década anterior e a uma edição de bolso. Esta página fica com a edição de 2011 da Thomas Nelson, que é o item físico ainda localizável pelo ISBN, sem transformar formato de bolso em outro livro.
A proposta que o próprio texto anuncia
Na apresentação comercial do volume, Kanitz escreve que justamente as pessoas que nos amam são as que acabamos decepcionando, e pergunta por quanto tempo esse afeto aguenta as nossas atitudes. O parágrafo seguinte endereça leitor concreto: quem espera o primeiro filho, quem já tem criança pequena, quem hesita em casar e quem pensa em se separar.
O dilema que o livro declara é estreito e difícil de cumprir: colocar o interesse de quem se ama acima do interesse pessoal, da empresa e da vida social. O texto de capa trata a criação dos filhos como algo que, na rotina de pais ocupados, virou tormento em vez de prazer. A promessa é de passos e de uma visão ética para equilibrar casa e vida social sem deixar a balança cair sobre o lado mais fraco. Isso é a proposta pública do autor. Não é resultado medido, nem método clínico, nem garantia de que a casa melhora depois da leitura.
Por que este livro não é o outro Kanitz
Quem conhece o nome pelo Termômetro de Kanitz ou por O Brasil que Dá Certo pode achar que todo título dele fala de empresa e de país. Este não fala. O público muda de diretor financeiro e estudante de conjuntura para casal, pai e mãe. A editora também muda: sai a Makron de 1994, entra a Thomas Nelson, casa mais associada a livro de vida prática do que a ensaio de macroeconomia.
A Folha citou o volume ao lado de outros trabalhos sobre a missão do administrador e de coletâneas de artigos. A distinção ajuda na compra. Família Acima de Tudo não reúne a coluna Ponto de Vista. Não repete o argumento de que o Brasil é mal administrado. Fala de tempo, de filho, de casamento e da tensão entre emprego e casa, que ele já tinha tocado em artigos, agora em livro próprio.
Como ler sem transformar conselho em sentença
O livro é a opinião de um consultor e professor sobre como ele vê a família diante da empresa e da agenda social. Não apresenta, na ficha pública, estudo de campo, amostra nem acompanhamento de leitores. Quem espera manual de terapia ou livro de direito de família está na prateleira errada. Quem quer o lado doméstico do mesmo autor que escrevia sobre balanço encontra o objeto certo.
- Editora da capa: Thomas Nelson Brasil.
- ISBN-10 da edição de capa comum: 8578600630.
- Data dessa edição no catálogo: 14 de dezembro de 2011.
- Subtítulo: o valor das pessoas mais importantes da vida de quem lê.
- Leitor declarado: pais, casais, quem espera filho ou pensa em separação.
O item certo na loja é o que traz Stephen Kanitz na autoria e o ISBN acima. Títulos vizinhos, de outros autores, usam “família” e “acima de tudo” sem ser este livro. A capa com as figuras de massinha, o casal, as crianças e o cachorro é a desta edição da Thomas Nelson, não a de um romance nem a do ensaio de 1994.



