Imagem de capa do perfil de Stephen Kanitz
Foto de perfil de Stephen Kanitz

Stephen Kanitz

Nascimento: 1946 São Paulo, SP
Ver projetos (3)
Consultor paulistano e professor da FEA-USP. O Termômetro de Kanitz, a coluna na Veja e o Jabuti de 1995 explicam a busca pelo nome.

Stephen Charles Kanitz passou a ser procurado por uma conta de balanço. Em 1974, a revista Exame publicou o artigo Como Prever Falências, e o mercado deu àquele cálculo o nome de Termômetro de Kanitz. Meio século depois, a busca pelo nome ainda mistura essa fórmula, a coluna na Veja e uma data seca: ele morreu em 24 de novembro de 2025, em São Paulo, aos 79 anos.

Nasceu na mesma cidade em 31 de janeiro de 1946. Formou-se em contabilidade na Universidade de São Paulo, fez mestrado na Harvard Business School e doutorado em ciências contábeis. Deu aula na Faculdade de Economia e Administração da USP e trabalhou como consultor de empresas. Quem chega pela economia encontra o leitor de balanço. Quem chega pelo livro encontra o Jabuti de 1995. Quem chega pela família encontra outro texto, o da Thomas Nelson, e não uma segunda versão do ensaio sobre o ciclo de crescimento.

Quem era Stephen Kanitz

O nome público não cabe num único ofício. A Folha, no obituário, o descreveu como consultor, escritor e professor, com projeção de especialista em balanços e de crítico da situação da Previdência e das políticas econômicas de governos de esquerda. A Revista Oeste e o Metrópoles acrescentam o comentarista da TV Cultura e a coluna Ponto de Vista, na Veja, entre 1998 e 2009.

Não era um autor de um livro só, nem um professor que só existia na sala de aula. O rastro útil está em três lugares diferentes: uma fórmula que cursos de contabilidade ainda citam, uma revista semanal em que escreveu por mais de uma década, e livros que trocam de assunto — crescimento do país, casa, ofício de administrar.

O blog que manteve em seu nome publicou, no dia seguinte à morte, um comunicado curto: falecimento em São Paulo, em 24 de novembro de 2025. O Thinkers Brasil, projeto a que se dedicava nos últimos anos, repetiu o mesmo aviso. A causa não entrou nesses textos. Não entra aqui.

O Termômetro de Kanitz

O artigo da Exame, em 1974, propunha estimar o risco de falência a partir de demonstrações contábeis. O apelido Termômetro de Kanitz ficou maior do que o título original. Em obituários e em páginas de curso, é esse o gancho: um modelo simples, lido em balanço, para separar empresa que aguenta de empresa que está perto do aperto.

Convém não transformar o artigo numa história de redenção do crédito popular. O que está bem documentado é o instrumento e o ano. O que circula em páginas biográficas mais longas — uma cadeia causal entre o índice, o crédito ao pequeno empresário e décadas de política econômica — não tem o mesmo lastro nos obituários. O termômetro permanece como peça de análise de risco, não como programa de governo.

Quem procura o nome por esse caminho quer a conta, não a crônica familiar. O artigo se chama Como Prever Falências. O resto da trajetória explica por que um consultor de balanço virou colunista, não substitui a fórmula.

Exame, Melhores e Maiores e a sala de aula

Uma resenha acadêmica do próprio livro de 1994, publicada na RAE, já o apresentava como professor, consultor e responsável pela publicação do suplemento Melhores e Maiores, da Exame. O suplemento é o ranking anual em que a revista compara desempenho de empresas. O vínculo de Kanitz com essa edição é anterior à fama da coluna na Veja e ajuda a entender o ofício: ler número de companhia, não só opinar sobre o país.

A formação fecha o mesmo circuito. Bacharel e doutor em ciências contábeis pela USP, mestrado em administração na Harvard Business School, professor da FEA-USP. No site do Thinkers Brasil, o projeto o apresenta como professor titular, com as mesmas três credenciais. A Folha, mais econômica, diz professor na Faculdade de Economia e Administração da mesma universidade. As duas frases apontam para a mesma casa.

Harvard, nesse caso, não é enfeite de palco. É o mestrado que os obituários repetem junto com a USP, e que o próprio projeto institucional coloca na linha de baixo do nome. A aula e a consultoria andaram juntas: balanço na empresa, balanço na revista, balanço na faculdade.

A coluna na Veja e o livro de 1994

Em 1994 saiu O Brasil que Dá Certo, pela Makron Books. O subtítulo fala num novo ciclo de crescimento com horizonte em 2005. A Folha resume o que o volume fazia: tratar, com dados, números e exemplos, daquilo que Kanitz considerava um ciclo de crescimento, e indicar como empresas poderiam aproveitar a onda, com projeções até 2005. Em 1995 o livro recebeu o Jabuti de não ficção.

A capa de uma tiragem posterior, ainda vendida com o ISBN 8534602913, marca 10ª edição e traz o autor mais jovem, de óculos e braços cruzados, ao lado do título. A primeira edição, no registro bibliográfico, tem cerca de 100 páginas. Não é um tratado. É um ensaio curto de conjuntura, escrito no ano do Plano Real, com gráfico e tabela no lugar de manifesto.

A coluna veio nesse rastro. Entre 1998 e 2009, o nome ocupou a seção Ponto de Vista, da Veja. A revista pedia texto de opinião. O leitor que guarda Kanitz como “o da Veja” está nesse intervalo, não em 1974. São duas reputações empilhadas: a do índice de falência e a do colunista que comentava o país a partir de empresa, família e administração.

Família, filantropia e o ofício de administrar

Em 1997 ele idealizou o Prêmio Bem Eficiente, que premiava organizações por ações de responsabilidade social. A Folha registra o prêmio nesse ano. No Thinkers Brasil, o próprio projeto lista ainda o Guia da Filantropia e a campanha Seja um Voluntário, e associa o nome aos sites voluntarios.com.br e filantropia.org, na década de 1990. São frentes que ele apresentou como suas. O prêmio é o item que o obituário confirma sem depender só da página institucional.

Família Acima de Tudo, pela Thomas Nelson Brasil, desloca o assunto da macroeconomia para a casa. A edição à venda com o ISBN 8578600630 é de 14 de dezembro de 2011. O subtítulo promete o valor das pessoas mais importantes da vida de quem lê. A Folha o descreveu como guia de relações familiares. Não é continuação de O Brasil que Dá Certo. É outro público: pai, mãe, casal, alguém no meio de uma separação ou de um primeiro filho.

A Missão do Administrador, de 2014, volta ao ofício. O subtítulo é Administração Como Filosofia de Vida. No blog, Kanitz avisou que não se tratava de técnica nem de receita, e sim de postura, ética e bom senso, reunindo artigos da Veja e do próprio site. Há edição Kindle na Amazon e uma edição aberta, sob licença Creative Commons, publicada em junho de 2014. A tese do volume é dele: o país sofreria menos de falta de teoria econômica do que de falta de administrador profissional. Isso é argumento do livro, não um fato fechado sobre o Brasil.

O que a morte não apaga do rastro público

Nos últimos anos o eixo institucional era o Thinkers Brasil, plataforma para apoiar think tanks, conectar equipes e divulgar estudos. A Folha usou a descrição que o projeto dá de si: ligar impactos que ele queria duradouros na sociedade brasileira. O LinkedIn em nome dele aponta para o mesmo lugar e para São Paulo.

Em março de 2025, a Folha o fotografou no lançamento de um livro na Travessa do Shopping Iguatemi. Não era um retiro. Ainda circulava em livraria, ainda escrevia no blog, ainda mantinha a plataforma. A morte, oito meses depois, encerra a pessoa. Não encerra o termômetro, a coluna já impressa nem os três livros que fazem trabalhos distintos.

  • Termômetro de Kanitz: artigo Como Prever Falências, Exame, 1974.
  • Melhores e Maiores: suplemento da Exame ao qual uma resenha da época já o vinculava.
  • O Brasil que Dá Certo: Makron Books, 1994, Jabuti de não ficção em 1995.
  • Ponto de Vista: coluna na Veja entre 1998 e 2009, além da TV Cultura.
  • Família Acima de Tudo: Thomas Nelson Brasil, edição de 2011.
  • A Missão do Administrador: 2014, Kindle e edição aberta.
  • Thinkers Brasil: plataforma de think tanks mantida por ele até 2025.

Quem procura o nome hoje não está diante de um enigma. Está diante de um consultor de balanço que virou colunista, professor da USP e autor de livros que não dizem a mesma coisa. O índice de 1974 responde a uma pergunta. O Jabuti responde a outra. A casa e o ofício de administrar respondem a uma terceira. A data de novembro de 2025 só informa que a pessoa saiu de cena. O papel continua separável.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Stephen Kanitz

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Stephen Kanitz

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

Família Acima de Tudo
Família Acima de Tudo
Guia de relações familiares de Stephen Kanitz, pela Thomas Nelson Brasil. A edição de capa comum à venda leva o ISBN 8578600630 e a data de 2011.
00%
00%