O Brasil que Dá Certo é o ensaio curto em que Stephen Kanitz, em 1994, descreveu o que considerava um novo ciclo de crescimento do país, com horizonte em 2005. Não é biografia, nem manual de investimento, nem continuação da coluna da Veja: a coluna viria depois. O livro é a peça que a Câmara Brasileira do Livro premiou no ano seguinte.
A Makron Books publicou o volume em São Paulo, em 1994, com cerca de 100 páginas. O ISBN da edição que segue no catálogo, 8534602913, corresponde a O Brasil que Dá Certo: O Novo Ciclo de Crescimento. A Folha, ao noticiar a morte do autor, resumiu o miolo sem transformá-lo em profecia cumprida: dados, números e exemplos sobre um ciclo de crescimento, e indicações de como empresas poderiam aproveitar a onda, com projeções até 2005. O Jabuti de 1995, na categoria de não ficção, é o reconhecimento público dessa obra, não de outro título homônimo.
O que o leitor encontra no miolo
Uma resenha da época, na RAE, viu no livro uma dose grande de otimismo, dezenas de gráficos, tabelas e um vaivém entre o que Kanitz lia como ponto a favor e ponto contra na economia brasileira. O recorte começa nos anos 1960, passa pelo endividamento e pela inflação, e empurra o gráfico até o meio da década de 2000. A resenha também avisava o limite: vários temas entram de forma rápida, amarrados pelo cenário inflacionário, mais como mapa de conjuntura do que como tratado.
Esse limite importa para quem compra hoje. O volume não atualiza juros, câmbio nem regra fiscal de agora. Ele guarda o argumento de 1994, escrito no ano em que o Plano Real entrou em vigor. Tratar o texto como boletim vigente é erro de prateleira. Tratá-lo como panfleto vazio também: há número, há série, há a tese de que o país entrava num ciclo em que empresa deveria olhar para consumo de massa, não só para o topo da renda.
A capa que ainda circula
A capa à venda com esse ISBN mostra a 10ª edição e o subtítulo com a janela 1995-2005. O autor aparece mais jovem, de camisa, gravata e braços cruzados, com o logotipo da Makron Books. É a mesma pessoa do retrato formal posterior, em outro momento. A tiragem numerada na capa confirma que o livro saiu do estoque da primeira impressão. Não há base pública estável para cravar dezenas de edições além dessa marca visível na capa.
Existe também uma edição em inglês, Brazil: The Emerging Economic Boom, associada ao mesmo ciclo de anos. Esta página fica com o livro em português da Makron, que é o título pelo qual o Jabuti e a resenha brasileira o reconhecem. Comprar a edição inglesa é outra decisão, de outro idioma, não um segundo projeto.
Para quem o livro ainda serve
Serve a quem quer o Kanitz de 1994: o consultor que lia balanço de empresa e resolveu escrever, em cem páginas, por que achava que o crescimento voltaria e onde a companhia deveria se colocar. Serve a quem estuda a discussão empresarial do Plano Real e precisa da fonte, não do resumo de obituário. Serve menos a quem busca um número de hoje ou a fórmula do Termômetro de Kanitz. Essa fórmula está no artigo da Exame, de 1974, não neste volume.
- Editora: Makron Books, São Paulo, 1994.
- Extensão da primeira edição: cerca de 100 páginas.
- ISBN da edição em catálogo: 8534602913.
- Prêmio: Jabuti de não ficção, 1995.
- Horizonte declarado no subtítulo: um ciclo até 2005.
O preço muda conforme o sebo e o estoque. A rota estável para achar este item, e não um livro de outro autor com título parecido, é a página do ISBN na Amazon. Há pelo menos um outro “Brasil que deu certo” no catálogo, de autoria diferente. O nome Stephen Kanitz na capa e o número 8534602913 separam os dois.



