O Anison Lab é o combinado de quinta-feira: Ricardo Cruz e o guitarrista Lucas Araújo pegam uma anime song, ou um tema de tokusatsu, e refazem o arranjo. O canal oficial descreve o projeto como laboratório de cores e experiências com faixas novas e clássicas, e avisa que toda quinta entra música nova. Não é clipe de reação nem playlist alheia. É gravação da dupla.
O nome cabe na definição que Ricardo deu ao JBox em 2018. Anison Lab é, literalmente, um laboratório: pegar a canção de anime e testar o que a dupla curte, inclusive cor de trilha de cinema. Na mesma conversa ele citava Ennio Morricone, o compositor dos faroestes de Sergio Leone, como uma das tintas que aparecem nos arranjos. O ouvinte que espera a abertura idêntica à da TV vai ouvir outra coisa. O ouvinte que quer ver o que a melodia aguenta fora do desenho encontra o projeto.
O que separa o laboratório do JAM Project e do Danger3
Ricardo Cruz canta nos três, e a confusão é previsível. O JAM Project é o supergrupo japonês, na Lantis, do qual ele é o integrante estrangeiro desde 2005. “Seijaku no Apostle”, abertura da segunda temporada de One-Punch Man, pertence a essa banda. O Danger3 é o trio brasileiro com Larissa Tassi e Rodrigo Rossi, de faixas em português ligadas a lançamentos como Akira e Saint Seiya: Soul of Gold. O Anison Lab é a bancada semanal com Lucas Araújo: releitura, arranjo novo e, com o tempo, também palco próprio.
Para tokusatsu, o cartão cedo do canal foi “The Space Wolf Symphony”, dueto com Akira Kushida, a voz original de Jaspion, com Larissa Tassi no mesmo medley. O JBox, na entrevista de 2018, tratou esse dueto como o ápice do projeto para esse público. Não é um cover anônimo de karaokê. É a faixa regravada com quem a cantou primeiro.
Do vídeo para o palco
A dupla não ficou só no vídeo. Em 2018 o Anison Lab estreou show ao vivo fora do Brasil, em Mendoza, e abriu uma série de datas no país. Em fevereiro de 2024, Ricardo e Lucas tocaram no Anime Summit Teaser, em Brasília. Em maio daquele ano, o Cosmic Party no Jai Club, em São Paulo, juntou setlist espacial, homenagem aos 40 anos de Machineman e aos 30 de Cavaleiros do Zodíaco no Brasil, e a venda do guia de Jaspion da Editora Mozu. Em maio de 2025, o Anison Lab Live na capital paulista marcou os 20 anos de carreira de Ricardo, com JAM Project, versões brasileiras, tokusatsu e faixa autoral na mesma noite.
O single “Cosmic Stravaganza”, letra e música de Ricardo com arranjo dele e de Lucas, circula como clipe oficial no mesmo canal. É um exemplo de peça autoral nascida na bancada, não só de rearranjo de abertura alheia. O laboratório, portanto, tem duas gavetas: a releitura semanal e a faixa que a dupla assina do zero.
Como ouvir e o que não esperar
O endereço é o canal Ricardo Cruz no YouTube, youtube.com/RicardoCruzOfficial. A grade anunciada é semanal, às quintas. O acervo mistura anime recente, clássico de tokusatsu e colaboração com cantores japoneses, de Kushida a Hiroshi Kitadani e Hironobu Kageyama em registros acústicos que o próprio histórico do canal foi acumulando. Não há um álbum único que substitua a página. O projeto é o arquivo de vídeos e os shows que saem dele.
Não espere setlist de banda de baile nem aula de japonês. A aula está no NihonGO. O livro está na Mozu. O Anison Lab é o lugar em que a melodia que Ricardo canta no JAM Project, e as aberturas que ele versiona em português, viram experimento de arranjo com Lucas Araújo. Quem chega por One-Punch Man e fica, em geral fica por essa quinta-feira.



