Jaspion ficou, para muita gente que cresceu na TV Manchete, como tema, brinquedo e fita. Faltava um livro em português que tratasse a série como objeto de consulta, com episódio, arma, monstro e a passagem brasileira no mesmo volume. O Jaspion - Guia Visual Definitivo é essa peça: o primeiro livro da Editora Mozu, casa fundada por Ricardo Cruz e Adriano Almeida.
A loja oficial descreve um volume de capa dura, papel encorpado e acabamento pensado nas publicações japonesas de tokusatsu. São 176 páginas. Dentro, o anúncio lista os 46 episódios, personagens, armas, monstros gigantes, trilha, design e entrevistas com quem trabalhou na série. A pergunta que a própria página usa como exemplo é direta: a série fracassou no Japão? A resposta prometida não é de fã palpiteiro. É de gente que esteve na produção.
O que o guia cobre dos dois lados do Pacífico
O livro não para no Japão. A loja diz que ele também documenta a febre brasileira, com entrevistas de licenciantes, dubladores e fabricantes de brinquedo, e com a lembrança da avalanche de VHS, disco, quadrinho, roupa e brinquedo. Esse segundo eixo é o que separa o guia de um artbook importado. Jaspion no Brasil não foi só exibição. Foi produto, dublagem e porta de entrada. A página ainda liga essa porta à explosão dos animes, com Os Cavaleiros do Zodíaco como o exemplo que o leitor da época reconhece.
No site da Editora Mozu, Sato Company e Toei Company aparecem como parceiros. Há foto com a legenda da entrega do livro de Jaspion à Toei em 2023, e outra visita à produtora em 2025. O selo se apresenta como guia oficial. Quem compra, portanto, não está diante de um fanzine bem impresso: está diante de um livro que a editora coloca na mesa da dona da série.
Como Ricardo Cruz entra nesse livro
Ricardo Cruz não é um prefaciador convidado. É fundador da editora, ao lado de Adriano Almeida. A biografia publicada no site da Mozu lembra os mais de vinte anos com cultura pop japonesa, a tradução de Naruto e Bleach e, desde 2005, o lugar no JAM Project, com composição para animes e jogos, inclusive One-Punch Man e temas ligados a Transformers. O guia de Jaspion conversa com a outra metade pública dele: o Anison Lab gravou, com Akira Kushida, o medley “The Space Wolf Symphony”, e o cantor japonês é justamente a voz clássica dessa trilha.
O projeto começou em financiamento coletivo no Catarse. A loja trata o livro disponível depois da campanha como o objeto que os apoiadores esperavam, não como um spin-off digital. Jiraiya veio em seguida e aparece esgotado na vitrine. Black Kamen Rider tem página própria de compra. São livros diferentes, não formatos do mesmo Jaspion. O guia do herói de ouro é o que abriu a coleção.
Para quem vale a estante
Vale para quem assistiu Jaspion na Manchete e quer um dossiê, não uma novelização. Vale para quem coleciona tokusatsu e compara com os mooks japoneses: o discurso da editora é explícito nesse espelho. Vale menos para quem procura a série em si. O livro não substitui os episódios. Ele organiza o que a série foi no Japão e o que ela virou no Brasil, com nome de dublador, brinquedo e entrevista no lugar da nostalgia solta.
A página de venda é a loja da Editora Mozu. O estoque oscila: em consulta recente o título apareceu indisponível, com campo para avisar quando voltar. Por isso não cabe cravar preço nem prometer prateleira cheia. O caminho certo é a ficha do livro, não um anúncio antigo de campanha. Quem quiser o mapa da coleção inteira começa por esse volume, porque os guias seguintes repetem o método, não a série.



