O NihonGO existe porque a aula particular de japonês não viajava. Em 2016, Ricardo Cruz e Rafael, então aluno dele, montaram um curso introdutório para levar aquele formato a mais gente. A página oficial conta que a resposta nas redes, no primeiro dia, sustentou o passo seguinte: um curso mais completo, com material criado do zero, que virou o NihonGO Premium e a empresa em torno dele.
O nome é um trocadilho assumido. NihonGO junta 日本語, a palavra japonesa para “idioma japonês”, e o verbo inglês “go”. No site, a pronúncia proposta é “nirrom-gol”. A piada só funciona para quem já ouviu as duas línguas, e isso diz o público que o curso imagina: não o viajante que precisa de dez frases de aeroporto, e sim quem já convive com anime, mangá, música e série e quer que esse material vire aula.
Quem dá a aula e por que isso importa
Ricardo Cruz cursou o ensino médio na Utsunomiya Kita Kōkō, em Tochigi, no Japão. O relato publicado no próprio curso é que os professores de lá ajudaram a acelerar o estudo com técnicas que ele depois aplicou em aula particular. De volta ao Brasil, o mesmo japonês virou ofício de redação: revista Herói, Pokémon Club, passagem pela Conrad no auge de Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, e tradução de mangás como Naruto, Bleach, Fushigi Yūgi e Trigun.
Em 2005 ele entrou no JAM Project, supergrupo japonês de anison, como único integrante estrangeiro. Em 2019 compôs “Seijaku no Apostle”, abertura da segunda temporada de One-Punch Man. Esse currículo não é enfeite de página de vendas. É o motivo pelo qual o curso pode usar letra de música, diálogo de anime e texto de mangá sem tratar isso como decoração. Quem ensina canta e traduz o material que o aluno já consome.
O que o curso diz que entrega
A promessa pública, repetida no Linktree de Ricardo, é estudar japonês com anime, mangá, música, série, filme e livro como material didático. O site fala em conteúdo original, não em apostila genérica reempacotada, e em um caminho “mais eficiente e divertido” do que a aula particular isolada. Também afirma que a equipe entende duas dificuldades diferentes: a de brasileiros sem origem japonesa e a de descendentes que querem reencontrar a língua ou uma oportunidade ligada a ela.
O que a página não faz, e o leitor não deve inventar no lugar dela, é prometer nível de exame, prazo de fluência ou certificado. O NihonGO Premium é o produto completo anunciado depois do introdutório de 2016. Há menção, na própria trivia do site, de que a primeira ideia anterior ao minicurso era um aplicativo, deixado de lado. O que está no ar é o curso online, com historinha própria, a 日本語の大冒険, cuja primeira versão o time diz ter dublado.
Para quem faz sentido, e para quem não faz
Faz sentido para quem já gasta hora com abertura de anime, tokusatsu ou mangá e quer que esse vocabulário deixe de ser adivinhação. Também faz sentido para quem viu Ricardo no Anison Lab ou no JAM Project e quer a parte didática da mesma biografia, não um professor sem rastro público. Faz menos sentido para quem procura japonês de negócios, preparação explícita para prova ou aula presencial com grade fixa: nada disso está descrito como oferta principal.
O curso também não substitui o dicionário nem o guia da Editora Mozu. Ele explica a língua que aparece na letra e no balão. O livro da Mozu explica a série. O canal do Anison Lab mostra o que essa língua vira quando vira música. São três usos. O NihonGO é o do estudo.
Como entrar
O endereço estável é cursonihongo.com. A página “Sobre” concentra a história de 2016, a biografia curta de Ricardo e a explicação do nome. Shows e o restante dos projetos passam pelo Linktree e pelo canal no YouTube, mas a matrícula e a apresentação do método ficam no site do curso. Não há, na página pública, um preço fixo que valha repetir aqui: a oferta muda de turma, e o leitor precisa ver a condição vigente antes de decidir.



