Aqueles Olhos Verdes mistura ficção e realidade para acompanhar a trajetória de Zé Reis, um homem de olhos verdes e paixão por futebol. O romance começa em 1938, quando Vicente Meggiore chama o irmão José Reis ao estádio das Laranjeiras e pede que ele escolte um fugitivo do governo de Getúlio Vargas até um local seguro.
Zé Reis entre a fazenda e a política
A missão leva o personagem para uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, que se torna o centro de sua vida. Por ali passam figuras como Plínio Salgado, Zizinho, Dori Kürschner e Chiquinho do Acordeon, e o leitor acompanha o encontro entre a cultura local, o futebol e a política do período. A narrativa vai de 1938 ao início dos anos 1960, sem esconder as tensões da época.
Uma homenagem ao avô
O personagem é uma homenagem de José Trajano ao avô, que gostava de cavalos, frutas e conversa, mas não se interessava por futebol. Essa distância entre o avô real e o Zé Reis ficcional é uma das chaves do livro: a ficção preenche lacunas da memória familiar sem se apresentar como documento.
Publicado pela Alfaguara em 2021, com 248 páginas, Aqueles Olhos Verdes interessa a leitores de romance histórico, de futebol e de histórias sobre o Rio de Janeiro. A obra mostra como a trajetória individual pode servir de porta de entrada para um período político conturbado e para mudanças culturais que atravessaram o século XX brasileiro.





