As Duas Vidas de Aparício Torelly é a biografia escrita por Claudio Figueiredo e publicada pela Editora Record em 1987. O título anuncia o problema que o livro enfrenta: o mesmo homem que assinava Apparício Torelly nas redações viveu, na prática, duas trajetórias — a do jornalista profissional e a do Barão de Itararé, personagem que criou para si e que acabou maior que o criador.
Com 208 páginas, a obra reconstrói a vida dele desde Rio Grande, no Rio Grande do Sul, até os últimos anos no Rio de Janeiro. No caminho, atravessa o jornalismo brasileiro do início do século XX, a criação do semanário A Manha, o convívio com escritores e políticos, as prisões do período Vargas e a passagem pela Câmara dos Vereadores.
Por que é uma referência
Publicado mais de quinze anos depois da morte de Torelly, o livro ajudou a recolocar o humorista no debate público em um momento em que suas máximas já circulavam sem a assinatura completa. A pesquisa de Claudio Figueiredo organiza episódios dispersos e distingue o jornalista do personagem, uma separação importante para entender como o Barão foi construído — primeiro como Duque, depois como barão, sempre como piada.
Para pesquisadores de comunicação, história e literatura, é uma das biografias de referência sobre o período em que a imprensa brasileira aprendeu a rir do poder sem pedir licença. Também serve ao leitor comum que quer entender de onde vêm frases como "Há algo no ar, além dos aviões de carreira".
Para quem serve
Quem procura uma leitura biográfica completa, com contexto histórico e não apenas anedotas, encontra aqui o volume mais detalhado sobre a vida de Aparício Torelly. A edição é buscada por colecionadores e por estudantes que pesquisam o humor político no Brasil.





