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Baile do Menino Deus

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Peça de 1983 escrita com Assis Lima e música de Antonio Madureira. Cantata natalina de reisado, editada pela Companhia das Letrinhas.

Baile do Menino Deus nasceu de uma queixa concreta, não de encomenda escolar. No começo dos anos 1980, Ronaldo Correia de Brito, Assis Lima e o músico Antonio Madureira achavam que o Natal nordestino estava sendo trocado por rena, Jingle Bells e neve de shopping. Em 1983 lançaram um disco pelo selo Eldorado e estrearam uma peça com o mesmo nome. O texto é dos dois escritores. A música é de Madureira.

A peça se inspira no reisado. Brincantes seguem de casa em casa. O palhaço Mateus conduz a narrativa. O foco, na apresentação da editora, não é a ceia nem a compra: é o Menino Deus como figura de renascimento e de esperança, dentro de uma festa que o Nordeste já conhecia em lapinha, pastoril e auto. Ruth Rocha, na introdução da edição ilustrada, aponta que o texto pode ser adaptado por grupos escolares e teatrais.

A trilogia das festas e o lugar deste baile

O Baile é o primeiro movimento do que os autores chamaram de festas brasileiras. Em 1985 veio O Pavão Misterioso, adaptação de cordel com participação de Antonio Carlos Nóbrega. Em 1987, Bandeira de São João. Em 1989, Arlequim, o Carnaval da série. Disco e estreia teatral andaram juntos. A Editora Bagaço publicou depois as três peças em prosa. A Alfaguara, já no Grupo Companhia das Letras, reuniu os textos teatrais.

O Baile foi o que atravessou a cidade. No Recife, a partir de 2004, a cantata natalina passou a ocupar a Praça do Marco Zero nos dias 23, 24 e 25 de dezembro. Uma edição da Objetiva entrou no Programa Nacional Biblioteca da Escola com tiragem de quase meio milhão de exemplares. Em 2007 a peça recebeu o Prêmio Zilka Salaberry. Não é um espetáculo de uma temporada só, nem um livro isolado de prateleira infantil sem palco atrás.

Qual edição está à venda

O livro ligado a esta página é a edição da Companhia das Letrinhas, de 7 de dezembro de 2016, com ilustrações de Flávio Fargas. A ficha traz 64 páginas, formato 20 por 27 centímetros, ISBN 978-85-740-6748-3, e a assinatura de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima. É peça teatral ilustrada, pensada também para leitura em voz alta e para montagem, não a gravação do disco Eldorado nem o registro em vídeo do Marco Zero.

Essa distinção evita confusão na hora de comprar. Quem procura a cantata que a cidade vê no fim de ano encontra aqui o texto e o desenho, não o ingresso. Quem procura o romance Galileia ou Rio sangue está em outro gênero: aqueles são narrativas longas da Alfaguara. O Baile cabe em uma hora de leitura compartilhada e em um ensaio de escola.

O que a obra pede do leitor

O enredo público é o de uma festa que vai acontecer. Não há vilão de manual nem moral de autoajuda. Há brincantes, um palhaço que segura a história e um Natal ibérico reelaborado no Nordeste, com o que Correia de Brito descreve como herança assimilada por populações rurais e urbanas, junto de culturas indígena e negra. O tom é de cantata cênica. Canto e fala andam juntos. Por isso o disco de 1983 importa tanto quanto o livro de 2016: a música de Madureira não é trilha opcional.

  • Famílias que querem um Natal de reisado, com texto curto e ilustração, em vez de adaptação genérica.
  • Escolas e grupos amadores que precisam de peça montável, como indica a introdução de Ruth Rocha.
  • Quem viu ou ouviu falar da cantata do Marco Zero e quer o texto de Correia de Brito e Assis Lima.

O limite é honesto. A página não entrega a experiência da praça, com multidão e noite de 24 de dezembro. Entrega a obra que sustenta essa experiência: palavras de dois cearenses e música de um pernambucano do Quinteto Armorial. Para a biografia de Ronaldo Correia de Brito, o Baile é a prova de que a reputação pública não começou no prêmio de 2009. Em 1983 o Natal já tinha texto, disco e elenco.

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