Cabra Marcado para Morrer é o documentário que transformou a interrupção de um filme em uma das obras centrais do cinema brasileiro. Eduardo Coutinho começou a rodar em fevereiro de 1964, no Engenho Galileia, em Pernambuco, com a intenção de dramatizar a vida do líder camponês João Pedro Teixeira ao lado dos próprios trabalhadores rurais. O golpe militar interrompeu as filmagens, parte da equipe foi presa e os negativos ficaram escondidos por anos.
O que o filme conta
Retomado em 1981 e lançado em 1984, o longa costura três camadas: as cenas rodadas em 1964, os depoimentos gravados quase duas décadas depois e o reencontro do diretor com Elizabeth Teixeira e os camponeses que seriam atores do projeto original. O resultado é um retrato da repressão no campo, da memória das Ligas Camponesas e do preço que famílias inteiras pagaram pela perseguição política.
Por que a obra segue atual
Além do valor histórico, o filme inventa uma forma de narrar em que o próprio fracasso da versão inicial vira assunto. A obra recebeu o FIPRESCI e o Interfilm no Festival de Berlim, o Golfinho de Ouro no Festróia e o Coral de melhor documentário em Havana. Em 2015, foi eleita o quarto melhor filme brasileiro de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema.
Como assistir
A edição em DVD traz o filme restaurado e é a forma mais prática de conhecer a obra completa, com material que ajuda a entender o que foi filmado antes do golpe e o que foi acrescentado na retomada. Quem estuda documentário costuma comparar as duas camadas do filme para observar como Coutinho transformou a interrupção em linguagem.





