Jogo de Cena começa com um anúncio de jornal: mulheres dispostas a contar a própria história em um estúdio. Oitenta e três responderam; vinte e três foram filmadas por Eduardo Coutinho no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, em junho de 2006. Meses depois, atrizes conhecidas receberam as mesmas histórias e as reencenaram diante da câmera, cada uma com seu próprio corpo, ritmo e interpretação.
O que o filme propõe
Lançado em 2007, o longa embaralha as fronteiras entre verdade e representação. O espectador vê a mesma história duas vezes: primeiro na voz de quem viveu, depois na performance de quem interpreta. Em alguns momentos, o filme esconde de propósito quem está falando, obrigando o público a duvidar do próprio ouvido.
Quem participa
Passam pelo palco Marília Pêra, Fernanda Torres, Andréa Beltrão, Mary Sheyla e outras atrizes, ao lado de mulheres que nunca haviam sido filmadas. A montagem alterna depoimentos e cenas, criando um jogo em que cada versão ilumina a anterior.
Por que o filme marcou
Jogo de Cena é o décimo longa de Coutinho e ficou em 17º lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Abraccine, em 2015. É uma porta de entrada para quem quer entender como o diretor trabalhava a palavra falada e também uma obra sobre o ofício da atuação. A edição em DVD preserva o filme e permite pausar para comparar as versões.





