Edifício Master parte de uma ideia simples e radical: morar dentro do prédio que seria filmado. Durante três semanas, Eduardo Coutinho e a equipe ocuparam um edifício de 12 andares e 276 apartamentos em Copacabana, no Rio de Janeiro, para conviver com os moradores antes de ligar a câmera. Depois de 37 entrevistas, o documentário acompanha pessoas de idades e origens diferentes que dividem o mesmo endereço sem se conhecer.
O que aparece na tela
O filme, lançado em 2002, transforma corredores, portas e apartamentos conjugados em cenário para histórias que misturam solidão, trabalho, memória e recomeços. A câmera não busca casos extraordinários: encontra o extraordinário na forma como cada morador narra a própria rotina. O prédio funciona como um retrato condensado das cidades brasileiras, onde convivem classes, sotaques e trajetórias que raramente se cruzam.
O método por trás das conversas
O filme é um exemplo do que a crítica chama de documentário de conversa. Coutinho evita narração explicativa e perguntas fechadas; prefere deixar o entrevistado conduzir o relato, com planos longos e poucos cortes. Essa escolha dá tempo ao espectador e transforma cada depoimento em uma pequena biografia.
Por que vale assistir hoje
Edifício Master venceu o Festival de Gramado na categoria de melhor documentário e entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Abraccine. A edição em DVD permite rever o filme com calma e observar detalhes de montagem que passam despercebidos na primeira sessão.





