O Fim e o Princípio nasce de uma aposta: Eduardo Coutinho chegou ao sertão da Paraíba sem personagens escolhidos, sem roteiro fechado e sem saber exatamente o que encontraria. No sítio Araçás, perto da cidade de São João do Rio do Peixe, o diretor conheceu Rosilene Batista, que o apresentou à comunidade de cerca de 86 famílias. Foram os moradores mais velhos que conduziram as conversas que deram forma ao filme.
O que o documentário mostra
Lançado em 2005, o longa abre espaço para memórias de trabalho na roça, secas, festas, perdas e crenças. Em vez de explicar o sertão, o filme deixa que as pessoas falem dele por dentro, com suas próprias palavras e silêncios. A câmera acompanha rodas de conversa, tarefas do dia e celebrações, sempre com atenção ao que cada morador escolhe contar.
Como o filme foi feito
A produção é assinada por João Moreira Salles e Maurício Andrade Ramos, com fotografia de Jacques Cheuiche, direção de produção de Raquel Freire Zangrandi e montagem de Jordana Berg. O longa recebeu indicações em premiações como o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e o Prêmio Contigo, com vitória na categoria de melhor diretor em documentário.
Por que assistir
O Fim e o Princípio mostra o método de Coutinho levado ao limite: nenhum personagem predestinado, nenhuma história garantida, apenas a disposição de ouvir. É um filme sobre velhice, memória e vida interiorana que continua sendo estudado em cursos de cinema e documentário. A edição em DVD mantém o filme disponível para quem quer conhecer essa fase do diretor.





