Contexto e proposta de Cem gramas de Buda
Os contos de Cem gramas de Buda acompanham jovens de classe média que não veem perspectiva no futuro e arrastam o cotidiano entre a cidade cinzenta e úmida dos anos 1960, a serra fluminense e o Rio de Janeiro visto do alto de Santa Teresa.
Idealizadores das conquistas da beat generation, os personagens procuram a fórmula mágica, o lugar perfeito e o "estalo" que lhes trará fama e uma vida de contemplação — tudo com um toque de zen-budismo, como anuncia o título. O resultado é uma coleção de retratos de uma geração que confunde liberdade com fuga e adia indefinidamente a própria vida.
Publicado pela SESI-SP Editora em 2015, com 256 páginas, o livro mostra a prosa de Eduardo Alves da Costa em sua veia mais observadora. Os cenários funcionam como personagens: a capital paulista do início da ditadura, as montanhas fluminenses e os morros cariocas delimitam o horizonte estreito de quem sonha em escapar sem saber para onde.
É indicado a leitores de contos brasileiros, a estudiosos da juventude dos anos 1960 e a quem se interessa pela tentativa de importar o sonho beat para os trópicos. Quem conhece a obra do autor encontra aqui o mesmo olhar social dos poemas de resistência, deslocado para a ficção e para o cotidiano de uma classe média sem rumo.





