Contexto e proposta de Eudisseia
Eudisseia parte de uma cena improvável: um poeta já idoso recebe a visita imaginária de Homero, que o insta a escrever um poema a partir dos acontecimentos de sua própria vida. Relutante, ele não enxerga na própria existência nada que justifique a empreitada; aceita os argumentos do visitante e transforma memória em travessia épica.
Publicado pela Faria e Silva em 2025, o livro tem 448 páginas e oscila entre o lírico e o irônico, revisitando mitos e questionando a condição humana. A obra foi apresentada como uma odisseia espiritual e existencial, na qual a vida do autor serve de matéria para uma reflexão maior sobre arte, envelhecimento e eternidade. Segundo a descrição editorial, os versos tecem críticas sociais e filosóficas e convidam o leitor a pensar sobre a vida, o tempo e o que permanece.
A estrutura acompanha o gesto de quem aceita olhar para trás: os episódios da memória se organizam como etapas de uma viagem, com paradas na infância, na cidade, no ofício de escrever e nas perdas que a idade acumula. O tom épico, raro na poesia brasileira contemporânea, convive com passagens de humor e de autocrítica — recursos que o autor cultivou desde os primeiros livros e que aqui ganham escala maior.
Para quem lê Eduardo Alves da Costa desde os poemas de resistência, Eudisseia representa a maturidade de um projeto literário que nunca separou poesia de experiência. Para novos leitores, é um convite a entrar pela porta mais recente de uma obra em movimento — um poema que discute o que fazer com tudo o que se viveu. A edição foi lançada em evento em São Paulo, em outubro de 2025, e está disponível em capa comum e em formato digital.





