Cidadão do Mundo é o livro em que Carlos Ghosn conta, em primeira pessoa, como um menino nascido em Rondônia, criado entre o Brasil e o Líbano e formado engenheiro na França chegou ao comando de uma montadora japonesa e conduziu sua recuperação. A edição brasileira foi publicada pela editora A Girafa em 2003, com 398 páginas, e tem coautoria de Philippe Riès.
O livro saiu em um momento específico da carreira do executivo: ele já havia cumprido as metas do plano de recuperação da Nissan e se transformado em uma celebridade empresarial no Japão. A obra combina memória pessoal e relato de dentro da empresa, com temas que interessam a quem acompanha negócios internacionais, cultura organizacional e liderança em ambientes multiculturais.
Sobre o que é Cidadão do Mundo
O ponto de partida é a recuperação da Nissan, que, segundo a apresentação da edição brasileira, acumulava prejuízos em uma economia estagnada e parecia destinada à falência. Ghosn relata como a parceria com a Renault foi montada e como a nova gestão reorganizou custos, fornecedores e processos para devolver competitividade à empresa.
Ao mesmo tempo, o livro é uma autobiografia. A narrativa passa pela infância em Guajará-Mirim, pela mudança para Beirute, pelos estudos em Paris, pelos 18 anos na Michelin e pela chegada à Renault e à Nissan — a sequência que formou o executivo que a imprensa chamaria de "cidadão do mundo".
Quem escreve e em que momento
Carlos Ghosn nasceu em 1954 e, quando o livro foi lançado, era presidente da Nissan e vice-presidente executivo da Renault. O coautor, Philippe Riès, assina com ele outros títulos, como "Shift" e "Le temps de la vérité".
A edição brasileira saiu no mesmo ano do original francês, "Citoyen du monde", publicado pela Grasset — o que mostra a velocidade com que a história do executivo circulou fora do Japão.
Por que o livro interessa a quem estuda gestão
Casos de recuperação empresarial costumam render manuais técnicos. "Cidadão do Mundo" faz o caminho oposto: mostra a pessoa por trás das decisões que viraram estudo de caso. O leitor acompanha como um executivo formado na França lidou com a cultura corporativa japonesa, com a desconfiança inicial dos funcionários e com a pressão de entregar resultados em uma empresa que perdia dinheiro.
A apresentação da obra resume a proposta em uma ideia que atravessa o livro: a de que a verdadeira riqueza de uma empresa está nas pessoas, e que resultados duram quando há respeito por quem trabalha na operação.
O que a obra não cobre
Publicado em 2003, "Cidadão do Mundo" termina antes dos capítulos mais polêmicos da trajetória de Ghosn: a prisão no Japão, em 2018, a saída da Renault e a fuga para o Líbano, em 2019. Quem procura a versão dele sobre as acusações precisa de "Le temps de la vérité", de 2020; quem quer o detalhamento do plano de recuperação encontra mais material em "Shift", lançado no ano seguinte.
Para quem é indicado
O livro funciona para leitores de biografias de executivos, estudantes de administração e profissionais que lidam com equipes em países diferentes. É também uma porta de entrada para entender como a Nissan passou de empresa endividada a referência de lucratividade — história que o próprio autor ajudou a escrever.



