Le temps de la vérité é o livro em que Carlos Ghosn apresenta sua versão sobre a prisão no Japão, os 130 dias em que ficou detido no centro de Kosuge e a saída clandestina do país que o levou a Beirute em dezembro de 2019. Escrito com Philippe Riès e publicado pela Grasset em 2020, o título foi apresentado pela editora como um livro-evento: a resposta pública do executivo a um processo que ele descreve como perseguição.
Sobre o que é o livro
A obra reconstrói a cronologia que começa na prisão surpresa de 19 de novembro de 2018, quando Ghosn desembarcou no aeroporto de Haneda, e termina no voo que o levou ao Líbano no fim de 2019. No caminho, o autor descreve as condições de detenção, a rotina de interrogatórios e o que chama de campanha de difamação conduzida pelo que ele nomeia como "Velho Nissan" e pelo Ministério Público japonês.
O livro também trata do lado pessoal: a separação da família durante o período de prisão e fiança, e o desgaste de ter sido destituído das empresas que ajudou a reerguer. Segundo a descrição da editora, o texto acompanha uma "tragédia pessoal e familiar" — o executivo reverenciado no Japão por ter salvado a Nissan em 1999 transformado, de um dia para o outro, em alvo de uma campanha mundial de difamação, na versão dele.
Qual é o argumento de Ghosn
Ele afirma que sua prisão teve relação com a tentativa de afastá-lo do comando da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e sustenta que as acusações de omissão de rendimentos e uso indevido de recursos não se sustentam. O texto reúne a versão do executivo e documentos que ele apresenta como prova de inocência.
É importante ler o livro como o que ele é: uma defesa escrita pelo próprio acusado. Ele não substitui reportagens, documentos judiciais e decisões sobre o caso — apenas organiza, em primeira pessoa, o ponto de vista de quem se apresenta como vítima de um sistema que ele descreve como "justiça-refém", expressão usada por críticos do modelo japonês de detenção prolongada.
Onde o livro foi publicado e em que idiomas
O original é em francês, lançado pelo selo Grasset. No ano seguinte, saiu uma adaptação em inglês com o título "Broken Alliances: Inside the Rise and Fall of a Global Automotive Empire" (Tanooki Press, 2021). Há uma edição digital vendida no Brasil, em francês, para quem quer ler o texto original sem importar o livro físico.
O que aconteceu depois do lançamento
O caso continuou se desdobrando depois que o livro chegou às livrarias. A Interpol já havia emitido, em janeiro de 2020, um alerta vermelho a pedido do Japão; em fevereiro daquele ano, a Nissan entrou com uma ação cobrando cerca de US$ 90 milhões; e, em abril de 2022, a Justiça francesa pediu a prisão internacional do executivo em uma investigação sobre repasses suspeitos ligados à Renault. Nada disso aparece no livro, que funciona como o retrato de um momento: a versão do acusado antes de o caso ganhar novos capítulos.
Para quem é indicado
O livro interessa a leitores de memórias empresariais e a quem acompanha o caso jurídico que envolve Ghosn, a Nissan e o sistema de justiça japonês. Como está em francês ou inglês, exige familiaridade com outro idioma; como é um relato de defesa, pede leitura crítica e comparação com outras fontes.



