Publicado em 1972, Contagem Regressiva é o primeiro volume das memórias de Cândido Mota Filho e o livro em que o jurista transforma meio século de vida pública em narrativa. Depois de uma carreira dividida entre redações, tribunais e academias, ele escolheu contar a própria trajetória sem se limitar à ficha de cargos: o leitor acompanha a formação em São Paulo, o convívio com os modernistas de 1922, a atividade jornalística e os bastidores das crises políticas que atravessou.
O que o livro propõe
Memórias escritas por quem participou de eventos decisivos costumam oscilar entre a defesa institucional e o ajuste de contas. Em Contagem Regressiva, a proposta é outra: revisitar o percurso pessoal como testemunho de uma época. Mota Filho foi da Semana de Arte Moderna ao Supremo Tribunal Federal, passou pela imprensa partidária, pela Assembleia Legislativa de São Paulo e pelo Ministério da Educação. Cada etapa rende cenas e personagens que ajudam a entender como a intelectualidade paulista se envolveu com a política do país.
O título integra a produção de maturidade do autor, escrita quando ele já era acadêmico da Academia Brasileira de Letras. É um livro indicado a quem pesquisa a história política brasileira do século XX, o movimento modernista e o pensamento autoritário dos anos 1930, mas também a leitores de memórias literárias que gostam de acompanhar uma vida pelos acontecimentos que a cercaram.
Por que ler as memórias de Mota Filho
- Testemunho de alguém que participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e do grupo Verde-Amarelo;
- Visão de dentro da imprensa paulista nas décadas de 1920 e 1930;
- Relato de quem atuou no gabinete do governador Pedro de Toledo durante a Revolução Constitucionalista;
- Percurso de um bacharel da Faculdade de Direito de São Paulo que chegaria ao STF.
Quando o livro foi escrito
Contagem Regressiva saiu em 1972, cinco anos depois de Mota Filho deixar o Supremo Tribunal Federal, quando o autor já acumulava a experiência de ministro da Educação, a cátedra de Direito Constitucional e a cadeira na Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, recebeu o troféu Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores ao intelectual do ano. Era um momento de balanço — e o livro responde a essa necessidade de olhar para trás sem abandonar a análise.
Para o leitor de hoje, o valor do testemunho está na distância que o autor mantém dos próprios feitos. Mota Filho não escreve para se justificar, mas para reconstituir o ambiente em que as decisões foram tomadas: as redações partidárias dos anos 1920, os bastidores da Revolução Constitucionalista, a convivência com escritores e políticos, a rotina dos tribunais. São camadas que raramente aparecem juntas em um mesmo relato.
Como adquirir
A edição é antiga e circula principalmente no mercado de livros usados. O link abaixo reúne exemplares oferecidos por sebos brasileiros, com preços e estados de conservação variados. Vale comparar as descrições de cada livreiro antes de comprar, porque se trata de uma obra com décadas de existência e diferentes encadernações.
Quem se interessa pela continuação das memórias encontra em Dias Lidos e Vividos o segundo volume, publicado em 1977.




