Contexto e proposta de Imprensa e poder: ligações perigosas (3ª edição)
“Imprensa e poder: ligações perigosas” é o livro em que Emiliano José vira analista do próprio ofício. Nascido da dissertação de mestrado que ele defendeu na Faculdade de Comunicação da UFBA em 1994 — e publicado no ano seguinte, numa parceria da Edufba com a editora Hucitec —, o estudo enfrenta uma pergunta que atravessou o jornalismo brasileiro na virada dos anos 1990: o que a imprensa faz quando deixa de ser observadora e se torna protagonista política?
A resposta é construída durante dois acontecimentos que marcaram o período: a CPI do PC, que apurou o esquema de Paulo César Farias, e o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Emiliano José descreve a campanha aberta de vários órgãos de imprensa a favor da candidatura Collor e, em particular, o comportamento da revista Veja — ao lado do papel pioneiro de IstoÉ nas denúncias contra o presidente.
Uma tese que continua atual
A tese central do livro é incômoda e segue relevante: no levantamento documental feito pelo autor, a imprensa não se revela imparcial; ela aparece como ator político, com posições que variam conforme a conjuntura. A análise usa os documentos e as reportagens da época para mostrar como linha editorial e interesse econômico moldaram a cobertura de um processo que dividiu o país.
Reeditada pela Edufba em uma terceira edição, em 2019, a obra mantém 297 páginas de análise que interessam tanto a pesquisadores de comunicação quanto a jornalistas e leitores dispostos a entender por que a relação entre mídia e política no Brasil é, até hoje, uma ligação perigosa.
- Para estudantes e pesquisadores de jornalismo e comunicação
- Para quem estuda a história política do Brasil pós-redemocratização
- Para leitores que querem entender o papel da imprensa nos anos Collor




