Contexto e proposta de Lamarca — O Capitão da Guerrilha
“Lamarca — O Capitão da Guerrilha” nasceu de uma aposta arriscada: menos de seis anos depois da morte de Carlos Lamarca, os jornalistas Emiliano José e Oldack de Miranda decidiram reconstituir a trajetória do capitão que abandonou o Exército para integrar a luta armada contra a ditadura militar. Publicado em 1980, o livro é fruto do trabalho de dois repórteres que acompanharam de perto os anos de repressão e tinham, eles mesmos, passado pela prisão — Emiliano José havia sido capturado em 1970 e solto em 1974.
A obra percorre a vida de Lamarca desde a formação militar até a entrada na clandestinidade, o sequestro do embaixador suíço em 1970 e a perseguição que terminou com sua morte na Bahia, em setembro de 1971. É uma reconstituição que combina apuração jornalística e memória do período, escrita quando boa parte dos documentos da repressão ainda estava fora do alcance do público.
Do livro ao cinema
A força da narrativa fez com que o livro servisse de base para o roteiro de “Lamarca”, filme dirigido por Sérgio Rezende em 1994, com Paulo Betti no papel principal. O longa levou às telas a história do guerrilheiro e consagrou a parceria entre o jornalismo e o cinema, também homenageada com prêmios da crítica, como o Troféu APCA de melhor ator.
A edição segue publicada no Brasil, e o livro permanece como uma das principais portas de entrada para entender a luta armada urbana e rural das décadas de 1960 e 1970, o papel do movimento militar de esquerda e o custo humano da repressão.
Para quem é este livro
- Leitores de biografias e de história do Brasil republicano
- Estudantes e pesquisadores da ditadura militar e da luta armada
- Interessados em jornalismo literário e em relatos de resistência
É também uma leitura útil para quem quer entender o método de Emiliano José como biógrafo, que voltaria a temas semelhantes em obras sobre Carlos Marighella, o padre Renzo Rossi e Waldir Pires.




