O Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) foi criado em 1936, no governo de Getúlio Vargas, e institucionalizado no ano seguinte. Seu fundador e primeiro diretor foi Edgard Roquette-Pinto, que vinha da experiência com o rádio educativo e enxergava no cinema o mesmo potencial de ensino.
O instituto nasceu vinculado ao Ministério da Educação e Saúde, comandado por Gustavo Capanema, em um período de modernização das políticas educacionais. Para dirigir a produção dos filmes, Roquette-Pinto convidou o cineasta Humberto Mauro, que permaneceu no cargo por décadas e se tornou responsável por um dos maiores acervos do cinema educativo brasileiro.
O que o INCE produzia
A produção era pensada para caber no horário escolar: filmes de curta-metragem, com duração aproximada de cinco a vinte minutos, sobre ciência, história, geografia, saúde, cultura popular e manifestações artísticas. Mais de 300 títulos foram realizados entre as décadas de 1930 e 1960, exibidos em escolas e em sessões públicas.
O instituto organizou seu próprio acervo de negativos e cópias, mas parte dessa produção se perdeu. O que sobreviveu foi preservado por instituições como a Cinemateca Brasileira, que hoje mantém registros e filmes do período disponíveis para consulta pública.
O Descobrimento do Brasil e os filmes que ficaram
A obra mais conhecida associada ao INCE é O Descobrimento do Brasil, longa-metragem de 1937 dirigido por Humberto Mauro, com trilha sonora de Heitor Villa-Lobos e consultoria histórica de Roquette-Pinto, Afonso Taunay e Bernardino José de Souza. O filme narra a chegada da frota de Cabral a partir de textos da Carta de Pero Vaz de Caminha e representou o Brasil no Festival de Veneza de 1938.
O longa foi restaurado em 1997 e continua sendo estudado como marco do cinema educativo nacional. Documentários de curta-metragem do INCE, como os da série Brasilianas, também seguem disponíveis em acervos públicos e são usados em pesquisas sobre educação, audiovisual e o Brasil das primeiras décadas do século XX.
Educação e propaganda no Estado Novo
O INCE faz parte das políticas educacionais do período Vargas e é estudado por historiadores tanto pelo papel na difusão do ensino quanto pela relação com o projeto de propaganda do Estado Novo. O instituto combinava a produção de material didático com a divulgação de uma visão oficial de país — tensão que marca boa parte da produção audiovisual estatal da época.
Além dos filmes, o instituto publicou o Jornal do INCE, com textos de apoio para professores, e organizou um sistema de distribuição que levava as cópias às escolas. Entender esse funcionamento ajuda a medir o alcance real da iniciativa, muitas vezes lembrada apenas pelo nome de Humberto Mauro.
Como acessar e por que estudar o INCE
O acervo do instituto é consultado em arquivos públicos, especialmente no Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira, que reúne fichas técnicas, imagens e filmes de produções do período. Para quem pesquisa cinema educativo, políticas de comunicação ou a história do audiovisual brasileiro, o INCE é referência obrigatória.
O instituto é, ainda, uma das faces menos conhecidas de Roquette-Pinto. A mesma convicção que o levou a fundar a rádio em 1923 aparece no cinema: colocar a tecnologia mais moderna de cada época a serviço da educação do maior número possível de brasileiros.



