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Rondônia – Anthropologia e Ethnographia

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Clássico da antropologia brasileira que nasceu da viagem de Roquette-Pinto à Serra do Norte com a Missão Rondon e das semanas de convivência com os nambiquaras.

Rondônia: Anthropologia - Ethnographia nasceu de uma viagem que mudou a forma como Edgard Roquette-Pinto olhava para o Brasil. Em 1912, o médico e professor do Museu Nacional integrou a Missão Rondon e passou semanas na Serra do Norte, no norte de Mato Grosso, em contato com os nambiquaras — povo que, na época, tinha escasso contato com a sociedade nacional.

O livro publicado em 1917 é, ao mesmo tempo, diário de campo e estudo antropológico. Roquette-Pinto descreve o percurso, os encontros, os objetos e os cantos registrados em cilindros de cera, e usa esse material para discutir os tipos antropológicos brasileiros. A obra se tornou referência porque contrariou o pensamento racial dominante no início do século XX: para o autor, a miscigenação não produzia populações inferiores, e os problemas do país eram sociais e educacionais, não raciais.

A viagem à Serra do Norte

A expedição de 1912 fazia parte dos trabalhos da Comissão de Linhas Telegráficas, comandada por Cândido Rondon, que avançava pelo interior do país instalando linhas de telégrafo e mapeando territórios pouco conhecidos pelo Estado brasileiro. Roquette-Pinto foi como médico e antropólogo, e voltou com um acervo que incluiu objetos, imagens e gravações em cilindros de cera dos cantos e falas dos nambiquaras.

Esse material entrou para o acervo do Museu Nacional e ajudou a formar a coleção etnográfica da instituição. O diário da viagem, transformado em livro, registra o cotidiano, a cultura material e as gravações sonoras feitas durante a permanência na região.

O que o leitor encontra no livro

A edição reúne observações etnográficas, dados de antropologia física e relatos de viagem. O texto alterna a descrição do cotidiano dos nambiquaras com reflexões sobre o contato entre povos indígenas e a sociedade nacional — tema que atravessa a obra de Roquette-Pinto e o debate antropológico brasileiro das décadas seguintes.

O título é uma homenagem a Cândido Rondon e ao território percorrido pela expedição, e não uma referência ao atual estado de Rondônia, criado décadas depois. A primeira edição saiu em 1917, com segunda edição pela Imprensa Nacional em 1919. A edição contemporânea é publicada pela Editora Fiocruz, que mantém o clássico em catálogo com texto introdutório e notas atualizadas.

Recepção e influência

Rondônia consolidou a reputação de Roquette-Pinto como antropólogo e passou a ser citado nos estudos sobre raça, mestiçagem e formação da população brasileira. A tese central do autor — a de que a mistura de povos não produzia degeneração e que os problemas do país eram sociais — alimentou uma linhagem de interpretações sobre o Brasil que ganharia força nas décadas seguintes.

O livro também é documento de uma época em que a antropologia brasileira se profissionalizava, combinando trabalho de campo, coleta material e debate teórico com pesquisadores europeus e americanos. Por isso, segue sendo lido tanto como fonte histórica quanto como marco inaugural de uma antropologia feita no Brasil e sobre o Brasil.

Por que Rondônia continua sendo lido

O livro interessa a quem estuda a formação do pensamento social brasileiro, a história da antropologia, a questão indígena e as expedições científicas do início da República. Também é leitura de contexto para entender a obra do marechal Rondon e o imaginário construído sobre a Amazônia e o Centro-Oeste no período.

Para Roquette-Pinto, a experiência de campo não terminou no livro: o material recolhido na viagem alimentou sua atuação no Museu Nacional, suas aulas e a defesa de que ciência e educação deveriam andar juntas. Rondônia é o registro inaugural dessa convicção e a porta de entrada mais acessível para a obra escrita do autor.

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Rádio Sociedade do Rio de Janeiro
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Primeira emissora oficial de rádio do Brasil, fundada por Roquette-Pinto em 1923 para transmitir educação e cultura; deu origem à Rádio MEC.
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