Johaben: Diário de um Construtor do Templo é o romance com que Zé Rodrix estreou na ficção. Saiu pela Record em 19 de novembro de 1999, com 448 páginas, e abre a Trilogia do Templo. Quem chega pela música espera outra Casa no Campo. O livro muda de ofício: o centro é a obra do Templo de Salomão, não o estúdio.
Que história Johaben conta
A sinopse da Record acompanha Joab, filho órfão de um soldado fenício. Ele não entende por que o tio Jubal, o coxo, o coloca numa posição invejável entre os comerciantes de Tiro. Em busca de um deus que possa chamar de seu, entra no que o texto da editora descreve como um destino armado de antemão. O único refúgio acaba sendo Jerusalém, onde trabalha como operário na construção do Templo.
Personagens históricos e bíblicos se sucedem numa narrativa que a própria edição trata como aventura e como leitura densa ao mesmo tempo. O cenário é a Antiguidade do Templo, não o Rio dos festivais. O nome Johaben, na capa da Record, funciona como diário de um construtor: a voz é de quem está na pedra, não de quem comenta o monumento de longe.
Onde este volume fica na carreira
Em 1999 Zé Rodrix já tinha deixado o centro do mercado de discos, passado pela publicidade e pela direção musical de teatro. O Cravo Albin registra o lançamento desse primeiro livro no mesmo ano e o Prêmio Lima Barreto, conferido pela União Brasileira de Escritores. A ficção não substitui o compositor. Explica outra mesa de trabalho: a da palavra longa, depois de décadas de letra de canção, jingle e trilha.
A Record apresenta o autor, na ficha do volume, como músico, compositor, maestro, arranjador, ator, publicitário e jornalista. O romance é o primeiro da série que continua em Zorobabel: Reconstruindo o Templo (2005) e fecha em Esquin de Floyrac: O fim do Templo (2007). Cada livro muda de século e de narrador. Johaben fica no canteiro de Salomão.
Para quem o livro serve
O volume interessa a quem lê romance histórico com cenário bíblico e a quem procura ficção em que o Templo de Jerusalém não é cenário de fundo, e sim o trabalho do dia. Também circula entre leitores de maçonaria, porque a trilogia inteira toma o templo como símbolo e como obra de pedreiros. Johaben ainda não chega à queda dos templários medievais. Esse passo é do terceiro livro. Aqui o ofício é erguer.
A edição impressa da Record traz o ISBN 978-85-01-05576-7. Há também versão Kindle. As duas são o mesmo romance, não obras diferentes. O texto não depende de conhecer a discografia. Ajuda, só, saber que o autor passou a vida inteira compondo para voz de outros antes de assinar um diário em prosa.
O que a edição não é
Não é biografia de Zé Rodrix, nem ensaio sobre a MPB, nem manual de rito. A maçonaria aparece como matéria da saga, não como curso. A editora também não apresenta o livro como documento arqueológico. É romance. A precisão que se pode cobrar é de enredo, época e lugar na trilogia: primeiro volume, 1999, Templo de Salomão, operário vindo de Tiro.
- Autoria: Z. Rodrix, nome literário de Zé Rodrix
- Editora: Record, coleção Trilogia do Templo
- Lançamento: 19 de novembro de 1999
- Extensão: 448 páginas na edição impressa
- Prêmio: Lima Barreto, da União Brasileira de Escritores
Quem quiser o compositor, volta para Casa no Campo e para o trio. Quem quiser o prosador, começa por Johaben. É o único dos três romances que ele publicou ainda na década em que o disco Amanhã nem tinha sido gravado.



