Lacan ainda é o testemunho de uma análise. No livro publicado em 2021, Betty Milan revisita os anos em que se analisou com Jacques Lacan, em Paris, e a experiência de ter sido, ao mesmo tempo, paciente, tradutora e assistente do psicanalista no Departamento de Psicanálise da Universidade de Paris VIII.
O que o livro conta
O relato combina memória pessoal e retrato de época. A autora reconstitui o ambiente da psicanálise francesa, as aulas, os encontros e as dificuldades de tradução, sem transformar Lacan em estátua nem reduzir a experiência a anedota. A pergunta que atravessa o livro é o que permanece de uma análise muito tempo depois de ela terminar, e por que Lacan ainda interessa a quem nunca o leu.
Relação com O Papagaio e o Doutor
Em O Papagaio e o Doutor, romance de 1991, Betty Milan transformou a experiência em ficção. Aqui, o relato é direto e assume a primeira pessoa. Os dois livros se iluminam mutuamente: um mostra o que a literatura faz com a memória, o outro mostra o que a memória guarda quando a ficção termina. O filme Adieu, Lacan, dirigido por Richard Ledes a partir do romance, também ajudou a recolocar o tema em circulação.
Para quem é a leitura
- estudantes e profissionais de psicanálise interessados na história da transmissão lacaniana;
- leitores de memórias e testemunhos que cruzam vida intelectual e vida afetiva;
- quem acompanha a obra de Betty Milan e quer entender as raízes de sua ficção.
Contexto na obra da autora
Publicado pela Zahar, Lacan ainda ocupa um lugar singular na bibliografia de Betty Milan, entre o romance e o ensaio. Quem quiser conhecer a autora pode começar por aqui e seguir para os romances, as crônicas e os livros de entrevistas, ou fazer o caminho inverso e voltar a este testemunho depois de ler a ficção.





