Contexto e proposta de Lula o Filho do Brasil (filme)
Lula, o Filho do Brasil é o projeto mais ambicioso da carreira de Fábio Barreto e um dos filmes brasileiros mais comentados do fim dos anos 2000. A cinebiografia reconta a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva desde o nascimento, em Pernambuco, até a morte da mãe, dona Lindu, quando ele já era um líder sindical de 35 anos detido pela polícia política da ditadura militar.
Do livro de Denise Paraná para as telas
O filme parte do livro homônimo da historiadora Denise Paraná, escrito a partir da tese de doutorado dela na Universidade de São Paulo, com depoimentos do próprio Lula e de pessoas próximas. O roteiro foi desenvolvido por Denise Paraná, com a participação de Daniel Tendler e Fernando Bonassi. A produção ficou com Luiz Carlos Barreto e Paula Barreto, pai e irmã do diretor, em uma operação que envolveu patrocínio de empresas e nenhum uso de leis de incentivo.
Elenco e produção
Rui Ricardo Diaz vive o protagonista adulto, com Guilherme Tortólio e Felipe Falanga nas fases criança e adolescente. Glória Pires interpreta dona Lindu, enquanto Cléo Pires dá vida a Maria de Lurdes, primeira mulher de Lula, e Juliana Baroni assume o papel de Marisa Letícia. O elenco ainda reúne Milhem Cortaz, Lucélia Santos e Antônio Pitanga.
As filmagens começaram no início de 2009 em Garanhuns, cidade natal de Lula, e depois seguiram para outras locações no Nordeste e no Sudeste. Com orçamento superior a R$ 17 milhões, o longa foi a produção mais cara da história do cinema brasileiro até o lançamento de Nosso Lar, em 2010.
Estreia, política e bilheteria
A estreia aconteceu no Festival de Brasília, em novembro de 2009, e o lançamento comercial foi em 1º de janeiro de 2010, em pleno ano de eleição presidencial. O timing transformou o filme em tema de debate político: parte da crítica questionou o tom da obra e o possível efeito eleitoral, enquanto defensores do projeto alegaram tratamento injusto na repercussão. A bilheteria ficou abaixo das expectativas criadas durante a produção.
Mesmo assim, uma comissão do Ministério da Cultura escolheu o filme para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro de 2011 — decisão que também gerou polêmica na época, e que não terminou em indicação. O longa marcou mais um encontro entre Fábio Barreto e Glória Pires, que já havia trabalhado com ele em Índia, a Filha do Sol e em O Quatrilho.
Relevância
Lula, o Filho do Brasil interessa tanto como cinebiografia de um presidente quanto como documento de um período em que o cinema nacional apostou em grandes orçamentos e temas políticos. É também a última obra dirigida por Fábio Barreto antes do acidente que interrompeu sua carreira, o que faz do filme o ponto final de uma trajetória de mais de três décadas.





