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O Rei do Rio (filme)

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Drama de 1985 inspirado na peça O Rei de Ramos, de Dias Gomes: dois amigos enriquecem no jogo do bicho e se tornam rivais pelo poder.

Contexto e proposta de O Rei do Rio (filme)

O Rei do Rio é o segundo longa-metragem de Fábio Barreto, lançado em 1985, e o primeiro grande retrato do diretor sobre o Rio de Janeiro. O roteiro foi inspirado na peça O Rei de Ramos, de Dias Gomes, e também no universo do filme O Poderoso Chefão, transportado para o submundo do jogo do bicho carioca.

Dois amigos, uma fortuna e uma rivalidade

A história acompanha dois amigos que enriquecem juntos explorando o jogo do bicho e, na medida em que o dinheiro cresce, se transformam em rivais na disputa pela liderança do negócio. Nuno Leal Maia interpreta Tucão, o personagem-título; Nelson Xavier vive Nico Sabonete; e Milton Gonçalves dá vida a Cacareco. O elenco ainda reúne Andréa Beltrão, Amparo Grisales, Tonico Pereira, Antônio Pitanga, Tony Tornado e Zezé Macedo, entre outros nomes.

Um painel da contravenção carioca

Mais do que uma história de ascensão e queda, o filme funciona como um painel da rede que sustentava a contravenção no Rio dos anos 1980: personagens divididos entre a lealdade e o interesse, a informalidade do jogo e a proximidade com o poder. O tom de tragédia urbana conversa com a tradição de Dias Gomes, autor de peças e novelas que fizeram da política e do cotidiano carioca o centro de sua obra.

Recepção na época

Quando chegou aos cinemas, em 1985, o filme dividiu os críticos. Resenhas da imprensa apontaram a tensão entre o material do roteiro, que passou por várias mãos até as filmagens, e a busca por um equilíbrio entre drama sério e apelo comercial. O Rei do Rio pertence a uma fase em que Fábio Barreto combinava elenco popular, cidade real e narrativa de grande porte — direção que ele retomaria em O Quatrilho e em Lula, o Filho do Brasil.

Por que assistir hoje

O filme é uma janela para o Rio de Janeiro dos anos 1980 e mostra o olhar de Fábio Barreto sobre o jogo do bicho como negócio e como tragédia urbana. Para quem acompanha a trajetória do diretor, funciona como a ponte entre a estreia em Cannes, com Índia, a Filha do Sol, e a fase de O Quatrilho.

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