Contexto e proposta de O Quatrilho (filme)
O Quatrilho é o filme que colocou Fábio Barreto na história do Oscar. Lançado em 1995, o longa adaptou o romance homônimo de José Clemente Pozenato e se tornou o segundo filme brasileiro indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro, feito que o país não alcançava desde O Pagador de Promessas.
Uma história de imigrantes italianos
A trama se passa no Rio Grande do Sul do início do século 20, em uma comunidade rural formada por famílias de imigrantes italianos. Dois casais muito amigos decidem dividir a mesma casa para enfrentar as dificuldades da vida no campo. A convivência muda a relação entre eles: Teresa, vivida por Patrícia Pillar, e Mássimo, de Bruno Campos, se apaixonam e fogem juntos, deixando para trás Ângelo, interpretado por Alexandre Paternost, e Pierina, papel de Glória Pires. A partir daí, o filme acompanha o que acontece com quem ficou — uma situação dramática que também abre espaço para um romance inesperado.
Como o filme foi feito
O roteiro foi escrito por Antônio Calmon e Leopoldo Serran, e a direção de Fábio Barreto reconstruiu a paisagem da colonização italiana na Serra Gaúcha. As gravações passaram por cidades como Farroupilha, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Antônio Prado, incluindo cenários históricos do roteiro turístico Caminhos de Pedra. A trilha sonora tem composição de Caetano Veloso com arranjos de Jaques Morelenbaum, e o próprio autor do livro aparece em uma participação como o fotógrafo que registra a família no fim da história.
Do Festival de Havana ao Oscar
Antes da noite do Oscar, O Quatrilho já tinha conquistado prêmios importantes no Festival de Havana de 1995: melhor atriz para Glória Pires, melhor direção de arte e melhor trilha sonora. No ano seguinte, a Associação Paulista de Críticos de Arte também premiou Glória Pires, o Prêmio Guarani reconheceu a música do filme e a obra disputou o Tokyo Grand Prix, no Festival Internacional de Cinema de Tóquio. Na cerimônia do Oscar, realizada em 1996, o filme concorreu com produções de vários países e perdeu a estatueta para o holandês Antonia, mas a indicação marcou a retomada da presença brasileira na categoria.
Por que assistir hoje
Passadas três décadas, O Quatrilho continua sendo um retrato da imigração italiana no cinema nacional, com um elenco de peso — Gianfrancesco Guarnieri e José Lewgoy estão em papéis de apoio — e o tipo de produção que Fábio Barreto buscava: histórias de raiz popular, filmadas com cuidado de época e apelo para o grande público.





