Contexto e proposta de Meu livro é um fracasso de vendas e outras crônicas
O título é uma piada sobre a própria condição de quem escreve no Nordeste: Meu livro é um fracasso de vendas e outras crônicas venceu o Prêmio Literário José Lins do Rego na categoria crônica em 2022 e saiu pela Editora A União, com lançamento no Espaço Cultural, em João Pessoa. São 67 crônicas em 194 páginas, escritas com o humor seco que Fábio Mozart cultiva há décadas em jornais, blogs e programas de rádio.
Os assuntos vão do quintal ao mundo. Uma árvore de imbaúba que cresceu no muro de casa vira pretexto para falar de teimosia e pertencimento; a guerra entre Rússia e Ucrânia aparece no meio de uma crônica doméstica; a vida literária do interior, os leitores raros, as feiras e as promessas de político completam o cardápio. O autor narra como quem conversa na calçada: frase curta, ironia na medida e uma desconfiança saudável de qualquer grandiosidade.
O livro carrega o selo de um prêmio que existe desde os anos 2000 e é promovido pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) em parceria com a Empresa Paraibana de Comunicação. A seleção publica obras inéditas de autores regionais e nacionais, e a edição premiada colocou o livro em acervos públicos de outros estados, como a biblioteca municipal de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo.
O lançamento aconteceu em dezembro de 2022, no Espaço Cultural, em João Pessoa, ao lado de outros autores premiados na mesma edição — sinal de que o concurso funciona como porta de entrada para novos livros no circuito literário do estado. A escolha do título, uma autocrítica bem-humorada ao mercado editorial brasileiro, virou assunto entre leitores justamente porque toca numa ferida real: tiragens regionais raramente encontram distribuição nacional, e muitos livros bons terminam esquecidos em depósitos.
É um livro para quem gosta de crônica de costumes, de humor inteligente e de olhar crítico sobre o cotidiano brasileiro. Serve também a professores que trabalham leitura e produção de texto, porque mostra na prática como uma crônica se constrói a partir de um detalhe banal. Exemplares usados aparecem em sebos de João Pessoa, muitos deles autografados pelo autor em lançamentos e feiras.





