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Fábio Mozart

Nascimento: 1955 Bananeiras, Paraíba
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Escritor, cordelista, jornalista e radialista pernambucano radicado na Paraíba, venceu os prêmios Patativa do Assaré e José Lins do Rego e ajudou a fundar rádios comunitárias no estado.

O jornal Alvorada começou a circular em Itabaiana, no início dos anos 1970, com uma frase estampada na capa que resumia seu método: “Aqui vendem-se espaço, não ideias”. Quem assinava aquela provocação em plena ditadura militar era um ferroviário de pouco mais de vinte anos, que acabaria preso e processado por causa do jornal. Mais de cinquenta anos depois, Fábio Mozart continua publicando — em cordel, em crônicas, em livros de memória e em programas de rádio comunitária espalhados pelo interior da Paraíba.

Escritor, cordelista, dramaturgo, jornalista e radialista, Fábio Mozart Marinho da Costa nasceu em Timbaúba, em Pernambuco, em 25 de outubro de 1955, e vive na Paraíba desde a década de 1960. Passou por Itabaiana, Mari e João Pessoa e, desde 2020, mora em Bananeiras, no brejo paraibano, onde mantém o blog Toca do Leão, participa de feiras literárias e vende folhetos em bancas de feira. Sua trajetória ajuda a entender um pedaço da história da comunicação popular no Nordeste: ele está entre as pessoas que fundaram rádios comunitárias, jornais independentes e grupos de teatro que deram voz a comunidades fora dos grandes veículos.

Quem é Fábio Mozart

Criado entre cidades do vale do rio Paraíba, Fábio Mozart começou a trabalhar cedo. Foi tipógrafo na Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, entidade de Itabaiana criada em 1976 em homenagem ao autor de “Ai, se sê pudesse”, e depois radiotelegrafista da Rede Ferroviária Federal. Como chefe de estação em Mari, morou doze anos na casa do chefe da estação — prédio que hoje abriga a Casa de Cultura do município e onde sua passagem é lembrada como a de quem licenciou o último trem daquela linha.

Da ferrovia veio também a militância sindical: fundou o Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Paraíba e foi diretor de imprensa da entidade. Participou ainda da fundação da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, da Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba e do Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana (GETI), marcos de uma vida associativa que nunca deixou de lado.

Do jornal Alvorada à Tribuna do Vale

O início da carreira no jornalismo coincide com o endurecimento do regime militar. Em 1970, fundou em Itabaiana o jornal Alvorada, com o slogan “Aqui vendem-se espaço, não ideias”, e pagou o preço da ousadia: prisões e processos por contestar o status quo. Depois vieram o Alquimia do Verbo e colaborações n’A Folha, de Itabaiana, no Umari Notícias, de Mari, na A Folha de Sapé e no Tribuna de Mogeiro, além de passagem pelo corpo redacional do Monitor Maçônico.

Nos anos 1970, foi repórter do jornal O Norte, de João Pessoa, indicado pelo também itabaianense Cecílio Batista. Sua obra jornalística mais duradoura, porém, é a Tribuna do Vale, mensário que fundou e editou e que circulou em cidades do vale do rio Paraíba, com notícias, crônicas e comentários sobre a vida do interior.

A luta pela democratização das rádios comunitárias

Fábio Mozart é um dos pioneiros da radiofonia de Itabaiana. Trabalhou no setor de jornalismo da extinta Rádio Difusora Nazaré, uma das primeiras experiências de rádio da cidade, e depois ajudou a criar emissoras comunitárias em três municípios: a Rádio Comunitária Araçá, em Mari (1998), a Rádio Comunitária Vale do Paraíba, em Itabaiana (2004), e a Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, em João Pessoa (2005). É ligado à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária na Paraíba (Abraço-PB) e transformou essa militância em livro.

Em Democracia no Ar – Histórias de Lutas pela Democratização das Comunicações na Paraíba (2004), ele reuniu relatos do movimento que abriu espaço para as rádios comunitárias no estado, numa época em que a radiodifusão era território quase exclusivo de poucos concessionários. A experiência também virou programa: o Alô, Comunidade!, na Rádio Tabajara, está no ar há mais de uma década, com histórias e depoimentos de comunicadores populares.

O rádio continua sendo sua tribuna. Em Solânea, apresenta o Estação Cultura, na Rádio Comunitária Solânea FM, e na Rádio DiarioPB mantém o humorístico Rádio Barata no Ar, programa que já passou de 570 edições satirizando política e costumes. “Radioativista”, como gosta de se definir, ele trata a comunicação comunitária como extensão da cidadania, não como passatempo.

Teatro, cordel e prêmios

No teatro desde 1976, quando fundou o Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana, Fábio Mozart dirigiu também o Coletivo Dramático de Mari (Codrama) e criou o Teatro Nautília Mendonça, em Itabaiana. Atuou em espetáculos como Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos, e escreveu peças que misturam cordel, crítica social e cultura popular, entre elas A Peleja de Lampião com o Capeta — primeira colocada no concurso Conheça a Paraíba, do antigo Mobral —, O Batalhão das Sombras, O Banquete Final, Auto da Paixão e Cantiga de Ninar na Rua, premiada pela Unicef e reconhecida pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente da Paraíba, com temporada ininterrupta de sete anos.

Na literatura, acumula prêmios de peso. Biu Pacatuba, um herói do nosso tempo, biografia em cordel do líder camponês Severino Barbosa, venceu o Prêmio Patativa do Assaré de Literatura de Cordel, do Ministério da Cultura. Meu livro é um fracasso de vendas e outras crônicas ganhou o Prêmio José Lins do Rego, na categoria crônica, em 2022. Em 2026, o cordel Uma abordagem da História de Bananeiras na pancada do ganzá cordelístico venceu a edição 2025 do mesmo prêmio, na modalidade cordel, com lançamento previsto na programação da 3ª FliParaíba, em novembro.

Livros e folhetos publicados

A produção de Fábio Mozart atravessa poesia, crônica, memória, teatro e literatura de cordel. Entre os títulos mais conhecidos estão:

  • Lira Desvairada (1985), poesia;
  • Pátria Armada (1998), poesia;
  • Democracia no Ar – Histórias de Lutas pela Democratização das Comunicações na Paraíba (2004);
  • Manoel Xudu, o Príncipe dos Poetas Repentistas (2006);
  • História de Itabaiana em versos e algumas crônicas “reais” (2007);
  • Biu Pacatuba, um herói do nosso tempo (2010), vencedor do Prêmio Patativa do Assaré;
  • A Voz de Itabaiana e outras vozes, sobre personagens e memórias da cidade;
  • Meu livro é um fracasso de vendas e outras crônicas (2022), selo do Prêmio José Lins do Rego;
  • Artistas de Itabaiana, com minibiografias de personalidades como Sivuca, Zé da Luz e Vladimir Carvalho;
  • O último poema de Zé da Luz (2026), organizado em parceria com Sérgio Ricardo Santos.

Somam-se a esses títulos cerca de 35 folhetos de cordel, entre eles homenagens a amigos, crônicas de cidade e versos encomendados para festas e feiras. Muitos saem pela Editora Zé da Luz, selo da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, que ele ajudou a fundar e que completou cinquenta anos em 2026.

Onde encontrar os livros

Boa parte da obra circula em sebos e feiras literárias. O Sebo Cultural, em João Pessoa, mantém títulos dele no catálogo, inclusive exemplares autografados. Em Bananeiras, o autor vende folhetos em bancas de feira e em eventos da Academia Bananeirense de Letras e Artes; em Solânea, participa da Festa Literária da cidade. Quem quiser acompanhar lançamentos, poemas e crônicas encontra tudo no blog Toca do Leão.

O trabalho dele dialoga com a tradição da literatura popular brasileira e com o cordel nordestino, gênero que defende como poesia de métrica rígida, rima rica e forte ligação com a oralidade.

Perguntas frequentes

Fábio Mozart é pernambucano ou paraibano?

Nasceu em Timbaúba, Pernambuco, em 1955, mas foi criado na Paraíba e se apresenta como paraibano de adoção. Construiu toda a carreira no estado, entre o vale do rio Paraíba, a Grande João Pessoa e o brejo paraibano.

Quais prêmios ele já recebeu?

Entre outros, o Prêmio Patativa do Assaré de Literatura de Cordel, pelo livro Biu Pacatuba; a premiação da Unicef pelo espetáculo Cantiga de Ninar na Rua; e duas edições do Prêmio José Lins do Rego, em crônica (2022) e em cordel (edição 2025), este último com a obra sobre a história de Bananeiras.

Onde comprar os livros de Fábio Mozart?

Em sebos e livrarias do Nordeste, no Sebo Cultural de João Pessoa e em feiras literárias com a participação da Editora Zé da Luz. O contato direto com o autor é feito pelo blog Toca do Leão.

O que ele escreve atualmente?

Mantém a coluna Tijolinhos do Mozart, com crônicas diárias, versos e comentários políticos, publica cordéis de encomenda e segue lançando livros premiados, além de participar de programas de rádio em Bananeiras e Solânea.

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A Voz de Itabaiana e outras vozes
A Voz de Itabaiana e outras vozes
Crônicas de Fábio Mozart sobre Itabaiana, seus personagens e o rio Paraíba, publicadas pela Editora Imprell e voltadas à memória afetiva da cidade.
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Pátria Armada
Pátria Armada
Livro de poemas de Fábio Mozart publicado em 1998, anterior à sua fase de crônicas e cordéis e procurado por leitores e colecionadores da poesia paraibana.
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